Com regras mais duras, 79% dos aposentados vivem com menos de R$ 2 mil por mês
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São Paulo - Recente pesquisa elaborada pela Mosaic, ferramenta de segmentação de mercado da Serasa Experian, revela que 79% dos aposentados brasileiros vivem com uma renda mensal inferior a R$ 2 mil. Outro destaque do levantamento é que boa parte dessa renda mensal já está comprometida com despesas essenciais do mês.
Somente 8,5% apresentam renda acima de R$ 6 mil. Esse público de renda maior, por sua vez, tende a investir mais em viagens, seguro de vida e saúde.
Na média geral entre os aposentados a propensão a seguro de vida é de 2% e ao seguro saúde, de 7,8%. Na faixa de renda acima de R$ 6 mil, entretanto, esse índice em seguro de vida cresce para 18% e para seguro saúde chega a 41%. A propensão para viagens na média geral entre aposentados é de 2,7% e atinge 32,9% no recorte de maior renda.
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Idade mínima e pontos
Com as alterações nas regras de transição do INSS, planejar a aposentadoria tem se tornado um tema cada vez mais essencial e urgente. Em 2026, os segurados filiados ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS) tiveram os requisitos elevados em duas modalidades principais:
- Regra da Idade Mínima Progressiva: o tempo de contribuição permanece o mesmo (30 anos para mulheres e 35 para homens), mas a idade exigida sobe seis meses. Em 2026, mulheres precisarão ter 59 anos e 6 meses, e homens, 64 anos e 6 meses;
- Regra dos Pontos: nesta modalidade, soma-se a idade ao tempo de contribuição. A pontuação necessária sobe um ponto em relação ao ano anterior. Em 2026, será preciso atingir 93 pontos (mulheres) e 103 pontos (homens).
Nesse contexto, a principal falha do brasileiro, na avaliação de Gabriel Barros, diretor da SF Barros Contabilidade, está na tendência de adiar o planejamento previdenciário, tratando-o como uma coisa distante.
Sob as regras vigentes, cada ano e até cada mês de contribuição afeta o valor final do benefício. A omissão agora pode significar uma aposentadoria mais limitada no futuro, explica.
Segundo Barros, ajustes menores, como seis meses adicionais de contribuição, podem alterar substancialmente o cálculo do benefício.
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Preparo financeiro
Diante do acelerado envelhecimento da população, a necessidade de se manter financeiramente por mais tempo fora do mercado de trabalho está cada vez maior. De acordo com Marcos Ferreira, especialista em longevidade e mercado securitário, este é um momento da vida que pede mais preparo financeiro, emocional e social.
Ferreira reforça que o ideal é iniciar o planejamento para a aposentadoria ainda na fase produtiva, liquidando passivos e avaliando a possibilidade de fontes de renda alternativas.
A antecipação, afirmam Barros e Ferreira, faz toda a diferença. Mesmo para quem já ultrapassou os 40 ou 50 anos, ainda há margem para ajustes estratégicos, seja na revisão das contribuições, na escolha da regra de transição mais vantajosa ou na reestruturação da vida financeira.
(Com Emanuele Almeida)
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