'Ele escolheu me chamar de mãe': 50+ adota menino que cria desde bebê
Acervo pessoal / Noemi Gonçalves
São Paulo - Noemi Gonçalves, de 58 anos, acredita que o filho "veio" para ela. Ela pediu pela adoção unilateral da criança, que é filho biológico do marido dela e mora com eles desde pequeno. Com poucos meses, ela já tinha assumido todas as responsabilidades e amores da maternidade, e decidiu adotar a criança.
Ele escolheu me chamar de mãe. Acho que o amor é convivência, não é sangue", afirmou.
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Ela e o marido estavam separados quando ele engravidou outra mulher. Meses depois, quando o bebê nasceu, já tinham reatado o casamento. M. tinha 15 dias de vida quando começou a frequentar a casa de Noemi.
No começo, eram pequenas visitas. Com um ano de idade, ele já ficava todo o final de semana, até cinco dias seguidos. "Eu nunca escondi dele dele que ele tinha duas mães, mas duas casas ele nunca teve", disse.
Foi de Noemi a ideia de pedir a guarda dele quando ele tinha cerca de 8 meses, já que Miguel passava mais tempo com ela e o pai do que com a mãe biológica. "E lógico que eu fui pegando amor", contou.
A guarda compartilhada era no nome do pai dele e no nome da mãe biológica. Só que toda vida quem cuidou fui eu, quem criou fui eu. Toda vida fui eu", disse.
Processo de adoção
Inicialmente, a guarda era compartilhada, mas a criança continuava ficando mais tempo com Noemi. Quando M. tinha sete anos, ela escolheu pedir a adoção unilateral e iniciar o processo no Cartório de Registro Civil para oficializar a maternidade. Hoje, ele tem os nomes das duas mães na certidão.
A maternidade socioafetiva é reconhecida legalmente e a criança tem os mesmos direitos legais dos filhos biológicos (herança, direito a alimentos e inclusão de sobrenome) e as mesmas obrigações (cuidar da mãe na velhice, por exemplo). Para isso, caso os pais biológicos não aceitem a adoção, é preciso da decisão de um juíz.
Para Noemi, o essencial não era o nome dela no documento, mas a opção de poder tomar decisões sobre o filho, como matrícula de escola ou viagens, que exigiam a assinatura dos pais.
"Eu já era a mãe dele, então, para mim o papel não significava nada. Mas para poder tomar decisões sobre ele e, lógico, para segurança dele. Colocando meu nome nos documentos, ele passa a ter direito a tudo", disse.
Maternidade 50+
Quando M., hoje com 11 anos, "chegou", como Noemi diz, as filhas dela já eram adultas e ela se aproximava dos 50. "Eu comecei do zero, voltei para o zero. Tanto para um bebê, quanto para a escola, para tudo. O mundo mudou muito da época delas para agora. É diferente, mas o amor é o mesmo", disse.
Segundo ela, o "pique" é a maior diferença entre as maternidade. São 27 anos de diferença entre a filha mais velha e M.. Mesmo com idades distantes, a relação dos três irmãos é de criança: "Dentro de casa todo mundo tem 10", brinca.
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