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Exclusivo: Pessoas 50+ são maioria em práticas integrativas no SUS

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Pessoas acima de 50 anos representaram 59% de todos os atendimentos em práticas integrativas realizados no SUS em 2025 - AdobeStock
Pessoas acima de 50 anos representaram 59% de todos os atendimentos em práticas integrativas realizados no SUS em 2025
Por Bianca Bibiano

08/06/2026 | 08h20

São Paulo - Um levantamento inédito fornecido pelo Ministério da Saúde a pedido do VIVA mostra que o Sistema Único de Saúde (SUS) realizou 2,5 milhões de atendimentos em Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) em 2025. Desses, 59% foram em pessoas acima de 50 anos de idade.

Atualmente, o SUS disponibiliza 29 tipos de práticas integrativas na atenção primária, especialmente nas unidades básicas de saúde. Dentre elas figuram as mais conhecidas, como acupuntura, aromaterapia e massoterapia, até outras mais incomuns, como constelação familiar, reiki, termalismo e hipnoterapia (confira lista completa abaixo). 

Em entrevista ao VIVA, a diretora da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS (PNPIC), Angela Fernandes Leal da Silva, revela que o orçamento dedicado a área no Ministério da Saúde é de cerca de R$ 10 milhões ao ano. Segundo ela, o orçamento anual da área está previsto no instrumento oficial de planejamento orçamentário da pasta e existem discussões em andamento para ampliar os recursos nos próximos anos. "Há uma expectativa de expansão, pensando que a gente vai ter mais robustez e ampliação dessa oferta", afirmou.

As práticas integrativas foram oficializadas no SUS em 2006, com a criação da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS (PNPIC), seguindo recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) para a inserção da medicina tradicional nos sistemas oficiais de saúde.

Em maio deste ano, o Ministério da Saúde anunciou uma ampliação da atuação na área com a criação de uma coordenação federal dedicada exclusivamente às práticas integrativas e complementares.

As práticas integrativas vêm de encontro a nossa narrativa enquanto Ministério da Saúde, que é promover saúde, qualidade de vida e bem-estar", afirma.

A maior parte das sessões foi ofertada a pacientes na faixa etária de 50 a 69 anos, que concentra cerca de 44% de todos os atendimentos do ano passado. Veja no gráfico abaixo os números em cada faixa etária:

Ações coordenadas

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Diretora da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS. Angela da Silva prevê expansão nos atendimentos - Divulgação/MS

Silva ressaltou, porém, que parte significativa do financiamento das práticas está vinculada ao custeio da atenção primária, já que muitas ações são realizadas por equipes de Saúde da Família que recebem cofinanciamento federal para viabilizar a capilaridade das ações nos municípios. Por isso, segundo a diretora, não é possível mensurar com precisão o volume total de recursos destinados às práticas integrativas.

A nova coordenadoria de PICS buscará fortalecer a institucionalização do tema dentro da pasta e ampliar a articulação com Estados e municípios. Também há expectativa para ampliar ações e fortalecer a formulação de políticas públicas voltadas ao setor, incluindo a manutenção de parcerias com universidades federais, com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e com a própria OMS.

"Estamos fortalecendo as nossas parcerias com instituições e também com países que têm fortemente as práticas integrativas e complementares, para trocar experiências também no sentido de formação e qualificação dos nossos profissionais", diz.

A prioridade inicial será ampliar o acesso às práticas já existentes, especialmente fora dos grandes centros urbanos. "No primeiro momento, a gente tende a fortalecer e incentivar as 29 práticas que estão dentro da PNPIC. A ampliação seria alcançar mais pessoas em mais territórios", afirmou.

Já a inclusão de novas modalidades ainda não está em pauta. "Seria necessário fazer uma revisão da política para que isso possa ser contemplado à luz das evidências científicas e também da ancestralidade, da tradicionalidade. Não é uma discussão que aconteceria de imediato ou no curto prazo", ponderou Silva.

Olhar para pacientes 50+

A representante do Ministério da Saúde ressaltou que o trabalho de expansão das PICS deverá considerar o envelhecimento da população e a forte adesão do público com mais de 50 anos.

 A gente já tem uma adesão boa desse público, especialmente de idosos. A ideia é que qualificar ainda mais as equipes para  mais ações voltadas a esse público, que nos é muito caro e que se beneficia muito das ações realizadas".

Práticas integrativas mais procuradas

Dentre as práticas disponíveis atualmente no SUS, as mais buscadas são auriculoterapia, técnica terapêutica derivada da acupuntura que estimula pontos específicos na orelha, seguida de eletroestimulação, acupuntura com inserção de agulhas e aromaterapia.

Ao todo, o Ministério da Saúde listou 37 categorias de atendimento, das quais apenas sete têm maior procura em pacientes mais jovens. Veja a seguir a lista das mais buscadas em 2025, considerando todas as faixas de idade.

Ponderações a críticas

Apesar de receberem avaliações positivas dos pacientes, muitas práticas integrativas são alvo de questionamentos por parte de médicos e pesquisadores por não oferecerem evidências científicas robustas de seus benefícios.

Sobre essas críticas, a diretora da política nacional afirmou que todas as modalidades incluídas na política passaram por avaliações técnicas antes de serem incorporadas. "Existem estudos, existem evidências de algum benefício de todas elas. Só que a gente precisa entender como elas estão sendo aplicadas e utilizadas. A efetividade e a segurança de qualquer prática dependem da forma como ela é utilizada".

O Ministério da Saúde investe na qualificação específica dos profissionais que atuam com práticas integrativa e oferece atualmente 18 cursos em diferentes modalidades, incluindo atividades autoinstrucionais, tutorias e etapas presenciais.

Apesar disso, a pasta não estabelece uma formação mínima obrigatória para a realização dos procedimentos. Segundo a diretora, essa regulamentação cabe aos conselhos profissionais e à legislação de cada categoria, e destaca que o Ministério da Saúde mantém diálogo com o Ministério da Educação (MEC) para ampliar a inserção das práticas na formação dos profissionais de saúde, incluindo cursos técnicos para agentes comunitários.

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