Consumidor está mais imediatista em 2026, revela pesquisa da Bain&Co
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São Paulo - O perfil do consumidor brasileiro tem passado por uma transformação acelerada desde a pandemia, com a introdução da Inteligência Artificial se aprofundando e reformulando tendências. Em 2026, o perfil do consumidor, conforme a pesquisa da Bain & Company que busca apontar tendências, tem se mostrado muito mais imediatista, interessado em vantagens como cashback, frete grátis e programas de fidelidade.
Iniciado em 2020, ano marcado pela pandemia, o levantamento Consumer Pulse identificou as novas tendências trazidas pela Covid-19 em 2021, acompanhada do 'novo normal' que predominou em 2022. No ano seguinte, os consumidores se mostraram mais reprimidos, tentando se adaptar a um mundo repleto de novas demandas.
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Já em 2024 a marca foi "consciência", em razão de alguns episódios climáticos que atravessaram o mundo - com incêndios de grandes proporções, ondas de calor recorde e chuvas torrenciais como a que devastaram o estado do Rio Grande do Sul.
No ano passado, diante da queda considerável no poder de compra da população e seu crescente endividamento, o perfil captado pela pesquisa mostrou um consumidor "equilibrista".
Hoje temos o impacto das canetas emagrecedoras, do crédito fácil, rápido e conveniente. Temos o cashback. Ou seja, eu, consumidor, quero o dinheiro voltando já. Quero resposta imediata, observa De Carli.
Famílias menores e endividamento
De acordo com pesquisa, no longo prazo as famílias estão ficando cada vez menores.
Fabiana Holtz/Portal Viva
"O tipo de família que mais cresce hoje no mundo é a integrada por uma pessoa - que mora sozinha. Isso significa que a idade média para a compra de um imóvel, por exemplo, está ficando cada vez mais alta no mundo inteiro. As pessoas estão protelando cada vez mais a compra. Tem menos gente casando", afirma Ricardo De Carli, sócio da Bain e responsável pelo estudo.
Outro ponto relevante observado pela pesquisa neste ano foi o salto no endividamento da população, que tem batido recordes seguidos.
Para a pesquisa a consultoria ouviu 8 mil pessoas no Brasil e na América Latina em fevereiro de 2026, que responderam a um questionário de 100 perguntas sobre sentimento geral do consumidor, comportamento de compra, finanças e crédito, programa de fidelidade, saúde e bem-estar, rotina e tempo livre, comida e bebida, inteligência artificial e segurança física e digital.
Brasileiro segue otimista
Ao tratar sobre o sentimento do consumidor, de acordo com a pesquisa, a conclusão é que o brasileiro continua otimista. No recorte etário, a geração que segue mais otimista sobre o futuro é a dos Baby bommers (nascidos entre 1946 e 1964), com taxa de 52%. Entre os menos otimistas estão os representantes da Geração Z (nascidos entre 1997 e 2010). Esse indicador tem oscilado pouco na série histórica, acrescenta De Carli, e o brasileiro permanece no posto de mais otimista entre todos os países da América Latina.
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Economia prateada e um mar de oportunidades
A pesquisa da Bain & Company também mostrou que olhar para a economia prateada (população com idades acima de 60 anos) tem se tornado cada vez mais essencial para entender as tendências de consumo. As estatísticas apontam que em 2050 essa parcela da população deve representar cerca de 2 bilhões de consumidores no mundo.
Primeiro: quando a gente pensa em longevidade, tem um bloco de consumidores que está cada vez mais ativo, por muito mais tempo, no ápice da sua renda e com uma família menor. Este consumidor tem muita aspiração de viajar e de aproveitar o tempo com qualidade.
Foto: Fabiana Holtz/Viva
Esse público demanda uma série de serviços e produtos em dois blocos que movimentam a economia: o de saúde e o de cuidados, aponta De Carli. "Há uma preocupação com uma longevidade sadia e com renda satisfatória e temos visto o crescimento desse perfil do consumidor ano a ano. Por outro lado, com o ganho de longevidade, também temos um aumento do consumo atrelado ao cuidado com os idosos mais frágeis".
Segundo o especialista, existem 'oportunidades gigantes' nesses dois blocos. Em resumo, o momento oferece um "mar de oportunidades" para quem está prestando atenção nessa tendência.
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Conectados com as tendências
Na avaliação do responsável pelo estudo, o consumidor 50+ está bem conectado com as mudanças. Para De Carli, temos aqui uma das maiores oportunidades para o futuro. Isso porque esse bloco continuará crescendo.
"Essa parcela da população responderá por uma parte relevante da economia mundial nos próximos anos e é importante pensar nesses dois polos. O que isso implica em termos de economia do cuidado, com relação a esse idoso mais longevo e que precisa de cuidado, e por outro lado aquele que está cada vez mais jovem, consumindo e ativo por mais tempo".
Em termos globais, destaca o especialista, as marcas ainda não capturaram toda a oportunidade de transformação que existe no âmbito do consumo. "É esse público que consome a meia garrafinha de vinho, viaja, faz academia, busca alimentação saudável e por ai vai", observa De Carli.
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