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Prostitutas 50+ lidam com ausência de políticas de saúde mental e sexual

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Prostitutas envelhecem trabalhando e enfrentam problemas com saúde mental e corpo - Freepik
Prostitutas envelhecem trabalhando e enfrentam problemas com saúde mental e corpo
Por Bárbara Ferreira e Marcel Naves

11/03/2026 | 12h24

São Paulo - O envelhecimento traz alterações hormonais para as mulheres, o que pode afetar a rotina de trabalho, a disposição sexual e até processos depressivos. Inclusive para as profissionais do sexo. De acordo com a geriatra Márcia Umbelino, essas profissionais precisam se atentar ainda mais à saúde depois dos 50 anos, principalmente por conta da menopausa. 

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A expectativa de vida aumentou, essa mulher em prostituição envelheceu e não mudou de profissão. Só que é preciso atenção com as doenças compatíveis com a idade”.

Um exemplo é o ressecamento vaginal, compatível com a menopausa, mas que abre portas para infecções e vírus. "Esse cuidado preventivo precisa ser estimulado", afirma a médica.

A reposição hormonal para climatério/menopausa é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com a especialista, as profissionais precisam visitar os postos de saúde com frequência para prevenção.“Elas podem ter ajuda e com isso melhora na qualidade de vida. Para que envelheçam, na profissão delas, com mais saúde”.

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DSTs e saúde mental

Para a geriatra, uma mulher idosa que já “menopausou” e trabalha com relações sexuais frequentes tem que pensar no HPV, HIV, hepatites, sífilis e outras doenças transmitidas pelo contato íntimo. Segundo dados do Ministério da Saúde (DataSUS) via Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), entre 2014 e 2023, o número de casos de sífilis adquirida em pessoas com mais de 60 anos saltou de 4.255 para 21.613.

A médica ressalta que a idade precisa ser levada em consideração em relações sexuais “mais vigorosas”, para evitar acidentes e fraturas. Além das doenças que acompanham o avançar da idade, há questões de saúde mental.  

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Diana Soares, profissional do sexo de 66 anos, incentiva o uso de preservativos e lubrificantes, e os distribui para mulheres mais velhas em atividade. Ela reduziu os atendimentos depois de desmaiar no meio de um "programa", dois anos atrás. Sente que os anos passaram nos ossos, coração e cabeça. Fez um cateterismo, trata osteoporose e pressão alta, e lida há alguns anos com demência. 

Ela relata que passou por um período sem conseguir se olhar no espelho com medo da própria imagem envelhecida. “Nunca tive problema com nudez, mas comecei a não querer ficar nua ou me olhar no espelho. Já chorei várias vezes. Comecei a procurar aquilo que eu achava bonito, pelo o que era admirada, e não ver mais”.

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A psicóloga e psicopedagoga Blenda Oliveira afirma que para diagnosticar os males da saúde mental destas mulheres é fundamental considerar por quais motivos continuam se prostituindo. Segundo a especialista, o parâmetro é dado pelos próprios relatos destas mulheres.

São traumas, síndrome do pânico, elas demonstram ter uma série de fatores psicológicos. Em qualquer idade é difícil. Mas essa atividade em si pode gerar muitos transtornos, muitos perigos, inclusive”, diz a psicóloga.

Lucimara Wieniesky, prostituta de 57 anos, conversou com o VIVA logo após ter atendido  um cliente para comprar remédios, já que esteve internada dias antes com pneumonia. Ela conta que saiu da rua e começou a divulgar o trabalho em site para conseguir atender em casa.

"A maioria das meninas que trabalha nos bares ficam em pé de salto alto. Eu já não tenho mais saúde para isso. Tive que me adaptar pela necessidade de trabalhar", disse.

Oliveira defende uma política de saúde pública voltada para estas mulheres. A especialista alerta que há uma alta oscilação hormonal e que isto pode afetar o emocional, por isso a importância de uma equipe multidisciplinar para que elas possam conversar com psicólogo e médico, e fazer prevenção.

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