Práticas integrativas podem ajudar mas exigem cautela, alerta AMB
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São Paulo - Cerca de 2,5 milhões de pessoas passaram por atendimentos em práticas integrativas e complementares no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2025, conforme dados do Ministério da Saúde, a pedido do VIVA. Os dados, porém, reacenderam o debate sobre o papel dessas terapias na assistência à saúde e sobre o grau de evidência científica que sustenta diferentes práticas oferecidas à população. O que fica claro é que ajudam, mas não devem substituir tratamentos tradicionais, principalmente em doenças graves, alertam entidades médicas.
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Atualmente, o SUS disponibiliza 29 tipos de PICS na atenção primária, especialmente nas unidades básicas de saúde. Dentre elas figuram as mais conhecidas, como acupuntura, aromaterapia, uso de fitoterápicos e massoterapia até outras mais incomuns, como constelação familiar, reiki, termalismo e hipnoterapia.
Representantes da área médica destacam que as práticas integrativas podem contribuir para o bem-estar e para a qualidade de vida, desde que utilizadas de forma complementar a tratamentos convencionais.
Para o presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), César Eduardo Fernandes, o principal parâmetro para avaliar qualquer tratamento de saúde atualmente é a existência de evidências científicas consistentes, e que isso pesa em relação a essas práticas.
Não posso desconsiderar que as práticas integrativas podem contribuir. Mas isso não permite que em momento algum você abandone os tratamentos clássicos, porque esses a gente conhece com relação às suas fortalezas e fragilidades."
Segundo ele, a medicina moderna deixou de se apoiar predominantemente na experiência individual dos profissionais para adotar protocolos baseados em estudos clínicos, diretrizes nacionais e internacionais e metodologias científicas capazes de comprovar eficácia e segurança. "O médico tem que confrontar sua experiência com as evidências demonstráveis através de metodologias científicas".
Nesse contexto, Fernandes avalia que as práticas integrativas devem ser analisadas caso a caso. Ele ressalta que algumas delas podem ajudar determinados pacientes, mas pondera que muitas carecem de comprovação científica robusta para serem consideradas tratamento de doenças.
A médica geriatra Ana Carolina Garcia, diretora da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia de São Paulo (SBGG-SP), destaca que as terapias integrativas podem ter papel relevante especialmente entre pessoas idosas, desde que inseridas em um plano de cuidado mais amplo. Segundo os dados levantados pelo VIVA, o público 50+ concentrou 59% de todos os atendimentos nessa área em 2025.
Terapias que tragam equilíbrio físico, psíquico e espiritual sempre auxiliam no bem estar e melhora clínica global dos pacientes. Mas é imprescindível que tais terapias não substituam os tratamentos convencionais, importantes e muitas vezes vitais, nesta população vulnerável".
Segundo o dirigente da AMB, o fato de uma prática trazer conforto ou melhora subjetiva não significa que ela possa substituir terapias consagradas pela medicina. "O médico pode até sugerir que o paciente recorra a uma dessas práticas, mas esse não deve ser visto como tratamento. Não quero desqualificar ninguém e tampouco me imiscuir em crenças que determinados profissionais podem ter em determinadas áreas, mas não é isso que preconiza a Associação Médica Brasileira", diz.
Tratamento auxiliar
O ideal é ter as práticas integrativas como adjuvantes, complementando aquele tratamento com maior nível de evidência científica instituído pelo geriatra do idoso, segundo Garcia. As PICs podem ser úteis para pessoas idosas, especialmente como complemento ao tratamento convencional, auxiliando em controle de sintomas, qualidade do sono, ansiedade, dor crônica e sensação de autocuidado.
Ela destaca que o envelhecimento costuma vir acompanhado de múltiplas doenças, maior fragilidade e uso simultâneo de medicamentos, fatores que exigem atenção redobrada antes da adoção de qualquer terapia complementar.
A geriatra também defende que a adoção dessas terapias seja individualizada e sempre discutida com o médico responsável pelo acompanhamento do paciente. "O ideal é integrar medidas seguras e individualizadas dentro de um plano terapêutico baseado em evidências, funcionalidade e qualidade de vida", afirma, comentando que nem todas as práticas integrativas possuem o mesmo nível de evidência científica.
O presidente da AMB observa também que muitos dos usuários dessas terapias são pessoas que convivem com doenças crônicas, dores persistentes ou limitações funcionais, cenário que ajuda a explicar a procura por abordagens complementares. "Quando os tratamentos disponíveis não entregam os resultados esperados, é natural que as pessoas procurem essas complementações; elas estão fragilizadas."
Acupuntura é reconhecida
Apesar das ressalvas, o médico afirma que nem todas as práticas incluídas entre as terapias integrativas devem ser vistas da mesma forma. Ele cita a acupuntura como um exemplo distinto por se tratar de uma especialidade médica reconhecida oficialmente no País e respaldada em lei federal.
"A acupuntura é uma especialidade médica, um tratamento associado a outros tratamentos tradicionais", afirma. Segundo ele, a técnica possui aplicações reconhecidas principalmente no manejo da dor e costuma ser utilizada de forma complementar.
O mesmo raciocínio vale para parte dos fitoterápicos disponíveis no mercado. Nesse sentido, Fernandes lembra que diversos produtos dessa categoria passaram por avaliações científicas e receberam aprovação regulatória.
"Em relação aos fitoterápicos, alguns já são aprovados pela Anvisa e são vistos como tratamentos efetivos, não apenas alternativos", afirma. Ele ressalta, porém, que a aprovação depende da demonstração de eficácia e, principalmente, de segurança para os pacientes.
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