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Sobre a coluna

Conselheira de empresas e mentora de startups. Ex-CEO da SAP para América Latina, também ocupou cargos C-level em empresas como Philips, HP e Microsoft. É maratonista desde 2003.


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Trocando de faixa, ainda correndo, mas curtindo a paisagem

Arquivo pessoal

Cristina Palmaka, 57 anos, completou este ano sua 18ª maratona no circuito de Roma - Arquivo pessoal
Cristina Palmaka, 57 anos, completou este ano sua 18ª maratona no circuito de Roma

São Paulo - Recentemente, completei minha 18ª maratona, desta vez, em Roma. O percurso é de filme: partida do Coliseu, passando por lindas piazzas, margem do rio Tigre, Castelo Sant’Angelo e terminando em frente ao Circo Massimo, antigo circuito de corridas de biga.

No ano passado, tinha sido a vez de Paris, pouco depois de me recuperar de uma cirurgia, revezando caminhada e corrida, com paciência para aceitar e confiar na estratégia de recuperação.

Nesse período de preparo, refleti sobre como mudou minha relação com o esporte nos últimos anos. Menos focada na performance, sigo mais interessada no processo e observando como evoluo como atleta respeitando as mudanças naturais do tempo.

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Tudo isso diz muito sobre a fase atual da minha trajetória profissional. Depois de 40 anos no mundo corporativo, trabalhando em empresas de bens de consumo e tecnologia (os últimos como CEO para América Latina na SAP), tomei a decisão de encerrar esse ciclo e iniciar uma nova etapa.

Foi uma transição planejada ao longo de uma década, mas que, ainda assim, exigiu adaptação, tanto nos detalhes práticos quanto emocionalmente.

Com a mudança, abri espaço para outras dimensões da vida que antes ficavam comprimidas na agenda — o aprendizado contínuo sobre temas da espiritualidade, o convívio com a família, o cuidado com a saúde física e mental."

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Por muito tempo, minha rotina foi pautada por velocidade: agenda lotada, decisões constantes, alta exposição. Quando mais nova, eu até me orgulhava do meu multi-tasking – “pode ir falando, estou te escutando”, enquanto escrevia um email . Ao longo dos anos, reconheci que é impossível estar com a cabeça em dois lugares.

Chegou o momento em que, em vez de me perguntar “quanto mais posso fazer?”, passei a priorizar sobre “como quero fazer daqui para frente?”. Desacelerar é ajustar o ritmo para esta nova fase.

Na corrida, aprendi isso de forma muito concreta. Antes, o foco estava na performance: melhorar o tempo, superar limites, buscar evolução constante.

Com o passar dos anos, o objetivo passa a ser consistência, resistência e prazer no percurso.

Se eu insistir em correr hoje como antes, aumento o risco de me lesionar e reduzo minhas chances de completar a prova. Isso vale também para a vida profissional.

Assim como treinei para voltar a encarar as corridas de longa distância depois da cirurgia, fui me preparando para esta nova fase da minha vida profissional, agora atuando em Conselhos de Administração, como advisor de startups e participando de debates sobre temas que sempre fizeram parte da minha carreira, como governança, a formação de lideranças conscientes e sua influência em temas de inclusão e sustentabilidade e, claro, sobre os avanços da tecnologia. E este será o mote para a coluna mensal que estreio hoje aqui no VIVA.

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Sou apaixonada pelas transformações causadas pela tecnologia. Ao longo da minha carreira, acompanhei mudanças profundas no dia a dia das pessoas e empresas, aplicações que trouxeram facilidade, liberando-as de tarefas repetitivas, permitindo impactos reais, como, por exemplo, num setor que me fascina, que é a saúde. Mas também trouxeram novos dilemas sobre limites éticos e riscos de exclusão – e é sobre esse equilíbrio que quero escrever aqui.

Esse novo ritmo, no entanto, não aconteceu de forma automática. Ele exige disciplina e, principalmente, escolhas conscientes.

Sem uma estrutura externa impondo prioridades, é valiosa a decisão intencional de onde queremos colocar foco e energia e como fazer o melhor uso do nosso tempo.

Desacelerar não é entrar na Marginal Tietê e dirigir a 50 km/h enquanto todos os outros carros passam em alta velocidade. É trocar de faixa. É compreender o fluxo, ajustar a velocidade ao momento da vida e seguir em movimento, com mais consciência sobre o ritmo e o destino.

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