O que é circuit breaker e o que ele tem a ver com a eleição de Lula?
Circuit breaker é a interrupção dos negócios na bolsa de valores, como mecanismo de contenção de crises; vitória de Lula reforça temor com situação fiscal
Por Marcia Furlan
26/10/2026 | 16h17 ● Atualizado | 16h18Adobe Stock
O mercado financeiro brasileiro reagiu de forma intensa ao resultado da eleição presidencial, com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, levando a bolsa a entrar em circuit breaker logo no início das operações, uma medida que suspende as negociações por 30 minutos em casos de queda acentuada das ações.
A decepção dos investidores com a vitória de Lula, que não era esperada, gerou preocupações sobre a política fiscal do novo governo e a possibilidade de controle de gastos, especialmente em um cenário de contas públicas desequilibradas e altas taxas de juros.
O circuit breaker, que já foi utilizado em 23 ocasiões anteriores no Brasil, foi acionado como uma medida de contenção para permitir que os investidores processassem as novas informações e evitassem vendas precipitadas, refletindo a necessidade de uma pausa técnica no mercado.
São Paulo - O mercado financeiro brasileiro registrou, nesta segunda-feira, 26, forte reação ao resultado do segundo turno da eleição presidencial, vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), desfecho que não era esperado até a última sexta-feira, 23.
Logo nos primeiros minutos de funcionamento, a bolsa de valores brasileira entrou em circuit breaker e as negociações foram suspensas por 30 minutos.
Mas o que é esse mecanismo, como ele funciona e por que isso aconteceu?
O circuit breaker é um sistema de proteção das bolsas de valores, acionado quando a queda dos preços das ações atinge 10% em relação ao fechamento do dia anterior. Nesse caso, ocorre a paralisação dos negócios por 30 minutos. Se, no retorno, a queda persistir e chegar a 15%, a interrupção passa a ser de 1 hora. Se voltar a operar e atingir 20% de baixa, a suspensão pode ocorrer por um período a ser definido.
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Para que serve o circuit breaker?
O circuit breaker é adotado nas bolsas de valores como um mecanismo de segurança e contenção de crises. Ele tem diversos objetivos:
- interromper um fluxo de vendas de ações motivadas por medo, ansiedade ou boatos em momentos de forte estresse econômico ou político.
- permitir que investidores processem as notícias com mais calma, em vez de agir por impulso
- criar uma pausa técnica para que as ofertas se reorganizem e os preços possam ser recalculados de forma mais equilibrada.
- proteger a integridade e a liquidez do sistema financeiro, evitando que liquidações precipitadas levem à insolvência de participantes do mercado.
Em resumo, é uma pausa para o mercado “respirar” e agir com mais racionalidade.
Por que foi adotado na bolsa nesta segunda-feira?
A paralisação de hoje refletiu a decepção do mercado com o resultado da eleição, já que as apostas estavam na vitória do candidato do PL, o senador Flávio Bolsonaro. A escolha alimenta temores sobre a política fiscal do País.
Os investidores têm dúvidas sobre como será o controle de gastos do governo no quarto mandato de Lula. Eles esperavam que, em uma eventual vitória do adversário, pudesse haver maior rigor nessa área.
O desequilíbrio das contas públicas é um dos fatores que mantêm as taxas de juros elevadas e a possibilidade de redução, na avaliação desses investidores, fica ainda mais distante.
Além disso, o comportamento de hoje também pode ser visto como uma correção às reações acentuadas do mercado logo depois do primeiro turno, quando houve elevação consistente da bolsa e queda das cotações do dólar, devido à tendência de vitória de Flávio Bolsonaro.
Quando o circuit breaker foi usado no Brasil?
Até hoje, o mecanismo foi acionado em 23 ocasiões, e a paralisação de hoje seria a 24ª. Confira:
- 1997 — Em meio à crise da Ásia, os negócios foram interrompidos em 7 e 12 de novembro.
- 1998 — Na crise da Rússia, foram cinco interrupções. No dia 10 de setembro, o mecanismo foi acionado duas vezes. As outras três paralisações ocorreram em 21 de agosto e 4 e 17 de setembro.
- 1999 — Na crise cambial brasileira, nos dias 13 e 14 de janeiro.
- 2008 — Na crise do sistema financeiro nos Estados Unidos, após o pedido de concordata do banco Lehman Brothers, o pregão da bolsa foi interrompido seis vezes: a primeira em 29 de setembro e as outras cinco em outubro — no dia 6 (duas interrupções) e depois nos dias 15, 19 e 22.
- 2017 — O circuit breaker foi acionado após a delação premiada da JBS quase derrubar o governo do então presidente Michel Temer.
- 2020 — O mecanismo foi ativado seis vezes, nos dias 9, 11, 12, 16 e 18 de março, em um período de forte volatilidade nos mercados globais por conta das incertezas iniciais da pandemia de covid-19 e das medidas extraordinárias adotadas por governos para conter os efeitos econômicos da doença.
(com Luísa Laval e Maria Regina Silva, da Broadcast)
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