Candidatos à presidência focam em serviços digitais mas esquecem inclusão
Estudo da Reglab identifica grande presença de propostas para digitalizar serviços nos planos de governo, mas pouco espaço para letramento digital
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A análise das propostas dos candidatos à presidência revela uma ênfase na digitalização de serviços públicos, mas levanta preocupações sobre a acessibilidade, especialmente para a população com dificuldades de conexão à internet.
O estudo do Reglab identificou 48 propostas relacionadas ao Governo Digital, em contraste com apenas 30 voltadas para Inclusão Digital, evidenciando um descompasso entre modernização e acessibilidade.
Pesquisadores alertam que a digitalização sem garantir conectividade adequada pode acentuar o abismo digital no Brasil, sugerindo que investimentos em infraestrutura de internet devem acompanhar a modernização dos serviços.
São Paulo - As constantes queixas de pessoas idosas sobre dificuldades de tentar acessar o gov.br ou fazer a biometria do INSS levantam um questionamento: para quem são estes serviços? Os planos de governo dos candidatos à presidência apontam uma predileção da digitalização sobre a acessibilidade.
De acordo com um estudo Centro de Estratégia & Regulação - Reglab somado de informações coletadas pelo VIVA, fica evidente a preferência de destinação dos investimentos em tecnologia nas propostas dos candidatos para Inteligência Artificial e data centers. Já iniciativas de letramento digital e educação para o uso dos serviços digitais não são tão frequentes nos programas de governo.
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Entenda o levantamento
O Reglab fez um estudo sobre as propostas dos cinco candidatos com maior intenção de votos e as separou em 34 temas de cinco eixos:
- Inclusão digital;
- Fomento à ciência,
- Tecnologia e inovação (CT&I);
- Empreendedorismo e startups;
- Governo digital;
- Regulação de novas tecnologias.
A pesquisa da Reglab inclui as candidaturas que alcançaram 2,0% ou mais das intenções de voto no levantamento Genial/Quaest divulgado em 5 de agosto de 2026. Desta forma, as propostas dos seguintes candidatos foram estudadas:
- Flávio Bolsonaro (PL)
- Lula (PT)
- Renan Santos (Missão)
- Romeu Zema (Novo)
- Ronaldo Caiado (PSD)
Quais as propostas para IA e data centers?
Romeu Zema (Novo), Flávio Bolsonaro (PL) e Renan Santos (Missão) focam em condições para que terceiros instalem infraestrutura no País, como incentivo fiscal, energia barata, território e desburocratização.
Já Ronaldo Caiado (PSD) e Lula (PT) focam em aprimorar a cadeia de produção do Brasil, propondo investimento em semicondutores e proteção da soberania nacional, respectivamente.
A Inteligência Artificial foi o conceito mais citado dentro dos planos, e também um dos mais divergentes. Apenas três tratam formalmente da regulação: Lula, Caiado e Zema.
O atual presidente propõe a criação do Centro Nacional de Transparência Algorítmica. Caiado defende um marco legal baseado no uso, no dano e no risco concreto. Já Zema defende evitar uma regulação ampla e precoce.
Flávio Bolsonaro e Renan Santos tratam da IA como instrumento, sem propor regulações específicas.
A pesquisadora do Reglab Natalia Ribeiro explica que essas tendêncais fazem parte de uma agenda global de investimento em IA. Segundo ela, a dificuldade em se criar regras específicas é partilhada com outros países.
A regulamentação vai ajudar, mas públicos específicos têm necessidades específicas. É muito difícil você ficar regulamentando tantas particularidades"
Natalia Ribeiro, pesquisadora do Reglab
Serviços digitais e a falta de acessibilidade
A maior preocupação no conjunto das propostas está no desequilíbrio entre a modernização do Estado e inclusão digital. O tema de Governo Digital esteve presente nos 5 planos analisados pela Reglab, com 48 propostas, sendo 22 apenas de Serviços ao Cidadão. Em comparação, todo o eixo de Inclusão Digital teve apenas 30 propostas.
O estudo compara este resultado com a pesquisa TIC Domicílios, do Cetic.br, na qual 3 a cada 10 brasileiros estão nos indicadores mais baixos de conectividade.
Segundo a diretora de pesquisa e operações do Reglab, Marina Garrote, digitalizar serviços públicos gera resultados diretos e em curto prazo; mas esse investimento deve vir junto com a conectividade significativa.
Trazer cada vez mais serviços para o mundo virtual, mas sem garantir acesso de qualidade e pessoas digitalmente letradas, apenas aumenta o abismo digital do Brasil”
Marina Garrote, diretora de pesquisa e operações Reglab
*Estagiário sob supervisão de Luana Pavani
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