Tratamento da obesidade em pessoas 60+ ganha novas diretrizes no Brasil
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São Paulo - As novas orientações para o tratamento de obesidade com uso de medicamentos, publicadas ontem pela Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), trazem duas recomendações específicas para pessoas com mais de 60 anos.
O documento destaca a necessidade de metas de perda de peso mais individualizadas nessa faixa etária, levando em conta riscos como a perda de massa muscular.
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Segundo as diretrizes, nem sempre reduções expressivas de peso são necessárias para melhorar a saúde. Em idosos, reduções maiores podem aumentar o risco de eventos adversos, como a diminuição da massa muscular e da densidade óssea.
O mesmo acontece em indivíduos com índice de massa corporal mais baixo, para os quais a perdas mais modestas podem ser suficientes para promover ganhos na qualidade de vida.
Nesse contexto, a Abeso recomenda que pessoas com obesidade acima de 60 anos, ou com risco de sarcopenia, sejam avaliadas para essa condição antes do início do tratamento com medicamentos.
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Sarcopenia e riscos associados
Segundo o documento, a sarcopenia é caracterizada pela perda progressiva de massa e função muscular. Em idosos, está associada a maior risco de quedas, fragilidade, comorbidades e mortalidade.
A condição também pode ocorrer em pessoas com obesidade, dando origem à chamada obesidade sarcopênica, quadro em que há excesso de gordura corporal combinado à redução da qualidade ou quantidade de massa muscular.
Além do envelhecimento, fatores como sedentarismo, ciclos repetidos de perda e ganho de peso e doenças crônicas contribuem para o desenvolvimento do problema. Mesmo quando a massa muscular total parece preservada, a qualidade do músculo pode estar comprometida pela infiltração de gordura, o que afeta força e funcionalidade.
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No Brasil, estudos citados pela Abeso indicam que a obesidade sarcopênica atinge cerca de 17% dos adultos com a doença. Entre idosos, a prevalência pode chegar a quase 30%. Apesar disso, a associação diz que o diagnóstico ainda é subestimado, já que muitos pacientes procuram atendimento por sintomas inespecíficos, como fraqueza e fadiga.
O rastreamento inicial pode ser feito por um médico e, caso haja indicação de risco, a avaliação deve incluir testes de função muscular e análise da composição corporal. O documento alerta que perdas de peso mais intensas podem agravar quadros de sarcopenia, o que reforça a importância de acompanhamento médico e estratégias individualizadas.
Treino de força e proteína
As novas diretrizes também reforçam que o tratamento da obesidade em idosos deve ir além dos medicamentos, e orientam uma combinação de treino de força e ingestão adequada de proteína. O 'combo' é indicado para preservar a massa muscular e a capacidade funcional.
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A recomendação é realizar exercícios de resistência de duas a três vezes por semana, preferencialmente associados a 150 minutos de atividades aeróbicas. Evidências citadas nas diretrizes apontam que esse tipo de treinamento pode reduzir a gordura corporal e aumentar a massa magra, além de melhorar a força muscular e a mobilidade.
Além disso, para pessoas acima de 65 anos, a ingestão diária de proteínas indicada fica entre 1 e 1,2 gramas por quilo de peso corporal, podendo chegar a 1,5 grama em casos específicos e na ausência de contraindicações.
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