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Geriatra defende voto em quem luta por políticas públicas para idosos

Palestrantes do 8º Fórum e Festival Longevidade discutem como ampliar o cuidado e a proteção de quem envelhece sem limitar o direito de escolha

Alexandre Barreto

Por Alexandre Barreto

25/09/2026 | 18h23

Marcos Hiroshi/VIVA

Painel do Fórum Longevidade debateu cuidado, proteção e autonomia na velhice - Marcos Hiroshi/VIVA
Painel do Fórum Longevidade debateu cuidado, proteção e autonomia na velhice
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O 8º Fórum e Festival Longevidade, realizado em São Paulo, destacou a importância de políticas públicas que garantam a proteção dos idosos sem comprometer sua autonomia, enfatizando a necessidade de um cuidado compartilhado entre Estado, famílias e sociedade.

Especialistas ressaltaram a Política Nacional de Cuidados, que estabelece direitos relacionados ao cuidado, e a necessidade de discutir os limites impostos aos familiares, além de promover uma rede de apoio que inclua a comunidade.

A Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo apresentou estratégias de proteção social, enfatizando a importância de fortalecer a proteção básica para prevenir vulnerabilidades, enquanto iniciativas como o Programa Maior Cuidado buscam apoiar idosos em situação de vulnerabilidade no domicílio.

Resumo gerado por IA

São Paulo - O cuidado de pessoas idosas precisa estar acompanhado de políticas públicas que garantam proteção sem retirar a autonomia de quem envelhece. Essa foi uma das principais discussões do painel “Cuidado, Proteção e Autonomia: o equilíbrio que protege quem envelhece”, realizado nesta sexta-feira, 25, no 8º Fórum e Festival Longevidade, em São Paulo.

Durante o encontro, especialistas ligadas à saúde, cuidados paliativos, envelhecimento e iniciativas comunitárias, defenderam o fortalecimento da rede de cuidado, a ampliação da assistência social e a participação das próprias pessoas idosas nas decisões sobre como querem ser cuidadas.

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“Precisamos eleger parlamentares, presidentes, que vão defender políticas públicas para idosos”, afirmou médica geriatra Karla Giacomin, da Associação Cuidadosa, ao destacar a necessidade de transformar o cuidado em uma responsabilidade compartilhada entre Estado, famílias e sociedade.

Karla Giacomin, da Associação Cuidadosa
Karla Giacomin, da Associação Cuidadosa - Marcos Hiroshi/VIVA

De acordo com Giacomin, a Política Nacional de Cuidados estabelece direitos relacionados ao cuidado, incluindo o direito de cuidar, ser cuidado e exercer o autocuidado.

Para ela, também é necessário discutir os limites impostos aos familiares que assumem essa responsabilidade. “E o nosso direito de não cuidar? Quando ele vai ser respeitado?”, questionou.

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“Respeitar a autonomia da pessoa que está sendo cuidada é mostrar como essa pessoa quer ser cuidada ou não”, complementou. A especialista disse que cuidar não deve significar decidir tudo pela pessoa idosa.

A preocupação também envolve situações em que o excesso de proteção pode limitar as escolhas de quem envelhece. A curatela, por exemplo, foi citada durante o debate como uma questão que precisa ser analisada considerando os direitos e a capacidade de decisão de cada pessoa.

A mediadora do encontro, Marcia Vieira, da Master Care Hub de Longevidade e Conacare, destacou que "a convivência também pode contribuir para preservar a autonomia".

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Além disso, foi citado que o cuidado não precisa ficar restrito aos serviços de saúde ou às instituições. Vizinhos, familiares e integrantes da comunidade também podem participar da rede de apoio.

Assistência social deve atuar antes da violência

Bianca Felício, gerontóloga da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo (SMADS), apresentou a perspectiva do poder público sobre a proteção social.

Ela afirmou que a assistência social trabalha com diferentes níveis de proteção e busca atuar tanto na prevenção de riscos quanto no atendimento de pessoas que já passaram por situações de violência ou vulnerabilidade.

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Para Bianca, o fortalecimento da proteção básica pode evitar que situações de vulnerabilidade avancem para casos que demandem medidas mais complexas.

Entre os serviços citados estão os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), núcleos de convivência, centros de convivência intergeracional e outros equipamentos da rede do Sistema Único de Assistência Social (SUAS).

O SUAS organiza os serviços de assistência social em diferentes níveis de proteção. "Na proteção básica, o objetivo é prevenir situações de risco e fortalecer vínculos familiares e comunitários", disse a especialista.

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Quando a situação de vulnerabilidade ou violência já está instalada, entram os serviços da proteção especial. “São redes que precisam ser fortalecidas para não precisar da proteção especial”, afirmou Bianca.

Ela também citou as Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) e os serviços de acolhimento para pessoas idosas em situação de rua como parte da rede destinada a situações que exigem proteção.

Karla Giacomin ainda apresentou experiências da Associação Cuidadosa relacionadas a políticas de cuidado. Entre elas está a avaliação do Programa Maior Cuidado, de Belo Horizonte, que articula assistência social e saúde para atender idosos em situação de vulnerabilidade no próprio domicílio.

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O programa oferece acompanhamento por cuidadores sociais e orientação às famílias, com participação de profissionais de diferentes áreas. A experiência foi utilizada para defender a necessidade de políticas que apoiem tanto a pessoa idosa quanto quem assume o cuidado dentro de casa.

O Estado precisa entrar ali, o cuidado precisa ser ofertado, a família precisa trabalhar, o idoso precisa de cuidado”.
Karla Giacomin, da Associação Cuidadosa

Segundo ela, quando familiares precisam abandonar o trabalho para cuidar de uma pessoa idosa, há impactos também sobre a renda e a seguridade social.

A sobrecarga de quem cuida também foi abordada por Elaine Mateus, do Programa CAPAz, voltado a pessoas com Alzheimer e suas famílias. Ela destacou que "as mulheres ainda assumem grande parte das atividades de cuidado" e defendeu a criação de redes de apoio para reduzir a sobrecarga.

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Para a especialista, além do acompanhamento profissional, as famílias precisam receber orientação para lidar com situações do cotidiano e compreender as atividades realizadas junto à pessoa com Alzheimer.

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