Gatos pretos ainda enfrentam desafios na adoção por causa de superstições
Data de Conscientização alerta para o preconceito contra felinos de pelagem escura; pesquisa aponta relatos de abandono por crenças sobre “má sorte”
Arquivo pessoal
Gatos pretos enfrentam preconceito e dificuldades para adoção, conforme pesquisa da Cobasi, que revela que 56% das ONGs afirmam que esses felinos demoram mais para encontrar um lar em comparação a outros gatos.
A pesquisa também mostra que 68% das organizações recebem gatos pretos em maior proporção e que 56% já lidaram com casos de abandono relacionados a superstições, embora apenas 9% acreditem que o Halloween seja um período crítico para isso.
Para combater essa situação, 51% das ONGs realizam campanhas de adoção específicas para gatos pretos, utilizando estratégias como feiras de adoção e divulgação nas redes sociais, visando mudar a percepção negativa em relação a esses animais.
São Paulo - O som do ronronar, o miado e os movimentos de “amassar pãozinho” dos gatos são os mesmos, mas felinos com pelagem escura ainda enfrentam preconceito, abandono e dificuldades para serem adotados, segundo uma pesquisa de 2026 da rede de varejo pet Cobasi.
Celebrado nesta terça-feira, 27, o Dia da Conscientização pelo Gato Preto foi criado em 2011 pela organização de proteção animal Cats Protection para jogar luz sobre um preconceito que persiste, mesmo diante de animais capazes de oferecer companhia, afeto e vínculos tão especiais quanto quaisquer outros.
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Além disso, a iniciativa busca combater superstições e diminuir o tempo que gatos pretos passam à espera de adoção em ONGs e abrigos.
Ao longo das gerações, esses felinos foram associados a crenças sobre "azar" e "má sorte". A relação também ganha visibilidade perto do Halloween, comemorado em 31 de outubro em diversos países.
Apesar da associação cultural, não há evidências de que a cor da pelagem determine o comportamento ou a personalidade de um gato, explica o médico-veterinário Luiz Felipe Fornaro, que atua no atendimento clínico geral e é pós-graduando em Medicina Felina no Hospital Veterinário Taquaral, em Campinas (SP).
Cada gato tem sua própria personalidade, influenciada pela genética, pela socialização, pelas experiências e pelo ambiente em que vive.
Luiz Felipe Fornaro, médico-veterinário
O especialista também ressalta que não existem registros nacionais consistentes que permitam afirmar que os casos de maus-tratos contra gatos pretos aumentam durante o Halloween. Por isso, a proteção deve ser mantida durante todo o ano, sem alarmismos, mas com atenção a situações concretas de violência.
Gatos pretos e as dificuldades para encontrar um lar
A pesquisa realizada pelo Cobasi com 41 ONGs de proteção animal identificou que gatos pretos enfrentam mais dificuldades para encontrar um lar. Segundo o levantamento, 56% das organizações afirmam que esses felinos demoram mais para ser adotados do que animais de outras pelagens.
Além disso, 68% relatam receber gatos pretos para resgate em proporção acima da média em comparação com gatos de outras cores.
O estudo também identificou que o preconceito contra esses animais continua presente. Mais de 56% das ONGs consultadas já recebeu casos de abandono relacionados a superstições envolvendo gatos pretos.
Apesar disso, apenas 9% apontaram o Halloween e as sextas-feiras 13 como períodos de maior abandono. Para 53% das instituições, não existe uma época específica do ano em que esses casos aumentem.
A aparência dos felinos foi apontada como o principal obstáculo à adoção, com preferência de parte dos interessados por gatos de outras cores. Para tentar mudar esse cenário, 51% das organizações já realizaram campanhas específicas para incentivar a adoção de gatos pretos.
Entre as estratégias citadas estão feiras de adoção (34%), divulgação nas redes sociais (29%) e produção de fotos profissionais dos animais (20%).
Como escolher um gato para adoção?
A escolha de um animal deve considerar sua personalidade, suas necessidades e a rotina da família, e não a cor da pelagem. Antes da adoção, é importante avaliar se há tempo, recursos financeiros e espaço adequado para cuidar do felino durante toda a vida.
“Também é importante conhecer seu temperamento e suas necessidades, especialmente quando já existem outros animais na casa”, orienta o veterinário.
Segundo Fornaro, a adoção responsável exige cuidados contínuos, como alimentação adequada, água fresca, vacinação, acompanhamento veterinário e castração quando indicada.
O ambiente também precisa oferecer condições para o bem-estar do animal. Caixas de areia limpas, brinquedos, arranhadores, esconderijos e espaços elevados ajudam a atender às necessidades dos felinos.
Telas de proteção em janelas e sacadas e a restrição ao acesso livre à rua também são medidas importantes para evitar atropelamentos, brigas, doenças, intoxicações e desaparecimentos.
De acordo com o veterinário, para que os futuros tutores conheçam o animal para além da aparência e façam uma escolha consciente, é preciso que abrigos, protetores independentes e pessoas que divulgam animais para adoção apresentem informações sobre o temperamento, os hábitos e as necessidades de cada felino.
A adoção deve ser baseada em responsabilidade, respeito e bem-estar, nunca em superstições.
Sinais que indicam maus-tratos contra gatos
O especialista destaca alguns sinais que podem indicar que um gato precisa de ajuda. Confira a seguir:
- Desnutrição;
- Feridas;
- Fraturas;
- Falta de cuidados básicos;
- Medo intenso;
- Apatia.
Esses sinais, isoladamente, não comprovam violência, mas justificam uma avaliação veterinária e, diante de suspeitas de maus-tratos, uma denúncia às autoridades competentes.
“Crenças e superstições nunca justificam violência contra animais. É importante agir com segurança, registrar informações quando possível e denunciar situações suspeitas”, afirma o veterinário.
Onde denunciar maus-tratos a animais?
Denúncias de maus-tratos a animais em São Paulo e no Brasil podem ser feitas pelos seguintes canais oficiais:
- Em caso de urgência: ligue imediatamente para a Polícia Militar pelo telefone 190.
- Delegacia Eletrônica de Proteção Animal (DEPA): registre ocorrências online no site da Delegacia Eletrônica de Proteção Animal ou pelo portal da Agência SP.
- Disque-Denúncia: ligue para o 181 (funciona 24 horas e garante o anonimato).
- Ministério Público ou Promotoria do Meio Ambiente: procure a promotoria do seu Estado ou município para formalizar a denúncia.
- Órgãos locais: contate a Guarda Municipal (153), a Zoonoses ou a Secretaria de Meio Ambiente da sua cidade.
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