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Quase metade dos jovens não sabe que diabetes causa doença nos rins

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A doença renal crônica (DRC) é uma das principais e mais silenciosas consequências do diabetes não controlado - Adobe Stock
A doença renal crônica (DRC) é uma das principais e mais silenciosas consequências do diabetes não controlado
Por Emanuele Almeida

26/03/2026 | 14h00

São Paulo - Embora 98% dos jovens brasileiros entre 16 e 34 anos afirmem já ter ouvido falar em diabetes, o conhecimento sobre as complicações da doença cai drasticamente quando o assunto envolve a saúde dos rins.

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Uma pesquisa nacional realizada pelo Instituto Datafolha, encomendada pela biofarmacêutica AstraZeneca e divulgada neste mês que é dedicado à conscientização sobre doenças relacionadas ao rim, revela que quase metade dos jovens de 16 a 24 anos nunca ouviu falar que o diabetes pode causar problemas renais.

O levantamento, com 2.005 pessoas em 113 municípios, mostra que a população em geral associa o diabetes mais frequentemente a amputações (27%) e à cegueira (23%). Apenas 10% dos entrevistados mencionaram saber que o mau controle da doença pode afetar os rins. Entre os adultos jovens de 25 a 34 anos, há desinformação também: 4 em cada 10 desconhecem essa conexão clínica.

O cenário expõe o desafio de que a geração que mais consome conteúdo sobre saúde é a que menos reconhece a ligação entre doenças crônicas e complicações graves.

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Saúde renal no Brasil

O desconhecimento acende um alerta pois a doença renal crônica (DRC) é uma das principais e mais silenciosas consequências do diabetes não controlado. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 830 milhões de pessoas vivem com diabetes no mundo, e no Brasil, 12,9% da população adulta já possui o diagnóstico.

Junto com a hipertensão e a obesidade, o diabetes forma o principal eixo de risco para o desenvolvimento da DRC, que hoje afeta 1 em cada 10 pessoas no planeta.

Os números nacionais impressionam: aproximadamente 12 milhões de brasileiros convivem com algum grau de comprometimento renal, e estima-se que dois em cada cinco indivíduos com diabetes tipo 2 possam desenvolver a doença ao longo da vida.

Por ser silenciosa, a progressão não apresenta sintomas nas fases iniciais, mas pode evoluir para quadros de insuficiência renal, necessidade de diálise ou transplante, além de aumentar significativamente a mortalidade e o risco de eventos cardiovasculares.

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Ainda falta diálogo no consultório

Além da desinformação, a pesquisa evidencia uma grave falha na comunicação preventiva profissional. Quase metade (46%) dos jovens de 16 a 24 anos e 4 em cada 10 adultos de 25 a 34 anos afirmam nunca ter conversado com um médico sobre a prevenção de doenças relacionadas ao diabetes e à hipertensão.

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Paralelamente, cerca de metade desses jovens utiliza a internet como a sua principal fonte de informação em saúde, o que reforça a urgência de ampliar o acesso a conteúdos científicos de qualidade e incentivar o acompanhamento médico.

Quando quase metade dos jovens nunca conversou com um médico sobre prevenção, isso significa que estamos perdendo uma janela decisiva de intervenção", avalia a cardiologista do Hospital Universitário Cajuru e professora da PUCPR, Lidia Moura.

A médica ressalta que complicações do diabetes e da hipertensão evoluem ao longo dos anos, tornando o diálogo, o rastreamento precoce e a educação em saúde essenciais desde já.

A boa notícia é que até 80% das doenças crônicas não transmissíveis podem ser prevenidas ou controladas por meio da adoção de hábitos saudáveis, do diagnóstico precoce e do acompanhamento médico contínuo.

Para evitar o crescimento futuro das estatísticas de complicações renais, o momento exige colocar a prevenção no centro das conversas, garantindo que o cuidado comece muito antes do surgimento de qualquer sintoma.

Sobre a pesquisa

A pesquisa Datafolha foi realizada presencialmente entre 8 e 12 de setembro de 2025, com 2.005 entrevistados de todas as classes econômicas em todas as regiões do Brasil, possuindo margem de erro de ±2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

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