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Vacina contra surto de ebola pode levar até 9 meses para ficar pronta, diz OMS

Reprodução/ OMS/ World Bank Group/ V.Tremeau

Hoje, ainda não há vacinas ou tratamentos aprovados para tratar a cepa Bundibugyo de ebola - Reprodução/ OMS/ World Bank Group/ V.Tremeau
Hoje, ainda não há vacinas ou tratamentos aprovados para tratar a cepa Bundibugyo de ebola
Por Bárbara Ferreira e Emanuele Almeida

21/05/2026 | 10h54

São Paulo - A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que doses de uma vacina capaz de combater o surto de ebola, causado pelo vírus Bundibugyo, que atinge a África Central pode levar de seis a nove meses para ficar pronta. O prazo foi informado em coletiva de imprensa feita em Genebra, na quarta-feira, 20. 

Hoje, ainda não há vacinas ou tratamentos aprovados para tratar essa cepa de ebola. Isso porque, a vacina licenciada contra a cepa Zaire (Ervebo/Afivbo) não funciona para este caso.

Leia também: OMS declara emergência global de saúde por surto de Ebola no Congo e em Uganda

Segundo o líder interino do R&D Blueprint da OMS, Basi Moorthy, existem duas frentes principais:

  • rVSV-Bundibugyo: é considerada a candidata mais promissora, mas atualmente não há doses disponíveis para ensaios clínicos. Estima-se que levará de 6 a 9 meses para que doses estejam prontas;
  • Plataforma Chadox1 (Oxford/Serum Institute of India): uma vacina utilizando a mesma plataforma da AstraZeneca está sendo fabricada. Pode haver doses para testes em 2 a 3 meses, mas há muita incerteza, pois ainda faltam dados de testes em animais.

O surto causado pelo vírus Bundibugyo teve 51 casos confirmados até o momento e 600 casos suspeitos. De acordo com o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, foram contabilizadas 139 mortes ainda em investigação. Estimativas iniciais do Imperial College de London sugerem cenários que variam de 400 a 1.000 casos totais.

Ghebreyesus declarou o surto como uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII), embora o Comitê de Emergência tenha concordado que a situação não constitui uma "emergência pandêmica". 

O que é ebola?

A Doença pelo Vírus Ebola (DVE) ganhou notoriedade mundial devido à sua alta taxa de mortalidade, capaz de chegar a 90% em algumas ocasiões. O Ministério da Saúde confirma que o Brasil nunca registrou casos da doença.

Ela é classificada como uma zoonose, uma infecção transmitida de animais para pessoas, mas ainda com uma origem misteriosa. A comunidade científica considera os morcegos frugívoros (Pteropodidae) como os prováveis reservatórios do vírus.

Ainda não existe um tratamento específico capaz de neutralizar o vírus da ebola. O atendimento médico é baseado em suporte clínico, com hidratação, controle dos sintomas e estabilização do paciente. Segundo o Ministério da Saúde, iniciar o tratamento rapidamente aumenta as chances de sobrevivência.

Quais são os sintomas do ebola?

Os sintomas do ebola costumam aparecer entre dois e 21 dias após a infecção. Entre os sinais mais comuns estão:

  • Febre;
  • Dor de cabeça;
  • Fraqueza intensa;
  • Dor abdominal;
  • Diarreia;
  • Vômitos;
  • Falta de apetite;
  • Dor de garganta;
  • Manifestações hemorrágicas.

A transmissão do vírus do ebola ocorre exclusivamente após a manifestação dos primeiros sintomas. A contaminação acontece por contato direto com sangue, tecidos, ou fluidos corporais de pessoas ou animais infectados, vivos ou mortos.

Em quadros clínicos graves, a infecção pode evoluir para hemorragias internas e externas, insuficiências hepática e renal, choque circulatório e falência múltipla de órgãos, sendo o diagnóstico definitivo realizado por exames laboratoriais específicos.

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O período de incubação da doença varia de 2 a 21 dias, com mediana de 5 a 10 dias na maioria dos casos. No aspecto sorológico, os anticorpos IgM tornam-se detectáveis a partir do segundo dia do início dos sintomas, tendendo a desaparecer entre 30 e 168 dias após a infecção.

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