CONFIRA

Patrick Stewart, astro de 'Star Trek' e 'X-Men', morre aos 86 anos

O ator britânico faleceu em sua casa em Los Angeles, cercado por familiares, após lutar contra Alzheimer e demência

Broadcast

Por Broadcast

29/10/2026 | 19h22

Reprodução/Instragran/@sirpatstew

Em 2023, Stewart se tornou autor best-seller após o lançamento de sua autobiografia, 'Making It So' - Reprodução/Instragran/@sirpatstew
Em 2023, Stewart se tornou autor best-seller após o lançamento de sua autobiografia, 'Making It So'
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Patrick Stewart, renomado ator britânico conhecido por seus papéis em 'X-Men' e 'Star Trek', faleceu aos 86 anos em sua casa em Los Angeles, após lutar contra Alzheimer e Demência com Corpos de Lewy, conforme confirmado por seus representantes.

Stewart teve uma carreira marcante, destacando-se como Jean-Luc Picard em 'Star Trek: The Next Generation' e como Charles Xavier em 'X-Men', além de uma sólida trajetória no teatro, onde conquistou prêmios e reconhecimento internacional.

Após sua morte, tributos foram prestados por familiares e amigos, que destacaram sua influência e legado nas artes, enquanto sua autobiografia, lançada em 2023, se tornou um best-seller, refletindo sua jornada de vida e carreira.

Resumo gerado por IA

São Paulo - Patrick Stewart, ator britânico conhecido pelas franquias "X-Men" e "Star Trek", morreu aos 86 nesta quarta-feira, 28. A morte do ator, que convivia com Alzheimer e Demência com Corpos de Lewy, foi confirmada por seus representantes na tarde desta quinta-feira, 29, à imprensa internacional.

"É com muita tristeza que anunciamos a morte de Sir Patrick Stewart, ontem, em sua casa em Los Angeles, sob os cuidados carinhosos de sua amada esposa Sunny, após uma curta e difícil jornada com Mal de Alzheimer e Demência com Corpos de Lewy", diz o comunicado, assinado por Kelly Bush Novak, assessora de longa data do ator.

"Ele esteve cercado pelo abraço caloroso da família e de amigos, rodeado por música ao vivo, orações, lágrimas, risos e o tipo de emoção profunda que só ele poderia inspirar após uma vida inteira de dedicação a todos nós", escreveu ela. "Para sempre guardaremos a facilidade tranquila e a reflexão em seu rosto, uma lembrança duradoura de sua graça invencível."

Do teatro para o estrelato na TV

Com longa carreira no teatro inglês, Stewart foi alçado ao estrelato ao viver Jean-Luc Picard em Star Trek: The Next Generation, exibida entre 1987 e 1994, retornando ao papel para filmes da franquia e para a série "Star Trek: Picard", que teve episódios transmitidos entre 2020 e 2023.

Em 2000, ele assumiu o papel de Charles Xavier em "X-Men", um dos filmes mais importantes da cultura pop do século, interpretando o líder mutante em mais sete filmes, incluindo "Vingadores: Doutor Destino", que chega aos cinemas em dezembro de 2026.

Outros papéis de destaque de Stewart incluem Rei Richard em "A Louca! Louca História de Robin Hood", Gurney Halleck na adaptação de 1984 de "Duna" e, mais recentemente, a ovelha Sir Ritchfield em "As Ovelhas Detetives", de 2026.

A trajetória dos palcos ao estrelato

Stewart passou mais tempo de sua carreira nos palcos do que no Instituto Xavier ou na nave USS Enterprise. Além de interpretar desde Cláudio a "Macbeth", ele frequentemente apresentava uma performance solo de "Um Conto de Natal" e fez temporadas no West End e na Broadway com as peças "Terra de Ninguém", de Harold Pinter, e "À Espera de Godot", de Samuel Beckett, em repertório ao lado de seu grande amigo Ian McKellen.

Ele alcançou algumas das melhores críticas de sua carreira quando finalmente interpretou "Macbeth" pela primeira vez. A produção, dirigida por Rupert Goold, estreou em maio de 2007 no Chichester Festival Theatre, na Inglaterra, migrou para o West End de Londres, passou pela Academia de Música do Brooklyn e chegou à Broadway em 2008.

A atuação rendeu a Stewart sua única indicação ao Prêmio Tony. O "The Times", de Londres, escreveu que seu Macbeth era "uma criação fascinante de fragilidade, apetite, egotismo e humor sombrio". O "The Daily Telegraph" afirmou que ele entregou "uma atuação verdadeiramente grandiosa", enquanto o "The New York Times" destacou a produção como "imperdível".

