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'O nosso único lado tem que ser o do segurado', defende presidente do INSS

Arquivo/Divulgação/INSS

O presidente classificou a gestão anterior como uma “vergonha” e sinalizou que o INSS vive um momento decisivo de “pente-fino” - Arquivo/Divulgação/INSS
O presidente classificou a gestão anterior como uma “vergonha” e sinalizou que o INSS vive um momento decisivo de “pente-fino”
Por Marcel Naves,  Paula Bulka Durães

16/01/2026 | 09h05 ● Atualizado | 09h06

São Paulo, 16/01/2026 – Em conversa exclusiva com o VIVA Notícias, o presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Gilberto Waller Júnior, detalhou as ações do instituto no combate à fraude que atingiu aposentados durante quatro anos, revelada pela Operação Sem Desconto da Polícia Federal (PF) e Controladoria-Geral da União (CGU) em 2025.

Ex-procurador federal da Advocacia-Geral da União (AGU), Waller Júnior foi nomeado para o cargo em abril, depois da exoneração do presidente Alessandro Stefanutto, preso preventivamente pela PF e apontado como o facilitador institucional que viabilizou a fraude.

Leia também: VIVA Responde: Presidente INSS esclarece dúvidas sobre fraudes e segurança

Durante a entrevista, o presidente da autarquia classificou a gestão anterior como uma “vergonha” e sinalizou que o INSS vive um momento decisivo de “pente-fino” e reestruturação. Uma das prioridades para 2026, de acordo com Waller Júnior, será reduzir a fila crescente de pedidos de benefícios como aposentadoria e BPC, que, em novembro do ano passado, atingiu o recorde histórico de 2,9 milhões.

Questionado sobre possível pressão política nos bastidores, o presidente disse receber apoio do governo federal e defendeu que o único compromisso do INSS deve ser com o segurado, independentemente do partido no poder.

O lado que o INSS, o Ministério e o governo têm que ter é o lado que o presidente da República determinou para a gente: o lado do nosso aposentado e pensionista.”

Confira os principais destaques da conversa, que também abordou as novas regras da biometria e o combate aos golpes financeiros que atingem beneficiários.

VIVA: O prazo para o aposentado contestar os descontos indevidos termina em 14 de fevereiro. Existe a possibilidade de uma nova prorrogação?

Gilberto Waller Júnior: A ideia é que não seja prorrogado. Nós já estamos com o processo que era de seis meses e prorrogamos por mais 90 dias, terminando dia 14 de fevereiro. O que a gente vem acompanhando é que restaram poucas pessoas para fazer esse requerimento. Tivemos 6,2 milhões de pessoas que fizeram o pedido, de um total estimado de 9,3 milhões. Como acreditamos que não seja o caso de 100% dos descontos associativos serem fraudados, achamos que já chegamos no nosso limite.

A Operação Sem Desconto estimava, no início, um prejuízo de R$ 6,3 bilhões, mas o INSS devolveu até agora R$ 2,8 bilhões a aposentados e pensionistas. Por que essa diferença?

Quando a operação foi deflagrada [pela PF e a CGU], projetaram que 4,1 milhões de pessoas teriam sido atingidas e multiplicaram o desconto máximo [R$ 70] por cinco anos. Mas, ao analisarmos a fraude, vimos que o maior número de golpes não foi feito cobrando o valor máximo. Para passar sem o segurado perceber, as instituições fantasmas cobravam R$ 20. Além disso, a maioria operou por um ano e meio ou dois anos, e não cinco. Por isso o cálculo inicial não bateu. Hoje, já pagamos R$ 2,8 bilhões a 4,2 milhões de pessoas. O ressarcimento é integral, corrigido e sem um centavo de desconto.

Leia também: Fraude no INSS: prazo para contestar descontos está acabando

Qual a orientação para quem ainda não contestou ou pediu adesão ao acordo?

Se você está na dúvida se foi descontado ou não, faça o requerimento pelo canal 135, pelo aplicativo "Meu INSS" ou numa agência dos Correios. É um requerimento fácil, você não precisa juntar documento algum, basta falar que não autoriza aquilo. Para quem já questionou e passou o prazo de adesão, volte ao aplicativo e sinalize que quer receber o valor. Em três dias úteis o dinheiro está na conta em que recebe o benefício.

Além dos descontos associativos, muitos segurados sofrem golpes digitais. O que o INSS tem feito para protegê-los?

