Nas redes sociais, 77% apoiam proibir bets e 23% criticam, mostra pesquisa
A mobilização em torno da proibição das bets começou em 17 de setembro, atingindo pico de menções nas redes sociais em 20 de setembro
Por Broadcast
24/09/2026 | 20h24Adobe Stock
Brasília - A potencial proibição pelo governo federal das bets gera apoio de 77% dos usuários que comentam o tema nas redes sociais, mostra levantamento da Palver, empresa de inteligência e análise do ambiente digital. Outros 23% são mensagens críticas à proibição. "O apoio à proibição é amplo, mas foi inflado pela militância digital. Quando a mobilização arrefece e o foco passa à decisão concreta, a crítica ganha espaço", aponta a Palver.
A empresa monitorou mensagens nas redes sociais (Instagram, X, Facebook, TikTok e Youtube) e nas redes de mensageria (WhatsApp e Telegram) relacionadas à eventual proibição das bets, prometida pelo governo, entre 17 e 23 de setembro.
No auge do debate digital sobre o tema, o apoio à proibição chegou a 92% em 20 de setembro e recuou para 57% em 23 de setembro, quando Lula se reuniu com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, para definir a medida no Palácio do Alvorada, mostra o levantamento.
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O monitoramento, divulgado nesta quinta-feira, 24, revela que a conversa ganhou tração a partir de 17 de setembro, quando a imprensa noticiou que o governo preparava uma Medida Provisória quanto ao tema, e atingiu o pico nas redes em 20 de setembro, com 273 menções a cada 100 mil mensagens, e em 19 de setembro na mensageria, com 48 menções a cada 100 mil.
"A mobilização eleitoral pró-Lula (26% da conversa classificada) transformou a proibição em bandeira de campanha, com slogans padronizados como 'Bora, Lula! Contra as bets!'. Lula venceu a disputa narrativa ao se apropriar da pauta como tema de proteção social, mas o dia da decisão (ontem) registrou a maior fatia de críticas desde 17 de setembro (43%), evidência de que o anúncio abre espaço para a narrativa de contradição e oportunismo eleitoral", analisou a Palver.
Militância digital e campanha pró-Lula
Entre as narrativas identificadas pela Palver, a mobilização eleitoral pró-Lula teve maior peso na amostra monitorada, de 26%. O grupo reúne, sobretudo, conteúdo padronizado de campanha que apresenta o fim das bets como proposta de Lula e Alckmin (13), com slogans, hashtags e convocações a compartilhar em grupos.
As mensagens abordam que "Lula 'escolheu o lado da vida' e do povo, enquanto Flávio Bolsonaro teria escolhido 'o lado do lucro'", o fim das bets integra um pacote de bandeiras de campanha de Lula, o discurso na ONU e os comícios e o compromisso pessoal do presidente com a pauta, segundo a Palver. "É a narrativa que mais mobilizou e a principal responsável pelo pico; converte uma decisão de governo em ativo eleitoral, mas também dá munição à acusação de uso eleitoreiro do tema, já explorada em ação no TSE contra o discurso na ONU", apontou a Palver.
Apoio por proteção social e relatos de danos
Já uma narrativa de apoio popular e proteção social teve peso estimado de 16% na amostra. Esse grupo reúne mensagens de tom emocional que tratam as bets como vício e agente de destruição de famílias, com relatos de endividamento e mortes, e celebram a proibição como medida urgente. "É o argumento de maior capacidade de adesão fora da militância, porque dialoga com uma experiência cotidiana. Sua força na mensageria indica circulação em grupos de família e comunidade, onde o apelo emocional se espalha mais", observou a Palver.
Clubes e setor esportivo reagem à proibição
O levantamento identificou ainda uma terceira narrativa, a de resistência do setor esportivo, com peso estimado de 11% na amostra da Palver. Ela reúne mensagens de repercussão do manifesto de clubes como Flamengo, Corinthians e Palmeiras contra a MP, classificando-a como "o fim do futebol".
De acordo com a Palver, é a única narrativa relevante em que a crítica supera o apoio. "A reação dos clubes deu à oposição seu argumento mais concreto (impacto econômico e mercado ilegal), mas o contra-ataque de torcedores e do presidente reduziu seu alcance. É o flanco a observar caso a decisão final seja a proibição total", pontuou a Palver.
Na análise da Palver, Lula saiu fortalecido do debate digital sobre as bets, sendo citado em 51% das mensagens, se apropriou da pauta e a converteu em bandeira de campanha com forte adesão. Em contrapartida, clubes de futebol, empresas de apostas e influenciadore associados às bets saíram pressionados e o candidato Flávio Bolsonaro com dificuldade de disputar a pauta.
A narrativa dominante, segundo a Palver, é a mobilização eleitoral pró-Lula somada ao apelo de proteção social, que, juntas, representam 42% da interação nas redes. Já as críticas de contradição e oportunismo foram minoritárias com 5% do peso, mas com usuários culpando o governo Lula pela expansão das bets. "Uma restrição parcial tende a ser lida como recuo diante de clubes e patrocinadores, já a proibição total tende a reativar os argumentos de mercado ilegal, impacto econômico e uso de MP sem debate no Congresso", apontou a Palver.
(Por Isadora Duarte)
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