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Por que Brasil registra casos de sarampo mesmo com selo de livre da doença?

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Apesar do Brasil seguir com o certificado dado pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), as américas perderam esse reconhecimento - Adobe Stock
Apesar do Brasil seguir com o certificado dado pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), as américas perderam esse reconhecimento
Por Emanuele Almeida

03/08/2026 | 16h42

São Paulo - O Brasil detém o certificado de País livre do sarampo desde 2024, mas a confirmação de 16 casos da doença em 2026 na Região Metropolitana de São Paulo acendeu um alerta nas autoridades de saúde. A concentração de registros ocorre na capital (13 casos), em São Bernardo do Campo (2) e em Guarulhos (1), motivando uma campanha de vacinação emergencial.

Apesar de o Brasil seguir com o certificado dado pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), as Américas perderam esse reconhecimento. O Canadá foi o causador direto da perda do selo continental, porque o país restabeleceu a transmissão endêmica do vírus, após grandes surtos iniciados em comunidades antivacina.

O México é outra região de atenção na América do Norte, após registrar mais de 7.000 casos e dezenas de mortes entre 2025 e 2026. A maior concentração ocorre em estados como Chihuahua e Jalisco. 

Por que o vírus voltou a circular?

De acordo com o infectologista Alberto Chebabo, dos laboratórios Delboni e Lavoisier ( do grupo Dasa), o fator determinante para o reaparecimento do sarampo é a baixa cobertura vacinal. Ele explica que, quando a população não está devidamente imunizada, criam-se bolsões de pessoas vulneráveis.

O aumento de casos não significa necessariamente que o vírus nunca deixou de circular aqui, mas sim que ele é reintroduzido por "casos importados" — pessoas que contraem a doença no exterior e entram no País", observa Chebabo.

Sendo assim, São Paulo, por possuir aeroportos com grande movimentação internacional para turismo e negócios, funciona como uma porta de entrada. "Atualmente, existem surtos ativos em regiões como os Estados Unidos, Europa e África", adiciona o infectologista. 

Para manter o certificado de país livre da doença, é essencial que o Brasil evite os casos autóctones, ou seja, a transmissão interna, que demonstram falha na proteção coletiva.

Chebabo alerta que, por ser um vírus de altíssima capacidade de transmissão, a meta de vacinação contra o sarampo deve ser superior a 95% para garantir a imunidade de rebanho. Atualmente, São Paulo apresenta apenas 77,5% de cobertura para a primeira dose e 65,5% para a segunda.

Riscos e sintomas 

Chebabo explica que o sarampo é uma doença sistêmica que começa com febre, manchas na pele, coriza, olhos avermelhados e tosse. O especialista enfatiza que o potencial de complicação é severo, podendo atingir órgãos-alvo e causar:

  • Pneumonia viral e hepatite provocadas pelo próprio vírus;
  • Infecções bacterianas secundárias, como otites, sinusites e pneumonia bacteriana, pois o sarampo debilita severamente o sistema imunológico;

As populações de maior risco são as crianças muito pequenas e os imunosuprimidos, que muitas vezes não podem ser vacinados por se tratar de uma vacina de vírus vivo atenuado e dependem da vacinação dos outros para não se infectarem.

Sobre a população idosa, Chebabo esclarece que pessoas com 60 anos ou mais não devem se vacinar. Isso ocorre devido à imunossenescência, envelhecimento natural do sistema imune, e ao fato de que mais de 90% dessa faixa etária já teve sarampo na infância, possuindo proteção natural vitalícia.

O foco principal da preocupação são os adolescentes, adultos jovens e crianças não vacinadas", enfatiza o infectologista. 

Orientações sobre vacinação

A campanha especial iniciada pelo governo de São Paulo foca em moradores de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, entre seis meses e 59 anos de idade, independentemente de já terem sido vacinados antes.

Regras para a imunização:

  • Esquema completo: é necessário ter duas doses comprovadas de tríplice viral (que protege também contra caxumba e rubéola) aplicadas a partir de um ano de idade;
  • Dose zero: crianças de 6 a 11 meses devem receber uma dose extra devido ao surto local, mas esta não substitui as doses do calendário nacional (aos 12 e 15 meses).
  • Comprovação: caso não tenha a caderneta ou o registro das doses, a recomendação é procurar uma unidade de saúde para avaliação profissional e possível revacinação;

Outro ponto de atenção é para quem viajou para países sede da Copa do Mundo ou outras regiões com surtos: a orientação é que haja uma vigilância redobrada aos sintomas após o retorno. Dúvidas adicionais podem ser consultadas no portal estadual Vacina 100 Dúvidas. 

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