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Brasil registra cinco processos por dia por estelionato contra idosos

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No Brasil idosos se tornam as principais vitimas do crime de estelionato - Adobe Stock
No Brasil idosos se tornam as principais vitimas do crime de estelionato
Por Marcel Naves

01/07/2026 | 20h55

São Paulo - O avanço da criminalidade digital no Brasil encontrou na população idosa um de seus alvos mais frequentes. Dados consolidados pela plataforma de análise jurídica Escavador revelam que o país registra, em média, cinco novos processos judiciais por estelionato contra idosos a cada 24 horas.

O levantamento, que compreende o período entre janeiro de 2023 e o final de maio de 2026 indica um crescimento sustentado do crime de estelionato (Artigo 171 do Código Penal) direcionado ao público com mais de 60 anos na última década.

  • 2023: O período inicial da análise identificou 1.100 processos.
  • 2024: Registrou um incremento moderado, encerrando com 1.300 ações.
  • 2025: Apresentou o ápice do período histórico, com 1.700 denúncias protocoladas.
  • 2026 (Até maio): A Justiça já notificou 748 novos processos — o equivalente a 41,7% de todo o volume registrado no ano anterior.

A falsa engenharia social

A principal arma dos estelionatários não reside na invasão técnica de sistemas bancários, mas na manipulação psicológica. Segundo a coordenadora jurídica do  Escavador, Dalila Pinheiro, os criminosos estruturam abordagens telefônicas ou digitais.

Os golpistas entram em contato simulando o tom de urgência de gerentes de banco ou de equipes de prevenção a fraudes. O uso de dados primários vazados, como o CPF da vítima, confere forte credibilidade à abordagem. Diante do susto de uma suposta compra indevida, o idoso acaba induzido ao erro."

O monitoramento do Escavador destaca ainda a sofisticação das quadrilhas, que já utilizam inteligência artificial para replicar faces em videochamadas, além de falsos links de Pix, clonagem de voz e golpes estruturados como o do falso parente ou de empréstimos consignados fraudulentos.

Bahia e Minas Gerais lideram processos

O Estado da Bahia lidera o ranking de litigiosidade do período (2023–2026), acumulando 580 denúncias, seguido de perto por Minas Gerais e São Paulo. Na outra ponta da tabela, o Acre apresenta o menor índice de judicialização, com apenas três registros oficiais.

Ranking de processos por Estado  (2023 - Maio/2026)

  • Bahia (BA) - 580
  • Minas Gerais (MG) - 542
  • São Paulo (SP) - 458
  • Paraná (PR) - 432
  • Rio de Janeiro (RJ) - 329
  • Piauí (PI) - 316
  • Santa Catarina (SC) -273
  • Mato Grosso do Sul (MS) - 233
  • Ceará (CE) - 207

O levantamento aponta ainda Goiás com 193 casos, Rio Grande do Sul com 175, Sergipe com 133, Pará com 127, Paraíba com 67, Alagoas com 66, Amazonas com 60, Espírito Santo com 58, Distrito Federal e Tocantins com 53 cada, Amapá com 43, Mato Grosso com 18, Maranhão com 14, Rio Grande do Norte com 13 e Pernambuco com 5).

Infrações ultrapassam 29 mil casos 

O levantamento do Escavador aponta que as ações fundamentadas em crimes previstos no Estatuto do Idoso já somam 29 mil processos em andamento no Brasil, mantendo um ritmo severo que supera 8,5 mil novos litígios por ano.

Para a coordenadora jurídica do Escavador, o envelhecimento demográfico do País impõe uma revisão urgente nas políticas de segurança pública e governança digital.

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