O nosso segurado é uma pessoa hipervulnerável, seja por doença, idade ou luto. Lançamos em dezembro o programa "Proteja INSS", em que monitoramos redes sociais e atuamos junto à procuradoria para tirar páginas fraudulentas do ar. É importante salientar: o INSS nunca vai à sua casa, nunca manda você assinar documento e nunca manda link pedindo para cadastrar dados. Se houver contato, será para informar algo, sem necessidade de você entregar qualquer informação sua.

O Presidente do INSS Gilberto Waller Jr. participa de coletiva
Arquivo/Divulgação - INSS

Como o senhor avalia a gestão anterior diante dos escândalos de corrupção?

É uma situação que envergonha a todos nós. Quando cheguei aqui, os servidores tinham vergonha de usar o crachá do INSS. O ex-presidente, o secretário executivo e outros diretores foram presos por fraude. Roubaram pessoas hipossuficientes para andar de Porsche, para ter apartamento de luxo. Isso é de uma mesquinhez absurda.

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Estamos passando um pente-fino em todos os contratos e atos do INSS. O presidente da República sancionou a lei que proíbe desconto associativo direto no contracheque; agora, se quiser se associar, o aposentado paga por boleto ou outra forma.

Muitas pessoas idosas ainda têm dificuldade com tecnologia. Como garantir atendimento a quem não usa o aplicativo?

Na verdade, o INSS cometeu uma grande falha nos últimos anos: pensou que poderia ser 100% digital. Fechamos agências imaginando que nosso público fosse igual ao da Receita Federal, mas grande parte dos nossos segurados têm dificuldade, seja por equipamentos obsoletos ou falta de conhecimento.”

Meus pais, por exemplo, adoram ir à agência e ter o "olho no olho". O que estamos fazendo? Reabrindo agências e lançando projetos de "autoatendimento dirigido", onde o segurado usa o computador do INSS assessorado por um servidor. A ideia é expandir isso para todas as capitais.

A fila de espera em novembro de 2025 chegou a 2,9 milhões de pedidos. Qual a estratégia para 2026?

Esse é um problema prioritário. A fila cresceu 30 % no ano passado e houve entraves pontuais, como a adaptação do sistema para o BPC [Benefício de Prestação Continuada], que represou 600 mil pedidos. Entre janeiro e fevereiro, esperamos conceder mais de 200 mil benefícios que estavam parados. Estamos enfrentando o problema com a posse de novos médicos-peritos e a criação de uma fila nacional. Antes, a análise era regional; agora distribuímos processos para onde há servidores disponíveis, priorizando incapacidade e aposentadoria.

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Está circulando na internet muita informação confusa sobre biometria obrigatória para beneficiários. Quem precisa fazer e qual é o prazo?

Muita gente acha que a biometria é aquela foto que fazemos no celular, mas não. A biometria é checada nas bases de dados governamentais – TSE, CNH ou Carteira de Identidade Nacional. Desde novembro, novos pedidos de aposentadoria já exigem isso. A partir de maio, a exigência valerá para pensão por morte e auxílio-doença. Para quem já recebe benefício, a exigência será apenas em janeiro de 2027.

Então, quem já é aposentado tem um ano inteiro, não precisa correr achando que vão cortar o benefício agora. Nenhum segurado terá a aposentadoria cancelada por conta da biometria, isso não acontece e não vai acontecer.”

Haverá uma paralisação de três dias nos sistemas do INSS. Por que essa decisão? Isso pode se repetir?

O sistema gerido pela Dataprev era muito precário, algo impensável para o poder público. Estamos fazendo a maior atualização sistêmica da história do INSS para que não ocorram mais quedas constantes. Precisamos de janelas de manutenção de três dias para essa migração, mas o objetivo é modernizar para que o cidadão não fique sem sistema na agência ou no aplicativo.

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Existe pressão política partidária sobre a sua gestão?

Vou ser bem sincero: o que tenho recebido é apoio do governo. Conseguimos junto à Casa Civil e ao Ministério da Fazenda recursos que jamais tínhamos visto, como R$ 200 milhões no final do ano passado para quitar contas e manter agências abertas. O nosso único lado tem que ser o do segurado.

O lado que o INSS, o Ministério e o governo têm que ter é o lado que o presidente da República determinou para a gente: o lado do nosso aposentado e pensionista. O objetivo é trazer a confiança no INSS de volta e garantir que o partido A, B ou C compartilhe desse interesse. O beneficiário tem que ter a ciência de que aquele recurso, com o qual ele contribuiu com tanto suor, está sendo bem gerido. É isso que esperamos.

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