SeniorLab: Brasil tem uma pessoa chegando aos 50 anos a cada 19,3 segundos
Marcelo Camargo/Agência Brasil
São Paulo - O envelhecimento da população brasileira ganha velocidade: uma pessoa chega aos 50 anos a cada 19,3 segundos no País, segundo projeção da SeniorLab. O intervalo considera o período de 1º de julho de 2026 a 30 de junho de 2027 e representa uma aceleração de 4,7% em relação ao ritmo anterior, quando o marco de 50 anos era alcançado a cada 20,2 segundos.
"À primeira vista, a diferença parece pequena. Afinal, estamos falando de menos de um segundo. Mas, quando projetada para um país com mais de 210 milhões de habitantes, essa aceleração representa centenas de milhares de brasileiros a mais alcançando os 50 anos ao longo de um único ano", afirma Martin Henkel, colunista do VIVA e CEO da SeniorLab.
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A SeniorLab criou o conceito de Contador Populacional em 2019 e atualiza anualmente a velocidade com base nas projeções populacionais mais recentes. Para o período de 2026/2027, a estimativa indica que uma pessoa completa 50 anos a cada 19,3 segundos.
O dado ajuda a dimensionar o avanço da população brasileira com 50 anos ou mais, grupo que ganha participação na sociedade à medida que aumentam a longevidade e a expectativa de vida e diminuem as taxas de fecundidade.
Envelhecimento muda demandas
O crescimento da população 50+ tem reflexos em áreas como moradia, saúde, mercado de trabalho, serviços financeiros, turismo e tecnologia, de acordo com Henkel:
Durante décadas, o País foi identificado como uma nação jovem. Empresas desenvolveram produtos para famílias numerosas, cidades cresceram pensando em uma população predominantemente adulta e em expansão, e o mercado de trabalho foi estruturado sobre a lógica da renovação constante das gerações. Essa realidade mudou."
Com vidas mais longas, aumentam as demandas por soluções relacionadas à saúde preventiva, planejamento financeiro e adaptação de produtos e serviços a diferentes fases da vida.
No setor imobiliário, por exemplo, cresce a procura por moradias menores e bem localizadas, com características que favoreçam autonomia e bem-estar. No turismo, a longevidade amplia a demanda por experiências voltadas a diferentes perfis de consumidores.
A transformação também alcança o mercado de trabalho. Empresas passam a conviver com equipes formadas por quatro ou até cinco gerações, enquanto permanecer profissionalmente ativo por mais tempo se torna uma realidade para uma parcela crescente da população.
Empresas que antes concentravam seus esforços na atração de jovens talentos descobrem que experiência, repertório e capacidade de adaptação também são ativos estratégicos."
Essa mudança, afirma Henkel, tem aumentado o interesse pelo conceito de ROEx – Retorno sobre o Repertório Acumulado, conceito criado pela SeniorLab para medir o valor desse repertório no ambiente corporativo.
Economia Prateada
O aumento da longevidade também está relacionado à chamada Economia Prateada, expressão usada para definir atividades econômicas ligadas às necessidades, aos interesses e ao potencial de consumo da população mais velha.
O fenômeno não se restringe a um segmento específico. A mudança demográfica pode afetar setores como indústria, varejo, construção civil, educação, entretenimento e tecnologia.
Para empresas e profissionais, o desafio está em compreender que envelhecer não significa necessariamente depender de assistência ou estar fora da atividade econômica. Pessoas que chegam aos 50 anos podem continuar trabalhando, estudando, consumindo, viajando e desenvolvendo novos projetos.
Transformação demográfica
O envelhecimento da população brasileira ocorre em um contexto de aumento da expectativa de vida, redução do número de filhos por família e chegada à maturidade de gerações que, segundo a SeniorLab, apresentam condições diferentes das gerações anteriores em aspectos como saúde, educação, renda e participação social.
Nesse cenário, completar 50 anos representa uma etapa cada vez mais extensa da vida. E a forma como o País responderá a esse cenário terá impacto sobre a vida de milhões de brasileiros nas próximas décadas.
Quanto antes compreendermos essa transformação, maiores serão as oportunidades para construir empresas mais inclusivas, cidades mais acolhedoras, políticas públicas mais inteligentes e uma sociedade que reconheça o envelhecimento como uma conquista que precisa ser valorizada."
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