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Por que o reconhecimento facial do Gov.br falha tanto? Entenda erros

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O Gov.br não possui um banco de dados de rostos próprio. Ele verifica a foto tirada contra registros de outras bases, como o TSE, Senatran e a nova Carteira de Identidade Nacional - Adobe Stock
O Gov.br não possui um banco de dados de rostos próprio. Ele verifica a foto tirada contra registros de outras bases, como o TSE, Senatran e a nova Carteira de Identidade Nacional
Por Emanuele Almeida

05/06/2026 | 11h09

São Paulo - O reconhecimento facial no aplicativo Gov.br tornou-se uma ferramenta indispensável para que os brasileiros acessem serviços públicos, recuperem senhas e aumentem a segurança de suas contas digitais. Apesar da conveniência, é crescente o número de queixas de usuários que não conseguem concluir o procedimento de verificação por reconhecimento facial. 

As falhas na plataforma não se resumem apenas a erros na hora de tirar a foto, mas envolvem gargalos estruturais e particularidades do próprio sistema governamental.

Particularidades do sistema do governo

O aplicativo Gov.br atende a uma escala massiva, precisando validar a identidade de milhões de cidadãos que utilizam aparelhos celulares diversos e possuem perfis diferentes. O gerente técnico da ManageEngine no Brasil, Tonimar Dal Aba explica que, para garantir a segurança da plataforma, o sistema adota uma sensibilidade antifraude altíssima.

“Como consequência, muitas vezes o algoritmo acaba rejeitando fotografias totalmente legítimas ao confundir sombras naturais ou o reflexo de lentes de óculos com tentativas de golpe”, explica o especialista. 

Além das questões de segurança, a infraestrutura tecnológica do País também impacta o sucesso da biometria. O especialista detalha que o processo sofre forte influência da rede pública. "Em muitas ocasiões, para otimizar o tráfego de dados, a rede de internet diminui a resolução da foto capturada, o que prejudica diretamente a análise e gera erros sem que o cidadão tenha feito nada de errado", adiciona.

Outro complicador apontado por Dal Aba é o volume de acessos: em momentos de pico, os servidores do governo enfrentam lentidão, o que interrompe o processo de validação por limite de tempo esgotado. 

Banco de dados

É preciso lembrar ainda que o Gov.br não possui um banco de dados de rostos próprio. Ele verifica a foto tirada contra registros de outras bases, como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) e a nova Carteira de Identidade Nacional (CIN).

Tendo em vista esse contexto, se o usuário não tiver biometria atualizada nestes órgãos, a ferramenta sequer funcionará. Há também o desafio algorítmico estrutural: a inteligência artificial tem dificuldade em lidar com a diversidade da população. 

Dal Aba reforça que o aprimoramento dos sistemas passa pela calibração contínua dos algoritmos para reconhecer a diversidade de tons de pele, visando mitigar as falhas que afetam desproporcionalmente pessoas negras e transsexuais. 

Principais erros cometidos durante o processo

Para além das limitações do sistema, a forma como a fotografia é tirada é fundamental para atingir o parâmetro mínimo de semelhança exigido pelo governo. 

Os erros mais frequentes incluem:

  • Iluminação inadequada: tirar fotos com luzes nas costas (contra a luz) cria sombras no rosto que inviabilizam a leitura. A prática correta é buscar luz natural batendo de frente para o rosto, garantindo uma face bem iluminada e um fundo uniforme;
  • Expressões faciais e posicionamento: é muito comum que os usuários sorriam para a foto, o que é um erro. Dal Aba explica que é necessário manter uma expressão neutra, sem sorrisos, para que o aplicativo consiga alinhar perfeitamente os pontos de marcação facial. O celular também deve estar rigorosamente na altura dos olhos, sem inclinações;
  • Movimentos muito rápidos: quando a plataforma pede uma prova de vida (como piscar ou virar a cabeça), fazer o movimento rapidamente gera borrões e perda de foco. Esses comandos devem ser executados de forma lenta e pausada;
  • Uso de acessórios: franjas longas, óculos de sol, chapéus e bonés escondem pontos-chave da face e bloqueiam o reconhecimento;
  • Aparência desatualizada: mudanças físicas como ganho de peso, barba, envelhecimento ou procedimentos estéticos reduzem drasticamente a capacidade do aplicativo de associar o usuário à sua foto oficial antiga.

O que fazer em caso de bloqueio?

Se após várias tentativas o cidadão não conseguir validar sua face, o sistema fará um bloqueio de segurança até o dia seguinte. Nesses casos, o Gov.br pode oferecer a validação através de impressões digitais, em que o usuário fotografa os dedos da mão com a câmera do celular para comparação com as bases oficiais. Outras rotas alternativas incluem confirmar a identidade fazendo login através do internet banking ou via certificado digital. 

Caso o problema continue, é possível encontrar um espaço credenciado no Balcão Gov.br que é um programa de atendimento presencial focado em promover a inclusão digital. Nesses pontos, o cidadão pode tirar dúvidas e ser encaminhado para algum atendimento. 

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