"Esperei quase 50 anos", disse Stewart à Associated Press, em 2008.

Aprendi o papel quando tinha 14 anos. Decorei todos os solilóquios só porque achava incríveis. E eles me gravaram na memória, então não precisei redecorar essas partes da peça -- uma bênção, já que decorar falas se tornou o verdadeiro pesadelo desta profissão.
Patrick Stewart, ator

Criado em Mirfield, em Yorkshire - uma região de classe trabalhadora no norte da Inglaterra -, o futuro comandante do século XXIV cresceu em uma casa sem banheiro interno.

Stewart entrou para um grupo de teatro amador aos 12 anos e decorava textos de Shakespeare por diversão na adolescência. Conseguiu uma bolsa de estudos na Bristol Old Vic Theatre School dando início à sua carreira como ator de composição.

Ficou calvo aos 19 anos devido à alopecia hereditária

Seu pai, um ex-sargento-mor do Exército Britânico, tinha episódios de "violência recorrente contra minha mãe", como Stewart revelou em um artigo de jornal. "A violência é sempre uma escolha do homem, e somente ele é responsável por ela."

Em sua autobiografia, "Making It So", Stewart relatou como ele e seu irmão mais velho, Trevor, se preparavam para as noites em que o pai chegava em casa embriagado e furioso para atacar a mãe. "Às vezes com a mão aberta, outras com o punho fechado. Ele sempre mirava na cabeça dela."

Mais tarde, o ator tornou-se patrono da Refuge, organização que oferece abrigo a vítimas de violência doméstica.

O palco se tornou um espaço seguro, um refúgio da vida real onde eu podia encarnar outra pessoa, vivendo em outro tempo e lugar
Patrick Stewart


Stewart foi aceito na Royal Shakespeare Company e lá permaneceu por 14 anos, interpretando papéis que variaram de Marco Antônio e Henrique IV a Shylock e Oberon. "Pessoas de fora da companhia me diziam: ‘Dê um tempo. Por que não vai fazer outra coisa?’ E eu respondia: ‘Fazer o quê?’", contou à AP. "‘TV?’"

Em busca de diversificação

Ele acabou deixando a companhia em busca de trabalhos mais diversificados, incluindo o filme "Excalibur" (1981). Estava em cartaz com a peça "Quem Tem Medo de Virginia Woolf?", em 1987, quando recebeu um convite inusitado: "Me vi em Hollywood gravando uma série de ficção científica para exibição em rede nacional - que me garantiram que seria um fracasso".

Não foi, obviamente. Graças à sua voz grave de barítono e presença imponente, a franquia "Star Trek" durou sete anos, 178 episódios e gerou quatro longas-metragens. O ator ficou marcado pelo bordão "faça acontecer" ("Make it so", em inglês).

Seu amor por Shakespeare se mostrou fundamental para dar vida a Jean-Luc Picard, o comandante do século XXIV.

Jean-Luc e Henrique IV

"Há uma formalidade na maneira como os personagens se expressam e se comportam que me lembrava diversas situações shakespearianas que vivenciei nos palcos. Percebi que deveria interpretar Jean-Luc como se fosse um personagem de Henrique IV, uma obra sobre homens de coragem", relatou em suas memórias.

Mesmo enfrentando os Borgs e Klingons, Stewart encontrava espaço para a poesia em verso livre. Ele fundou a Paramount Shakespeare Company, promovendo oficinas aos sábados e domingos pela manhã para atores interessados. (Mais tarde, Stewart voltaria ao papel na série "Star Trek: Picard")

A visibilidade abriu portas para novos projetos, incluindo papéis nos filmes "Teoria da Conspiração", "Como Agarrar um Marido" e produções na Broadway como "A Tempestade", "O Caseiro" e "A Life in the Theater", de David Mamet. Foi condecorado Cavaleiro pela rainha Elizabeth II, em junho de 2010, por serviços prestados às artes. Stewart também atuou como embaixador do International Rescue Committee.

Prêmios e honrarias

Ao longo de sua carreira, Stewart venceu três prêmios Olivier, principal honraria do teatro britânico, e um Emmy, além de acumular indicações ao Globo de Ouro e BAFTA.

Em 2023, Stewart se tornou autor best-seller após o lançamento de sua autobiografia, "Making It So", em que ele relembrou sua trajetória dos palcos londrinos às telas hollywoodianas.

Em 2013, ele se casou com a cantora Sunny Ozell, com quem manteve o casamento até a sua morte. Ele deixa dois filhos, Sophia e Daniel.

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