Ator Juliano Cazarré debate masculinidade com psicanalista e cria polemica
Estevam Avellar / TV Globo
São Paulo - O ator Juliano Cazarré, de 45 anos, participou do programa GloboNews Debate desta terça-feira, 12, e discutiu seu novo curso, chamado de O Farol e a Forja, um evento que, segundo ele, é voltado para "fortalecer homens enfraquecidos" e acontecerá ao longo de três dias em São Paulo.
O ator participou do programa ao lado da psicanalista Vera Iaconelli e de Ismael dos Anjos, consultor de equidade de gênero e raça. Os debates geraram repercussão nas redes sociais.
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Durante o programa, apresentado por Julia Duailibi, Cazarré afirmou que homens são colocados no centro de discursos negativos apenas por serem homens, e rebateu críticas feitas ao seu projeto. Ele descarta que o curso faça apologia ao ódio contra mulheres. Segundo ele, seu curso quer formar "homens que sirvam".
Homem problema
"O homem que não sabe resolver um problema é um problema (...) Não entendi até agora por que as primeiras críticas que fizeram associaram o curso de homens a matar mais mulheres, a um discurso que mata mulheres. Não consigo ver a associação", afirmou.
E acrescentou: "A minha vontade de juntar muitos homens para conversar sobre nosso papel é falar de saúde masculina, reposição hormonal, dieta, como estar presente em casa, como ajudar nossas mulheres a serem mais livres. Não sou masculinista. Para os red pills, eu sou o ser mais abjeto do mundo".
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Segundo Iaconelli, a polêmica foi grande porque há uma forte discussão sobre o que é ser homem atualmente.
"O lugar de poder que eles estão nos afeta imediatamente. Vivemos uma situação em que homens e mulheres sofrem muito; é uma sociedade muito adoecida. Mas as mulheres, além disso, têm outro problema, que são os homens. Que as matam, querem governar seus corpos. O que os homens fazem ou deixam de fazer nos afeta diretamente e estamos pensando em como lidar com essa epidemia de morte. É difícil pensar em um homem que nos protege quando são os homens que nos atacam", disse ela.
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Já Ismael dos Anjos, coordenador do projeto "O Silêncio dos Homens", disse que não há debate sobre masculinidade sem ouvir outros grupos.
"Há muitos anos, temos pesquisadores e pesquisadoras debruçados sobre a pesquisa da masculinidade em um contexto político", contextualizou. "Nós falamos a partir da conversa com movimentos de mulheres, com outros grupos minorizados, como pessoas negras e pessoas LGBTQIAPN+. Então, não tem como falar de um movimento de homens que realmente queira mudar questões sociais se a gente não estiver em diálogo."
Violência contra a mulher
Em outro momento que gerou intensos debates nas redes, Cazarré afirmou que "mais mulheres matam homens" do que homens matam mulheres.
Ao discutir o seu evento, ele que as palestras estão divididas em três segmentos, sendo o último sobre vida religiosa. Neste ponto, passou a falar sobre a onda de violência.
"Acho que grande parte dessa onda de violência que a gente vive, que não é só contra a mulher... o Brasil é um País violento contra homens, contra negros, contra brancos, contra crianças, contra idosos, é o País que mais mata no mundo. E mata muito homem, né? Inclusive, mais mulheres mataram homens do que homens mataram mulheres", declarou. "Há 2,5 mil homens assassinados por mulheres no período em que tivemos 1,5 mil mulheres assassinadas por homens."
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Neste ponto, Iaconelli disse que desconhece estes números e Anjos interrompeu para corrigir os dados. "Estamos falando de feminicídio, é diferente. É importante distinguir que são 1,5 mil feminicídios. Feminicídio é um tipo de crime específico, que é quando uma mulher morre vítima por ser mulher. Quando ela é morta porque não aceitou separação, porque o marido quer um controle sobre o corpo dela. Não quer dizer que foram só 1.500 mulheres mortas no ano passado, não, tá?"
Em seguida, Cazarré pergunta se crime passional é considerado feminicídio, e os outros participantes do programa explicam que o termo não é mais utilizado.
Participação polêmica
O trecho viralizou nas redes sociais e gerou uma nova onda de críticas a Juliano Cazarré. No X, antigo Twitter, internautas condenaram as falas do ator - que, em determinados momentos, compartilhou informações falsas sobre educação sexual e violência contra a mulher.
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