Tendências de RH no Brasil incluem IA e requalificação; veja relatório
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São Paulo - A velocidade das mudanças tecnológicas e legais exige respostas imediatas das organizações. De acordo com o relatório "Tendências de RH para 2026", desenvolvido pelo Pandapé, o cenário atual é marcado pela convergência de inteligência artificial, novos marcos regulatórios e uma necessidade crítica de requalificação profissional, tudo sob a sombra de uma crescente fadiga digital.
O Pandapé é um software de recrutamento e seleção (ATS), que utiliza inteligência artificial para automatizar e otimizar processos de RH, oferecendo multipublicação de vagas. O estudo foi elaborado pelo seu time de conteúdo utilizando como base análises e dados de instituições como Gartner, Fórum Econômico Mundial, LinkedIn, McKinsey, Deloitte e ManpowerGroup e reúne interpretações e recortes sobre as forças que devem influenciar o trabalho no Brasil no próximo ano.
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Para Patricia Suzuki, CHRO da Redarbor Brasil – grupo que detém o Pandapé –, os ajustes superficiais feitos nos últimos anos já não são suficientes.
Hoje, temas como tecnologia, dados, qualificação e saúde mental ganharam urgência simultânea", afirma a executiva.
Ela defende que o setor de Recursos Humanos precisa realizar movimentos estruturais, para dar conta de um volume de demandas que já está na mesa dos gestores.
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Eficiência e automação
Uma das mudanças mais visíveis ocorre na estrutura das companhias. Impulsionadas pela IA, cerca de 40% das empresas devem redesenhar suas hierarquias, conforme dados da Gartner, priorizando camadas mais enxutas e maior autonomia para as equipes.
Nesse contexto, a automação deixa de ser uma aposta de inovação para se tornar uma necessidade básica. Suzuki reforça que a tecnologia agora é um "requisito operacional" para garantir a agilidade nas decisões.
Essa transformação tecnológica impacta diretamente o perfil das contratações. Dados do LinkedIn indicam que os recrutadores estão trocando o foco no histórico formal do currículo pela análise de competências reais e atributos comportamentais.
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Para acompanhar esse ritmo, o RH assume um papel mais técnico e analítico, sendo pressionado a antecipar riscos de turnover e lacunas de habilidades com uma visão clara do negócio e de seus impactos financeiros.
Requalificação e saúde mental
Com a estimativa do Fórum Econômico Mundial de que 59% dos profissionais precisarão de novas competências até 2030, a capacitação deixa de ser uma ação pontual para se tornar uma trilha integrada ao dia a dia das empresas.
Como resposta à automação, a mobilidade interna ganha protagonismo, permitindo que talentos sejam realocados dentro da própria organização, o que reduz custos e preserva a cultura corporativa.
No campo do bem-estar, a agenda de saúde mental ganha um novo peso legal. A partir de maio de 2026, a atualização da NR-1 passará a exigir o mapeamento de riscos psicossociais, como burnout e assédio.
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O tema, portanto, sai da esfera exclusiva do benefício e entra na de conformidade e gestão de riscos. Somado a isso, o combate à fadiga digital obriga as empresas a revisarem limites de disponibilidade e a desassociar produtividade de conexão permanente.
Sustentabilidade na prática
O relatório também destaca a ascensão da economia verde e do compromisso ético. A transição para modelos sustentáveis deve criar milhões de postos de trabalho, tornando as competências ligadas ao ESG (Ambiental, Social e Governança) diferenciais competitivos.
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Mais do que marketing, segundo o estudo, os profissionais agora cobram coerência entre o discurso e a prática, pressionando as empresas a incorporarem métricas de diversidade e sustentabilidade em todos os seus processos de gestão de pessoas.
Para Suzuki, o momento é um divisor de águas. "2026 vai separar organizações que se adaptam com agilidade daquelas que ainda tratam essas mudanças como tendências distantes", conclui.
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