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Quem precisa de diálise? Entenda o tratamento indicado para doença renal

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No Brasil, 87,3% dos pacientes realizam hemodiálise, 7,1% hemodiafiltração, e apenas 5,6% fazem diálise peritoneal - AdobeStock
No Brasil, 87,3% dos pacientes realizam hemodiálise, 7,1% hemodiafiltração, e apenas 5,6% fazem diálise peritoneal
Por Bianca Bibiano

13/03/2026 | 14h23

São Paulo - Neste Dia Mundial do Rim, 13 de março, vale lembrar que mais de 172 mil brasileiros dependem da diálise para sobreviver, de acordo com o Censo Brasileiro de Diálise de 2024, realizado pela Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN).

Os rins são essenciais na filtragem do sangue no corpo humano, mas podem ser acometidos por doenças agudas ou crônicas, prejudicando sua capacidade de eliminar toxinas e de manter o equilíbrio de líquidos e minerais do organismo.

Quando chega a um estágio grave, ou seja, quando mais de 85% dessa capacidade foi perdida, é preciso recorrer ao procedimento de diálise.

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No Brasil, 87,3% dos pacientes realizam hemodiálise, 7,1% hemodiafiltração, e apenas 5,6% fazem diálise peritoneal. Essa baixa adesão contrasta com a orientação de 20% feita pelo Ministério da Saúde em 2011. Para comparação, os Estados Unidos atingem 15% dessa taxa e o México 50%.

Diante desse cenário, especialistas apontam que a diálise peritoneal pode ser realizada em casa, por isso é uma alternativa estratégica para reduzir a sobrecarga nos centros de hemodiálise e expandir o acesso ao tratamento, especialmente em regiões com menor infraestrutura.

Entenda as diferentes diálises

A hemodiálise, o padrão predominante no País, é realizada em clínicas especializadas, onde o paciente permanece conectado a uma máquina por cerca de quatro horas, três vezes por semana. É um procedimento extracorpóreo baseado na filtração do sangue.

Já a hemodiafiltração é um procedimento que, além de filtrar, faz uma reposição de líquidos especiais, permitindo uma limpeza mais profunda do sangue.

A diálise peritoneal, por sua vez, utiliza o peritônio, uma membrana que reveste a cavidade abdominal, como um filtro natural. O tratamento é diário e, na maioria dos casos, realizado à noite enquanto o paciente dorme, utilizando uma máquina cicladora. É o mais comum no ambiente residencial.

Indicações

Para o nefrologista e gerente médico da Vantive Brasil, Paulo Lins, a escolha do tipo de diálise deve ser feita de forma planejada, após um diagnóstico precoce da doença renal crônica. 

"Em um mundo ideal, após a identificação da falha renal, o paciente seria encaminhado a um nefrologista, que indicaria o melhor tipo de diálise para aquele caso. Ele pode ir a uma clínica de hemodiálise, onde fica conectado a uma máquina três vezes por semana, ou pode realizar a diálise peritoneal em casa, recebendo a máquina, as soluções e o treinamento para executar o procedimento com segurança", explica.

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O especialista reforça que, do ponto de vista clínico, os resultados de ambas as modalidades são equivalentes, mas a qualidade de vida com a diálise peritoneal é superior. "O paciente mantém sua autonomia, pode seguir trabalhando e viajando, não sente a ‘ressaca da hemodiálise’ e acorda sentindo-se bem", diz. 

E os outros tratamentos?

A diálise não deveria ser uma indicação para a vida toda, mas sim um tratamento transitório até que se alcance o transplante. Porém, o rim também é o órgão com maior demanda por transplantes no Brasil.

Atualmente, entre 40 mil e 42 mil pessoas aguardam na fila do Sistema Nacional de Transplantes, segundo dados do Ministério da Saúde. A alta demanda tem relação direta com a incidência crescente de doenças crônicas, especialmente a hipertensão arterial e o diabetes, que podem levar à perda progressiva da função renal.

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Contudo, o nefrologista do Grupo São Lucas Ribeirão Preto Filipe Miranda Bernardes afirma que pesquisas internacionais tem avançado em diferentes frentes. Uma delas são pesquisas que investigam o desenvolvimento de rins artificiais portáteis e dispositivos implantáveis

Recentemente, por exemplo, um xenotransplante experimental foi realizado no Massachusetts General Hospital, nos Estados Unidos, marcando um passo relevante nas pesquisas sobre transplantes com órgãos de origem animal. Nessa modalidade, o transplante acontece de órgãos ou tecidos de uma espécie para outra, principalmente de porcos para humanos. 

Além disso, ele aponta que na prática clínica novos medicamentos também têm demonstrado eficácia na redução da progressão da doença renal crônica e do risco cardiovascular, ampliando as possibilidades terapêuticas para pacientes, especialmente aqueles com diabetes.

"A doença renal não dói, mas progride. Quanto mais cedo identificarmos, maior a chance de controlar. Cuidar dos rins é cuidar do coração, do cérebro e da qualidade de vida. Prevenção e diagnóstico precoce salvam rins e salvam vida", completa.

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