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Eleições 2026

Como Lula deu a virada no 2º turno: campanha apostou em idosos e jovens

Especialistas apontam que a movimentação da juventude e dos 70+ fez diferença na reta final da campanha; os mais jovens levaram os idosos para votar

Bárbara Ferreira

Por Bárbara Ferreira

26/10/2026 | 15h17

Theo Daolio/Modus Focus/Estadão Conteúdo

Campanha de Lula na reta final chamou para voto os mais jovens e os mais velhos - Theo Daolio/Modus Focus/Estadão Conteúdo
Campanha de Lula na reta final chamou para voto os mais jovens e os mais velhos
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Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito presidente do Brasil, superando Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições. A virada histórica resultou em uma diferença de 4,43 milhões de votos, com Lula recebendo 64,3 milhões de votos (51,79%) contra 59,8 milhões (48,21%) de Bolsonaro.

A mobilização de eleitores idosos e jovens foi crucial para a vitória de Lula, que agradeceu publicamente a esses grupos. A abstenção caiu significativamente no segundo turno, o que também contribuiu.

Após a vitória, Lula prometeu uma governança mais próxima do povo e reconheceu a importância da campanha digital liderada por André Janones, que engajou a juventude.

Especialistas apontam que erros na campanha de Flávio, especialmente em debates, prejudicaram sua imagem entre eleitores mais velhos, que se sentiram inseguros com sua postura.

Resumo gerado por IA

São Paulo - Pela quarta vez, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi eleito presidente do Brasil. Outro feito de Lula foi ter virado no segundo turno das Eleições 2026, após ter ficado atrás do concorrente, Flávio Bolsonaro (PL), no primeiro turno. Pela primeira vez na história, um candidato a presidente conseguiu virar no segundo turno. A diferença foi de 4,43 milhões de votos entre os dois candidatos. E como ele conseguiu isso?

Especialistas atribuem o movimento de virada à movimentação pelo voto dos idosos e da juventude, seja nas redes sociais, com o canal do WhatsApp "Exército do Lula", como também nas manifestações nas ruas. Em números, enquanto Lula conquistou 10,3 milhões de votos adicionais no segundo turno, Flávio ganhou 3,7 milhões de votos.

Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com todas as seções eleitorais totalizadas. Veja o total de votos:

  • Lula: 64.256.232 votos (51,79%) - Eleito
  • Flávio: 59.826.041 votos (48,21%)

Após a vitória, o próprio Lula fez um agradecimento especial aos idosos e jovens, que entendeu como o diferencial no resultado da eleição. "Quero agradecer o esforço das pessoas idosas que foram votar. Vi cenas de pessoas sendo carregadas pelos netos para votar, pessoas com doenças e dificuldade de locomoção que foram votar", disse.

Antes do pleito, as últimas pesquisas de intenção de voto apontavam os candidatos empatados tecnicamente, na margem de erro e até empate absoluto, no caso da pesquisa Datafolha. "Uma disputa tão apertada precisava ganhar no detalhe. Qualquer detalhe faria diferença", afirma o cientista político André César, sócio da Hold Assessoria Legislativa. 

Queda das abstenções

A abstenção teve a maior queda entre turnos desde a redemocratização, segundo o TSE. Dos eleitores aptos a votar, 30.509.005 não compareceram às urnas no segundo turno: 19,22% do total. No primeiro turno, 21,08% não votaram - ou seja, uma diferença de 2,9 milhões de eleitores.

Além desses votos, segundo o cientista político especialista em processo legislativo, André Rosa, os eleitores ainda não conheciam bem Flávio Bolsonaro até o segundo turno, quando os candidatos compareceram aos debates e ali mostraram suas personalidades.

Ele acredita que o movimento de virar voto funcionou com os indecisos. "O indeciso que realmente quer fazer um voto racional é o mais propenso a mudar de lado, porque vai analisar até o último minuto", disse o cientista político. O eleitor mais indeciso tem uma análise muito mais holística do candidato, ou seja, vai olhar os valores pessoais, vai olhar se aquele candidato é preparado para o que está se propondo.

Jovens levaram idosos a votar

O voto para pessoas com mais de 70 anos é optativo. Mas houve um grande esforço das militâncias para conquistar o voto dos idosos - embora os dados do TSE sobre este público nas urnas ainda não tenham sido divulgados.

Para André Rosa, o destaque da virada foi que a juventude e os 70+ se encontraram nesta campanha.

Essas pessoas mais novas fizeram esse movimento para levar os idosos para votar, seus familiares, por exemplo. Mais fácil do que você conseguir voto na rua é você conseguir voto com a sua própria família.
André Rosa, cientista político especialista em processo legislativo

Na primeira parte da campanha de Lula faltavam  engajamento e a linguagem jovem nas redes sociais, avaliam os especialistas. Eles reconhecem a figura do deputado André Janones (Rede-MG), que criou o "Exército do Lula" nas redes sociais, como essencial para a virada do presidente. No WhatsApp, são cerca de 11 milhões de seguidores.

O presidente chegou a dizer, durante seu discurso de vitória, que essa eleição o ensinou lições e que vão mudar o jeito de governar: "Vou conversar muito com o povo brasileiro, muitas vezes por dia."

Inclusive, a ex-ministra do Planejamento Simone Tebet (PSB) disse ontem, logo após a confirmação do resultado, que "os jovens foram para as ruas e a melhor idade salvou a democracia".

Onde a campanha de Flávio derrapou

Os especialistas também destacam que a campanha de Flávio errou, principalmente nas últimas duas semanas e na postura dele nos debates. André Rosa critica a escolha de Pablo Marçal para liderar a estratégia de marketing político de Flávio, que não funcionou.

Segundo o cientista político, a estratégia de deixar Flávio circulando atrás de Lula no debate da Band não foi bem recebida pelo eleitor. "De certa forma, acaba sendo agressivo, porque o Lula é um idoso, uma pessoa de 80 anos".

"Claramente, o candidato Flávio estava treinado para os debates. Quando se assume uma persona que não tem nada a ver com a sua personalidade, ou você é um bom ator e interpreta aquilo muito bem, ou não passa confiança. Ficou superficial", pontuou Rosa.

Para André César, a postura de Flávio deixou os 70+ inseguros: "o Flávio, em alguns momentos, na conduta e postura dele, pode ter assustado boa parte desse eleitorado. Já Lula ganhou nessa questão geracional".

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