Como engravidar depois dos 50 anos? Entenda riscos, chances e alternativas
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São Paulo - A maternidade depois dos 50 anos tem ganhado diferentes formas, seja naturalmente, por adoção ou com ajuda da medicina reprodutiva. Mas, apesar dos casos divulgados, especialistas em reprodução assistida alertam que engravidar nessa idade e depois da menopausa não é comum nem simples.
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Segundo a médica Thaís Domingues, da Huntington Medicina Reprodutiva, a fertilidade feminina sofre uma queda significativa antes mesmo da menopausa, e isso impacta diretamente as chances de gravidez.
Ou seja, é possível engravidar após os 50, mas é muito difícil. Isso porque, segundo Domingues, cerca de cinco anos antes da menopausa as chances de conseguir engravidar já começam a cair. No Brasil, cerca de 30 milhões de mulheres vivem a menopausa, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Após o fim da menstruação, que costuma ocorrer entre os 45 e 55 anos, a gestação espontânea se torna praticamente inviável, já que os óvulos se esgotam. Por isso, quem deseja engravidar nessa idade busca tratamento de reprodução assistida.
Fertilização após os 50: como funciona?
A principal alternativa para mulheres acima dos 50 anos é a fertilização in vitro (FIV). Ela pode ser feita com óvulos próprios, no caso de mulheres que já passaram da menopausa, se tiverem sido congelados; ou com óvulos doados. Também podem ser fecundados com um sêmen específico ou sêmen doador.
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Após os 50, os médicos recomendam usar óvulos doados, porque a qualidade dos óvulos diminui com a idade. Nesse cenário, as chances de sucesso não estão relacionadas à idade da mulher que irá gestar, mas sim à idade da doadora no momento da coleta dos óvulos.
“A mulher que recebe o óvulo vai ter a mesma chance de engravidar que aquela mulher que deu o óvulo. Então, se ela receber o óvulo de uma mulher de 25 anos, ela vai ter a chance de uma mulher de 25 anos de engravidar”, afirmou a médica.
Com a ovodoação, os óvulos doados são fertilizados em laboratório e o embrião é transferido para o útero da paciente, que pode levar a gestação normalmente, mesmo já estando na menopausa. Segundo a médica, apesar da interrupção da produção de óvulos, o útero continua apto para receber uma gestação com o preparo hormonal adequado.
A doação de óvulos é anônima e voluntária, e todo o processo segue critérios médicos rigorosos, com avaliação clínica, genética e acompanhamento especializado. A doadora não possui vínculo legal ou parental com o bebê.
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De acordo com o Conselho Federal de Medicina, a recomendação é que a idade-limite para a FIV seja 50 anos. Mas Domingues ressalta que não se trata de uma proibição e que cada caso deve ser avaliado individualmente, considerando o estado de saúde da mulher e o acompanhamento médico adequado. Há atualmente diversos casos de mulheres acima dessa idade que foram autorizadas a fazer o procedimento.
Por que a gravidez natural é tão difícil?
O principal fator é o envelhecimento dos óvulos, que aumenta o risco de alterações cromossômicas. Entre os impactos estão:
- Maior risco de aborto.
- Aumento da chance de síndromes genéticas.
- Dificuldade maior para engravidar.
Além disso, a quantidade de óvulos também diminui drasticamente com o tempo. Enquanto uma mulher de 30 anos pode ter até 15 óvulos disponíveis em um ciclo, após os 40 ano esse número pode cair para dois ou três, segundo Domingues.
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Quais são os riscos para a mãe e para o bebê?
Os riscos na gestação aumentam progressivamente a partir dos 35 anos e se intensificam após os 40. Entre os principais estão:
- Pré-eclâmpsia (pressão alta na gravidez).
- Diabetes gestacional.
- Parto prematuro.
Os riscos também existem para o bebê, principalmente ligados à prematuridade. Entre as possíveis complicações estão:
- Nascimento antes do tempo.
- Baixo crescimento fetal.
- Sofrimento fetal.
- Alterações associadas a complicações da gestação.
Mesmo assim, a médica ginecologista Ana Maria Passos, especialista em saúde da mulher 40+, destaca que os riscos para a mãe estão mais atrelados a como ela cuidou da saúde ao longo de toda a vida do que ao procedimento em si.
Se não for uma mulher inflamada, com sobrepeso ou obesidade, com alto estresse oxidativo, se estiver bem nutrida e sem deficiências nutricionais, tem tudo para conseguir ter uma gestação tranquila."
Passos também pontua que, para o bebê, os riscos costumam estar relacionados à qualidade do óvulo e não à idade de quem gesta.
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Fertilização é planejamento ou solução?
A médica Thaís Domingues explica que há uma diferença importante entre planejamento e tratamento. “O planejamento é quando a mulher ainda pode decidir, por exemplo, congelar óvulos aos 30 anos. Depois dos 45, não é mais planejamento, é tratar uma situação”, pontua.
Muitas vezes, a decisão de engravidar nessa fase está ligada a mudanças de vida, como novos relacionamentos ou perdas familiares, destaca a médica. Ela diz ainda que as pacientes com mais de 50 anos representam uma parcela pequena nos consultórios de fertilização.
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O que considerar antes de tentar?
Para mulheres acima dos 50 anos, o acompanhamento precisa ser rigoroso e multidisciplinar, incluindo:
- Avaliação clínica completa.
- Acompanhamento com obstetra de alto risco.
- Suporte nutricional.
- Orientação para atividade física.
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