Facebook Viva Youtube Viva Instagram Viva Linkedin Viva

OMS diz não haver indícios de surto maior de hantavírus após cruzeiro

Reprodução/Antarctica Cruises

Países que receberam os passageiros do cruzeiro serão responsáveis pelo monitoramento dos contatos - Reprodução/Antarctica Cruises
Países que receberam os passageiros do cruzeiro serão responsáveis pelo monitoramento dos contatos
Por Estadão Conteúdo

13/05/2026 | 19h29

São Paulo – O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que não há indícios de um surto maior de hantavírus após os casos registrados a bordo de um navio de cruzeiro que viajava pelo Oceano Atlântico. O comunicado foi feito em Madri, na Espanha, nesta terça-feira, 12, onde parte dos passageiros desembarcou.

Não há indícios de que estejamos diante do início de um surto maior. Mas a situação pode mudar e, devido ao longo período de incubação do vírus, é possível que novos casos sejam identificados na próxima semana", ponderou Tedros.

Leia também: MG confirma 1ª morte por hantavirose em 2026; caso é isolado no País

Mortes e casos confirmados no MV Hondius

O surto foi identificado no navio MV Hondius, que saiu da Argentina com destino a Cabo Verde. Um casal holandês e um homem alemão morreram após serem infectados pela cepa Andes do hantavírus, a única conhecida por ser transmissível entre humanos.

Segundo a OMS, sete casos da variante foram confirmados até o momento, além de um caso provável que está em análise. Entre os infectados estão também um francês e um norte-americano.

Leia tambémPrimeiro avião com passageiros de cruzeiro com hantavírus decola para Madri

Autoridades informaram que o paciente francês foi encaminhado para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) com um quadro cardiopulmonar grave.

Um dos 14 passageiros espanhóis evacuados do navio também testou positivo para a doença. Todos permanecem em quarentena em um hospital militar em Madri.

"O paciente apresentou febre baixa e sintomas respiratórios leves, mas permanece estável e sem sinais de piora clínica", informaram autoridades espanholas.

Leia tambémMinistério da Saúde diz que surto de hantavírus não representa risco para o País

Repatriação e quarentena 

De acordo com Tedros, os países que receberam os repatriados serão responsáveis pelo monitoramento dos contatos e pela vigilância dos casos. A recomendação é que os passageiros permaneçam em observação por 42 dias após a última exposição ao vírus.

O diretor-geral da OMS ressaltou ainda que a repatriação dos passageiros não encerra o trabalho de vigilância epidemiológica.

Cerca de 150 passageiros e tripulantes de aproximadamente 20 países estavam a bordo do navio, que seguiu viagem rumo à sua base nos Países Baixos com capacidade reduzida, segundo informações da AFP. "Os vírus não conhecem fronteiras", afirmou Tedros.

Leia tambémOMS inicia rastreamento de passageiros de voo após morte por hantavírus

A embarcação iniciou a viagem em 1º de abril, em Ushuaia, na Argentina, e deve chegar aos Países Baixos no próximo fim de semana.

O que é o hantavírus e quais são os sintomas

O hantavírus é transmitido principalmente por roedores infectados, por meio do contato com urina, fezes e saliva desses animais. No Brasil, o primeiro registro da doença ocorreu em 1993. Desde então, o Ministério da Saúde contabilizou 2.412 casos e 926 mortes pela doença.

Atualmente, há pelo menos nove variantes do vírus identificadas em roedores silvestres no País, nenhuma delas com transmissão entre pessoas. De acordo com o infectologista Klinger Faico, membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), não há sinais de que o Brasil esteja caminhando para um surto de hantavírus.

O hantavírus não é novo para nós e circula por aqui há anos, principalmente quando falamos de exposição a roedores silvestres em áreas rurais, onde ocorre o acúmulo de poeira e fezes desses animais", afirma.

Segundo ele, atualmente existe um trabalho de vigilância, algo comum sempre que surge um novo caso que exige investigação e que pode evoluir rapidamente em alguns pacientes. "Eu diria que o foco, agora, precisa ser o monitoramento e o diagnóstico precoce especialmente das populações expostas", acrescenta o especialista.

Os sintomas mais comuns incluem:

  • febre;
  • dor de cabeça;
  • dores musculares;
  • mal-estar.

Em quadros mais graves, a doença pode evoluir para síndrome cardiopulmonar, com falta de ar, dor no peito e insuficiência respiratória.

Não existe tratamento específico para o hantavírus. O atendimento é baseado em suporte clínico e monitoramento dos sintomas.

Entre as principais medidas de prevenção recomendadas pelas autoridades de saúde estão:

  • armazenar alimentos em recipientes fechados e protegidos de roedores;
  • manter terrenos limpos e sem acúmulo de lixo;
  • realizar o descarte adequado de entulho;
  • evitar deixar ração animal exposta;
  • manter plantações afastadas das residências.

Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.

Últimas Notícias