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Tontura e vertigem: como identificar cada uma?

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A tontura sem vertigem costuma estar ligada ao uso de medicamentos - Envato
A tontura sem vertigem costuma estar ligada ao uso de medicamentos
Por Joyce Canele

19/02/2026 | 18h21

São Paulo, 19/02/2026 - A confusão entre tontura e vertigem pode ter um impacto direto na qualidade de vida de quem sofre desses casos. Embora os termos sejam usados como sinônimos no dia a dia, a distinção correta é decisiva para o diagnóstico, o tratamento e a prevenção de complicações, sobretudo entre adultos mais velhos.

A tontura está entre as queixas mais frequentes nos consultórios médicos e pode atingir até um terço da população em algum momento da vida.

Com o envelhecimento, a incidência cresce, impulsionada por alterações naturais do organismo, uso de múltiplos medicamentos e maior presença de doenças crônicas. Identificar corretamente o sintoma, desde o primeiro atendimento, é o ponto de partida para evitar diagnósticos equivocados e tratamentos desnecessários, segundo o MDS Manual.

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Tontura x vertigem

Do ponto de vista médico, tontura é um termo amplo, pode significar sensação de fraqueza, mal-estar, escurecimento da visão, instabilidade ao caminhar, impressão de que vai desmaiar ou sensação de cabeça vazia.

Já a vertigem é mais específica e costuma ser descrita como a percepção de que o ambiente está girando ou de que o próprio corpo está em movimento, mesmo parado.

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Essa diferença não é apenas conceitual, cada sintoma aponta para sistemas distintos do corpo e, consequentemente, para doenças diferentes.

Enquanto a vertigem geralmente indica comprometimento do labirinto ou de suas conexões no cérebro, a tontura pode estar relacionada a alterações cardíacas, pulmonares, metabólicas, hormonais, infecciosas ou até emocionais.

Sintomas da vertigem

A vertigem se manifesta, principalmente, pela sensação ilusória de movimento, como se o ambiente estivesse girando ou o próprio corpo estivesse rodando, mesmo quando a pessoa está parada.

Esse sintoma costuma vir acompanhado de:

  • Instabilidade ao caminhar;
  • Dificuldade para manter o equilíbrio;
  • Náuseas e vômitos;
  • Sudorese; e
  • Palidez.

Em alguns casos, há sensação de pressão no ouvido, zumbido ou alteração temporária da audição.

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Os episódios podem ser desencadeados por movimentos da cabeça, mudanças de posição ou ocorrer de forma contínua, variando em intensidade e duração conforme a causa, e tendem a interferir significativamente nas atividades diárias.

As causas mais comuns

Entre os quadros associados à vertigem, destacam-se a:

  • Vertigem posicional paroxística benigna;
  • Doença de Ménière;
  • Neurite vestibular;
  • Enxaqueca vestibular; e
  • Labirintite.

Apesar da popularidade do termo, a labirintite é rara e responde por uma parcela mínima dos casos, o que explica por que seu uso indiscriminado leva, muitas vezes, a erros de conduta.

A enxaqueca vestibular merece atenção especial. Cada vez mais reconhecida, ela pode causar vertigem associada ou não à dor de cabeça, além de sensibilidade à luz e ao som e alterações visuais transitórias. Embora possa haver perda auditiva, esse não é um achado comum.

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Já a tontura sem vertigem costuma estar ligada ao uso de medicamentos, especialmente os indicados para controle da pressão arterial, a causas multifatoriais, à queda de glicose no sangue, à anemia, a doenças cardíacas e pulmonares ou a transtornos como ansiedade, depressão e síndrome do pânico. 

Por que o envelhecimento aumenta o risco

Com o passar dos anos, vários sistemas envolvidos no equilíbrio passam a funcionar de forma menos eficiente.

As estruturas do ouvido interno perdem precisão, a visão pode fornecer informações inconsistentes ao cérebro e os mecanismos que regulam a pressão arterial tornam-se mais lentos, especialmente ao se levantar.

Soma-se a isso a redução da propriocepção, a capacidade de perceber a posição do corpo no espaço, e o uso mais frequente de medicamentos com potencial efeito colateral de tontura.

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O resultado é um risco maior de quedas. Em pessoas mais frágeis, esse risco é ainda mais significativo, com possibilidade de fraturas e outras lesões graves. Mesmo quando a queda não ocorre, o medo de cair pode limitar atividades cotidianas e reduzir a autonomia.

Diagnóstico correto

A avaliação clínica detalhada continua sendo a principal ferramenta para diferenciar tontura de vertigem.

Em muitos casos, a história relatada pelo paciente e um exame neurológico direcionado são suficientes para definir o diagnóstico, sem necessidade imediata de exames de imagem.

O tratamento varia conforme a causa, na vertigem posicional paroxística benigna, por exemplo, não há indicação de medicamentos.

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Manobras específicas para reposicionar os cristais de cálcio no ouvido interno podem resolver o problema já na primeira consulta. Em contrapartida, o uso indiscriminado de remédios para 'labirinto' pode causar sonolência e outros efeitos adversos, especialmente em pessoas mais velhas.

Fisioterapia e prevenção de quedas

Adultos mais velhos com tontura ou vertigem costumam se beneficiar de fisioterapia e exercícios voltados ao fortalecimento muscular e ao treino do equilíbrio.

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Além de ajudar no controle dos sintomas de tontura ou vertigem, essas intervenções contribuem para a manutenção da independência e para a prevenção de quedas.

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