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OMS diz não haver indícios de surto maior de hantavírus após cruzeiro

Diretor-geral da entidade alerta que a incubação pode trazer novos registros; parte dos passageiros desembarcou em Madri após casos no cruzeiro

Estadão Conteúdo

Por Estadão Conteúdo

13/05/2026 | 19h29

Reprodução/Antarctica Cruises

Países que receberam os passageiros do cruzeiro serão responsáveis pelo monitoramento dos contatos - Reprodução/Antarctica Cruises
Países que receberam os passageiros do cruzeiro serão responsáveis pelo monitoramento dos contatos
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São Paulo – O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que não há indícios de um surto maior de hantavírus após os casos registrados a bordo de um navio de cruzeiro que viajava pelo Oceano Atlântico. O comunicado foi feito em Madri, na Espanha, nesta terça-feira, 12, onde parte dos passageiros desembarcou.

Não há indícios de que estejamos diante do início de um surto maior. Mas a situação pode mudar e, devido ao longo período de incubação do vírus, é possível que novos casos sejam identificados na próxima semana", ponderou Tedros.

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Mortes e casos confirmados no MV Hondius

O surto foi identificado no navio MV Hondius, que saiu da Argentina com destino a Cabo Verde. Um casal holandês e um homem alemão morreram após serem infectados pela cepa Andes do hantavírus, a única conhecida por ser transmissível entre humanos.

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Segundo a OMS, sete casos da variante foram confirmados até o momento, além de um caso provável que está em análise. Entre os infectados estão também um francês e um norte-americano.

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Autoridades informaram que o paciente francês foi encaminhado para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) com um quadro cardiopulmonar grave.

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Um dos 14 passageiros espanhóis evacuados do navio também testou positivo para a doença. Todos permanecem em quarentena em um hospital militar em Madri.

"O paciente apresentou febre baixa e sintomas respiratórios leves, mas permanece estável e sem sinais de piora clínica", informaram autoridades espanholas.

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Repatriação e quarentena 

De acordo com Tedros, os países que receberam os repatriados serão responsáveis pelo monitoramento dos contatos e pela vigilância dos casos. A recomendação é que os passageiros permaneçam em observação por 42 dias após a última exposição ao vírus.

O diretor-geral da OMS ressaltou ainda que a repatriação dos passageiros não encerra o trabalho de vigilância epidemiológica.

Cerca de 150 passageiros e tripulantes de aproximadamente 20 países estavam a bordo do navio, que seguiu viagem rumo à sua base nos Países Baixos com capacidade reduzida, segundo informações da AFP. "Os vírus não conhecem fronteiras", afirmou Tedros.

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A embarcação iniciou a viagem em 1º de abril, em Ushuaia, na Argentina, e deve chegar aos Países Baixos no próximo fim de semana.

O que é o hantavírus e quais são os sintomas

O hantavírus é transmitido principalmente por roedores infectados, por meio do contato com urina, fezes e saliva desses animais. No Brasil, o primeiro registro da doença ocorreu em 1993. Desde então, o Ministério da Saúde contabilizou 2.412 casos e 926 mortes pela doença.

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Atualmente, há pelo menos nove variantes do vírus identificadas em roedores silvestres no País, nenhuma delas com transmissão entre pessoas. De acordo com o infectologista Klinger Faico, membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), não há sinais de que o Brasil esteja caminhando para um surto de hantavírus.

O hantavírus não é novo para nós e circula por aqui há anos, principalmente quando falamos de exposição a roedores silvestres em áreas rurais, onde ocorre o acúmulo de poeira e fezes desses animais", afirma.

Segundo ele, atualmente existe um trabalho de vigilância, algo comum sempre que surge um novo caso que exige investigação e que pode evoluir rapidamente em alguns pacientes. "Eu diria que o foco, agora, precisa ser o monitoramento e o diagnóstico precoce especialmente das populações expostas", acrescenta o especialista.

Os sintomas mais comuns incluem:

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  • febre;
  • dor de cabeça;
  • dores musculares;
  • mal-estar.

Em quadros mais graves, a doença pode evoluir para síndrome cardiopulmonar, com falta de ar, dor no peito e insuficiência respiratória.

Não existe tratamento específico para o hantavírus. O atendimento é baseado em suporte clínico e monitoramento dos sintomas.

Entre as principais medidas de prevenção recomendadas pelas autoridades de saúde estão:

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  • armazenar alimentos em recipientes fechados e protegidos de roedores;
  • manter terrenos limpos e sem acúmulo de lixo;
  • realizar o descarte adequado de entulho;
  • evitar deixar ração animal exposta;
  • manter plantações afastadas das residências.

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