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Proibição das bets não vai reduzir endividamento das famílias imediatamente

Professor da FIA afirma que dívidas já contraídas não desaparecem, mas medida pode melhorar o orçamento das famílias ao longo do tempo

Pedro Marques

Por Pedro Marques

25/09/2026 | 19h54

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Bets são o principal fator de endividamento das famílias brasileiras, bem à frente da taxa de juros - Adobe Stock
Bets são o principal fator de endividamento das famílias brasileiras, bem à frente da taxa de juros
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A proibição total das apostas no Brasil, anunciada pelo presidente Lula, visa combater o endividamento das famílias, que é fortemente impactado por essas práticas, segundo estudo do Ibevar e da FIA. A medida é considerada positiva, embora seus efeitos sobre a dívida sejam percebidos a médio prazo.

O estudo revela que as apostas são o principal fator de endividamento, superando a influência da taxa de juros e da oferta de crédito. As famílias têm perdido patrimônio acumulado em vez de apenas cortar gastos cotidianos, o que agrava a situação econômica.

Além da proibição, especialistas alertam para a necessidade de ações governamentais que incluam a redução da taxa de juros para mitigar o endividamento. A eficácia da proibição pode ser comprometida se os jogadores migrarem para apostas ilegais, que não possuem a mesma dinâmica das apostas regulamentadas.

Resumo gerado por IA

São Paulo – A proibição total das bets no Brasil, anunciada nesta sexta-feira, 25, determinada em MP assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é importante, mas os impactos sobre o endividamento só serão sentidos a médio prazo. A avaliação é de Claudio Felisoni, professor da FIA Business School e presidente do Ibevar (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo).

Felisoni comenta que um estudo realizado pelo Ibevar em parceria com a FIA, chamado "Bets, Juros e Crédito", indica que as bets são o principal fator de endividamento das famílias brasileiras, bem à frente da taxa de juros e da oferta de crédito. "Se fosse uma balança, a taxa de juros pesaria 7 kg, enquanto a oferta de crédito pesaria 4 kg. Já o peso das bets seria de 22 kg", explica Felisoni.

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Ou seja, as famílias não estavam se afundando apenas por conta dos juros altos do cartão ou do consignado, mas também pela sangria contínua nas plataformas de jogos. Por isso, o presidente do Ibevar acredita que a proibição será positiva para reduzir o endividamento, mesmo sendo anunciada perto do primeiro turno das eleições. "Qual vai ser o efeito eleitoral disso, eu não sei, mas que, de fato, as bets, pelos números que nós temos, impactam negativamente o orçamento das famílias."

Essa proibição, de fato, melhora as possibilidades de as pessoas, a médio prazo, reduzirem o endividamento, por causa do peso das bets nas dívidas. Isso não vai sumir imediatamente... as dívidas já foram contraídas. Mas, sem dúvida nenhuma, se trata de fato de um impacto significativo.
Claudio Felisoni, presidente do Ibevar e professor da FIA Business School.

Proibição total x parcial

Para o executivo, a decisão de proibir totalmente as bets é melhor do que proibir apenas os cassinos online e jogos de azar, como o Jogo do Tigrinho, como vinha sendo discutido. Isso porque as bets trabalham com um sistema de apostas fracionado — ao contrário de uma loteria, por exemplo — que, aliado ao Pix, permite fazer apostas muito rapidamente. A publicidade maciça das apostas online atua como reforço para que as pessoas fiquem viciadas nos jogos.

"Como as pessoas estão expostas permanentemente a uma massiva campanha de publicidade, e considerando que elas conseguem fazer essas operações muito rapidamente graças ao Pix, o cérebro é aprisionado em um sistema emocional", diz Felisoni.

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Até por isso, ele acredita que a medida será eficaz, apesar de especialistas apontarem para o risco de os jogadores migrarem para bets ilegais ou outros jogos. "Essas opções não têm a mesma dinâmica das bets [regulamentadas]. Por quê? Porque não têm a mesma facilidade [como o Pix] e não têm a propaganda", explica.

Efeitos na economia do dia a dia

Outro estudo do Ibevar e da FIA, batizado de "O Raio Digital: Como a Alta dos Juros e as Bets Secaram a Poupança na Velocidade do Pix", jogou luz sobre um ponto crucial: o brasileiro médio não financiou as apostas cortando pequenos consumos cotidianos, mas queimando ativamente patrimônio acumulado em cadernetas de poupança e CDBs.

O estudo comprovou ainda que o dinheiro transferido via Pix simplesmente desaparece do circuito bancário produtivo nacional. "Quando você deixa de ir a um restaurante e resolve comprar uma camisa, o dinheiro continua no sistema financeiro. A única coisa é que saiu da indústria de restaurante e entrou para o setor têxtil", afirma.

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No caso das bets, não é assim. Quando o dinheiro sai, ele vai embora do sistema econômico. Então você tem dois efeitos: as empresas não conseguem vender e, como elas não conseguem vender, também ficam endividadas.
Cláudio Felisoni

Embora espere efeitos positivos com a proibição das bets, Felisoni ressalta que também é preciso um esforço do governo para reduzir a taxa de juros. "Porque o endividamento das famílias depende, evidentemente, da taxa de juros. Esse fator está aí. E isso só vai melhorar quando o governo resolver gastar menos."

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