Saúde mental em dia: como começar terapia pelo CAPS
Foto: reprodução Prefeitura Lucas do Rio Verde
Por Joyce Canele
redacao@viva.com.brSão Paulo, 02/01/2026 - Em todo o Brasil, pessoas de todas as idades podem buscar atendimento psicológico gratuito pelo Sistema Único de Saúde. O cuidado começa, geralmente, pelos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), serviços de portas abertas criados para oferecer acompanhamento contínuo a quem enfrenta sofrimento psíquico ou problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas.
Desde a consolidação da Rede de Atenção Psicossocial do SUS, os Centros de Atenção Psicossocial, conhecidos como CAPS, tornaram-se a principal porta de entrada para quem precisa de acompanhamento em saúde mental.
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Esses serviços funcionam ao longo de todo o ano, estão espalhados por municípios de diferentes portes e integram a rede pública de saúde, em articulação com Unidades Básicas de Saúde, hospitais e serviços de urgência.
Segundo o Ministério da Saúde, o objetivo é garantir cuidado próximo do território onde a pessoa vive, evitando internações desnecessárias e promovendo acompanhamento contínuo.
Como iniciar a terapia pelo CAPS
O acesso ao CAPS pode ser feito de forma espontânea. Basta que a pessoa procure a unidade mais próxima e solicite atendimento. Não é necessário encaminhamento prévio nem pedido médico para o primeiro acolhimento.
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Também é possível chegar ao CAPS por indicação de outros serviços do SUS, como a UBS, a UPA ou hospitais gerais.
Após a chegada, a equipe realiza uma escuta inicial para compreender a demanda e definir o melhor plano de cuidado, que pode incluir psicoterapia, atendimento médico, atividades em grupo e acompanhamento social.
Tipos de CAPS e suas funções
O SUS oferece diferentes modalidades de CAPS, organizadas segundo o perfil da população e o tamanho do município.
CAPS I
Atende pessoas de todas as idades com sofrimento psíquico grave e funciona em cidades com mais de 15 mil habitantes.
CAPS II
É voltado para pessoas com transtornos mentais graves e persistentes, em municípios com mais de 70 mil habitantes.
CAPS i
É especializado no atendimento de crianças e adolescentes, também indicado para cidades com mais de 70 mil habitantes.
CAPS AD
Atende pessoas de todas as idades com problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas.
CAPS III
Oferece atenção contínua, com funcionamento 24 horas, acolhimento noturno e acompanhamento intensivo.
CAPS AD III
É destinado a casos de sofrimento psíquico intenso associado ao uso de álcool e outras drogas, com necessidade de cuidados clínicos contínuos, inclusive para crianças e adolescentes.
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Quem pode ser atendido?
Os CAPS atendem crianças, adolescentes, adultos e idosos que enfrentam sofrimento psíquico intenso, transtornos mentais graves ou persistentes, além de problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas.
O serviço é gratuito e não há exigência de vínculo empregatício, plano de saúde ou comprovação de renda.
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Em casos que exigem maior complexidade, como acolhimento residencial ou internação em hospital geral, o encaminhamento é feito pela própria rede de saúde.
Equipes especializadas
As unidades contam com equipes multiprofissionais formadas por médicos, psicólogos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais e técnicos de enfermagem.
O atendimento não se limita à consulta individual. A proposta é construir, junto com o usuário, um projeto terapêutico que leve em conta a rotina, os vínculos familiares e a vida em comunidade.
Além disso, muitos CAPS recebem residentes de diferentes áreas da saúde, ampliando a oferta de cuidado e fortalecendo a formação de profissionais para o SUS.
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Por que procurar o CAPS?
Buscar atendimento pelo CAPS é um passo importante para quem deseja cuidar da saúde mental de forma regular e integrada.
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Além de facilitar o acesso à terapia, o CAPS fortalece a autonomia do paciente e promove o cuidado em liberdade, princípio central da política de saúde mental no Brasil.
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