Polícia investiga 6 mortes de bebês em hospital; advogada fala em 36 casos
A unidade de saúde nega generalizações sobre as mortes e afirma que cada caso deve ser analisado individualmente com respaldo técnico
Por Estadão Conteúdo
23/10/2026 | 19h14Pexels
A Polícia de São Paulo investiga a morte de seis crianças no Hospital Salvalus, com os casos ocorrendo neste ano e comunicados oficialmente em 21 de outubro. A investigação está sendo conduzida pelo 8º Distrito Policial, que busca esclarecer as causas das mortes por meio de diligências e análise de prontuários médicos.
Representantes jurídicos de famílias relatam que ao menos 36 mães perderam seus filhos na mesma unidade, com relatos de contaminação hospitalar cruzada entre os bebês. Embora alguns recém-nascidos tivessem condições pré-existentes, nenhum apresentava quadro que justificasse a morte antes da infecção.
O Hospital Salvalus afirma tratar as alegações com seriedade, destacando que não se pode generalizar as situações sem comprovação técnica. Novas famílias têm procurado a polícia para registrar ocorrências e buscar reparações judiciais, enquanto a unidade de saúde busca evitar a ampliação da angústia entre as famílias afetadas.
São Paulo - A Polícia de São Paulo investiga a morte de seis crianças no Hospital e Maternidade Salvalus, da rede Hapvida NotreDame Intermédica, na capital paulista. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) diz que os casos ocorreram neste ano e foram comunicados oficialmente na quarta-feira, 21. A apuração está sob responsabilidade do 8º Distrito Policial (Brás).
"A autoridade policial realiza diligências, inclusive com as oitivas de profissionais de saúde e testemunhas, análise integral dos prontuários médicos, visando esclarecer as causas das mortes", diz a SSP.
Leia também
O Hospital Salvalus diz tratar os relatos com máxima seriedade e ressalta que situações clínicas distintas não podem ser atribuídas a uma mesma causa sem comprovação técnica.
"Este ano, mais de mil crianças foram atendidas, com cuidados individualizados e equipes especializadas. As avaliações realizadas até o momento apontam históricos clínicos distintos, sem identificação de uma origem infecciosa comum entre os casos examinados", informa.
6 casos investigados e 36 denúncias
Embora a SSP confirme investigações preliminares sobre seis óbitos, relatos e documentos levantados por representantes jurídicos de familiares de crianças atendidas na unidade de saúde já falam em ao menos 36 mães que perderam o filho.
A advogada Eduarda Fragnan Gomes, que presta auxílio jurídico às famílias, diz que o grupo reúne cerca de 36 mães que compartilham relatos de perdas de seus filhos, sendo que 19 famílias já contam com assessoria direta e documentação reunida.
Ela aponta ainda que, com a repercussão da denúncia, novas famílias têm procurado delegacias para registrar boletins de ocorrência e buscar reparações judiciais.
Advogada fala em contaminação hospitalar cruzada
De acordo com Gomes, o ponto em comum das ocorrências seria a contaminação hospitalar cruzada entre os bebês. De acordo com ela, embora alguns recém-nascidos apresentassem condições pré-existentes decorrentes da gestação, nenhum deles tinha um quadro capaz de colocar suas vidas em risco antes de contraírem a infecção.
"Uns tinham alguns problemas pré-existentes da gestação, mas nenhum deles era incompatível com a vida, nada que fosse levar à morte do bebê", ressaltou.
Segundo a unidade de saúde, "alegações apresentadas não podem ser generalizadas nem utilizadas para estabelecer conclusões sobre todos os atendimentos sem respaldo técnico".
"Afirmações sem a devida contextualização podem ampliar a angústia de famílias que já enfrentam momentos de grande vulnerabilidade", diz.
Comentários
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.
Agora
