Biometria no INSS já está valendo; confira o calendário
Adobe Stock
19/01/2026 | 16h02
São Paulo, 19/01/2026 – A exigência da biometria para concessão de novos benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) já está em vigor, como medida para fortalecer a segurança das operações, frente às fraudes que assolaram o instituto em 2025.
Em entrevista exclusiva ao VIVA Notícias, o presidente da autarquia, Gilberto Waller Júnior, defendeu que a mudança não prejudicará os segurados. "Quando dizem 'você tem que fazer a biometria, senão vão cassar ou tirar seu benefício', isso não é verdade. Isso não acontece e não vai acontecer. Essa base biométrica está sendo preparada pouco a pouco", explica. Ela entrou em vigor em novembro último.
Leia também: VIVA Responde: presidente do INSS tira dúvidas sobre fraudes e segurança
Para difundir o cadastro biométrico, o INSS passa por um período de transição, que se encerra em janeiro de 2027. No momento, as pessoas interessadas em solicitar benefícios programados – como aposentadoria por idade ou por tempo de contribuição – precisam estar com os dados atualizados em pelo menos um dos três principais bancos de dados públicos do País; são eles:
- Carteira de Identidade Nacional (CIN);
- Carteira Nacional de Habilitação (CNH);
- Título de Eleitor.
A partir de 1º de maio será exigido que os novos segurados emitam a Carteira de Identidade Nacional (CIN), caso não tenham biometria cadastrada em um dos três bancos de dados. As regras também passarão a valer nessa data para benefícios de risco, não voluntários, como o auxílio-doença, pensão por morte e a aposentadoria por invalidez.
Somente em 2027, a partir do dia 1º, a CIN se tornará o único documento com biometria aceito para todos os pedidos e manutenções de benefícios do INSS. Até então, as regras valem apenas para novas concessões.
"Se você já possui um benefício previdenciário, tem tranquilamente um ano para cadastrar sua biometria e não ter problema algum em janeiro de 2027. Não precisa correr, você tem um ano inteiro", esclarece o presidente.
O que é a biometria?
A biometria, comum em operações bancárias, utiliza características biológicas – impressão digital ou reconhecimento facial – para identificar pessoas. A exigência no INSS acrescenta uma camada de segurança e evita cadastros duplicados e fraudes.
Hoje, o procedimento já é exigido para crédito consignado e pode ser feito pelo aplicativo "Meu INSS", tanto pela câmera frontal quanto pela traseira, o que facilita o auxílio de terceiros a pessoas idosas durante a etapa.
Leia também: Crédito consignado: entenda como fazer o desbloqueio da biometria
"É importante salientar uma questão sobre a base cadastral, pois muita gente confunde: acha que a biometria [do INSS] é aquela feita no celular, enviando uma foto. Não. A biometria utilizada no INSS é checada. Quando o cidadão faz a captura da imagem para entrar com um pedido, ela é verificada em uma base de dados governamental", detalha Waller Júnior.
Por que implementar essa mudança?
A biometria vem sendo adotada em operações ligadas ao INSS, como benefícios sociais e crédito consignado, para fortalecer a segurança dos segurados.
As investigações da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU) apontam que a fraude que ganhou proporções nacionais em 2025, após a deflagração da Operação Sem Desconto, foi responsável pelo desvio de R$ 6,3 bilhões de aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024, por meio de descontos associativos não autorizados. No entanto, o INSS estima que o prejuízo não ultrapassou R$ 3,5 bilhões; entenda clicando aqui.
Leia também: Fraude no INSS vai completar 9 meses; veja o que se sabe até agora
Quais grupos não precisam cadastrar a biometria agora?
Quem já recebe algum benefício não precisa, por enquanto, registrar a biometria, mas o INSS recomenda que os segurados mantenham as informações atualizadas desde agora. Ficam dispensados, enquanto o governo não oferece alternativas acessíveis:
- Pessoas com mais de 80 anos;
- Pessoas com dificuldade de deslocamento por motivo de saúde (com comprovação);
- Moradores de áreas de difícil acesso, como comunidades ribeirinhas atendidas pelo PREVBarco;
- Migrantes em situação de refúgio e apátridas;
- Residentes no exterior.
Comentários
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.
