Flávio Bolsonaro minimiza críticas a vídeo por IA e defende corte de gastos
Reprodução Youtube/Band Jornalismo/Canal Livre
São Paulo - O candidato à Presidência da República pelo Partido Liberal (PL), Flávio Bolsonaro minimizou as críticas que recebeu após a exibição de um vídeo feito por inteligência artificial (IA) com seu pai, Jair Bolsonaro, referindo-se a ele como "herdeiro do bolsonarismo". O vídeo foi exibido durante a convenção nacional do PL que confirmou a candidatura de Flávio ao Executivo federal.
"Se uma inteligência artificial já causa essa apreensão no sistema, imagina se o presidente Bolsonaro estivesse aqui pessoalmente falando, defendendo o Brasil junto com a gente", afirmou em entrevista ao Canal Livre, da Rede Bandeirantes.
Para Flávio Bolsonaro, a reação das instituições à peça publicitária transmitida na convenção do partido é desproporcional. Segundo ele, o uso da tecnologia não configura deepfake. Flávio disse que o vídeo não teve intenção de ludibriar o eleitor, lembrando que a própria imagem gerada por IA começava a fala informando sua natureza artificial.
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O candidato do PL aproveitou a polêmica em torno do vídeo para reforçar o discurso de perseguição política sofrida por seu pai. Para ele, o uso da IA tem um "simbolismo gigantesco" por evidenciar que o Brasil não vive uma "democracia plena".
Regra para corte de gastos
O candidato afirmou que seu governo terá uma regra fiscal com uma espécie de gatilho para cortar despesas quando a dívida pelo PIB atingir determinado patamar - sem especificar, contudo, qual seria esse nível.
Flávio Bolsonaro, disse que um governo que chega a uma dívida de 81% do Produto Interno Bruto (PIB) é "gastador e irresponsável" e que a população sente o problema na prateleira do mercado, via inflação. Nesse sentido, defendeu que, com o Brasil endividado a uma taxa de juros "altíssima", não há outro mecanismo que não fazer um corte de gastos.
Na semana passada, o Banco Central (BC) informou que a dívida bruta do setor público consolidado (que inclui o governo federal, os Estados e municípios) alcançou o equivalente a 81,9% do PIB, o maior nível em mais de cinco anos.
Segundo Flávio, é possível cortar despesas ao combater a corrupção e fazendo o governo ser mais enxuto. "Temos 39 ministérios, podemos enxugar os ministérios", afirmou, acrescentando que irá fazer uso de Inteligência Artificial (IA) para fazer a governança.
O senador afirmou ainda que é preciso mudar a lógica de que aumentar a arrecadação via impostos, dizendo que a Margem Equatorial que, segundo ele, "tem uma reserva gigantesca e centenas de bilhões de reais para arrecadar", poderia conseguir mais receitas.
O filho 01 de Jair Bolsonaro também disse que o Bolsa Família tem que ser mantido e defendeu que "é preciso rever o papel do Supremo, que impacta a economia e a segurança jurídica".
Quanto a uma possível reforma da Previdência, o candidato do PL afirmou que não fará economia em cima de aposentado, mencionando que não congelará aposentadorias e defendendo "diferentes fundos de lastreamento".
Segurança pública
O candidato prometeu dobrar o orçamento da segurança pública em seu primeiro ano de governo, caso seja eleito, e reiterou que a pauta será prioritária. Na entrevista à Band, o senador comentou que seu plano para segurança traz 12 medidas iniciais. Dentre elas, a de manter ladrões de celulares presos.
Prometeu criar meio milhão de novas vagas em presídios para que as execuções penais sejam cumpridas, "ao contrário da atual política de desencarceramento".
Também destacou que deseja mudar a legislação para que "os marginais mais perigosos possam passar a pena quase integralmente presos", criando uma tipificação de pertencimento à organização criminosa. Em sua tese, afirma que indivíduos - "principalmente líderes" - que pertencem a organizações criminosas, como Comando Vermelho (CV), Primeiro Comando da Capital (PCC) ou milícias, seriam submetidos a penas que podem chegar a mais de 80 anos de cadeia.
(Por Caroline Aragaki e Sandra Mafrini)
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