CONFIRA

Segurança para investir vem aos poucos e pede paciência, diz Anbima

Na dúvida para começar investir sempre escolha o que achar mais seguro, aconselha Marcelo Billi, superintendente da Anbima

Fabiana Holtz

Por Fabiana Holtz

25/09/2026 | 14h43

Marcos Hiroshi

Priorizar a sensação de segurança deve sempre fazer parte do processo ao investir, diz Billi - Marcos Hiroshi
Priorizar a sensação de segurança deve sempre fazer parte do processo ao investir, diz Billi
Ouvir texto 2:27 1x

A desorganização financeira dos brasileiros é mais relacionada a hábitos do que à falta de produtos financeiros, segundo Marcelo Billi, da Anbima, que destaca a importância de mudar comportamentos para melhorar a segurança financeira.

Embora o Brasil tenha um alto índice de inclusão financeira, muitos ainda enfrentam dificuldades devido à falta de educação financeira, com iniciativas como as da Anbima e Serasa oferecendo suporte gratuito para ajudar na organização financeira.

O presidente Lula deve anunciar a proibição das apostas online, uma medida que visa proteger as famílias e a economia popular, em resposta ao aumento do endividamento causado pela percepção equivocada de que apostas são investimentos.

Resumo gerado por IA

São Paulo - O primeiro passo para começar a investir está mais ligado a novos hábitos do que uma visão mais clara e precisa dos produtos financeiros, afirma Marcelo Billi, superintendente de Sustentabilidade, Inovação e Educação da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Presente ao 8º Fórum e Festival Longevidade, Billi falou sobre segurança financeira e longevidade no painel mediado por Luana Pavani, editora-chefe do portal VIVA, parceiro do Fórum.

Publicidade
Marcelo Billi, homem, branco, cabelos curtos e escuros, de terno
Para Marcelo Billi, o brasileiro ainda entende muito pouco sobre opções de investimento
Marcos Hiroshi

Segundo o superintendente, a desorganização financeira do brasileiro tem muito pouco a ver com os produtos disponíveis no mercado ou a escolha sobre qual é possível começar. "Não falta nada no Brasil tecnicamente se pensarmos em produtos financeiros."

Somado a isso, poucos países do mundo tem o índice de inclusão financeira que o Brasil tem. "O que falta é trabalhar o comportamento", afirma.

Para sair de vez do endividamento, argumenta Billi, buscar conteúdo de educação financeira em fontes confiáveis já ajuda bastante. Ele destaca que existem diversas iniciativas de auxílio gratuito, a mais conhecida delas é a do Serasa. "Tem a Planejar e a própria Anbima oferece programas que podem ajudar a organizar sua vida financeira", afirma. 

Publicidade
Quando falamos sobre saúde financeira, creio que não é possível ter um olhar individual. É preciso avaliar todo o contexto familiar, principalmente quando pensamos na longevidade."
Marcelo Billi, superintendente de Sustentabilidade, Inovação e Educação da Anbima

Isso porque o desequilíbrio financeiro de uma pessoa acaba atingindo o núcleo familiar como um todo.

E se começar pela poupança?

O produto que será escolhido para começar a investir, na visão de Billi, é secundário. Tudo bem começar com a caderneta de poupança, que não é o melhor produto em rentabilidade, se isto traz segurança ao investidor. Ou seja, não tem de esperar escolher o produto para começar a montar o fundo de emergência.

Começar pelo que considera o caminho mais seguro é o primeiro passo. O importante é sair da inércia e ir aprendendo aos poucos sobre o funcionando de outros produtos, afirma o superintendente da Anbima, para daí sim começar a planejar o futuro.

Publicidade

Um novo jeito de pensar a aposentadoria

Com a população vivendo mais, a dinâmica das pessoas para planejar a aposentadoria mudou. "O jeito que o mercado financeiro ainda trabalha o assunto precisa mudar. Fica parecendo que você precisaria deixar de viver a vida pra guardar para o futuro", diz Billi.

Segundo ele, os brasileiros precisam aprender a desacumular. "Há uma dificuldade em organizar essa fase de desacumulação."

Nesse contexto, os fundos de previdência passaram por um momento negativo nas últimas décadas, pela falta de informação e acabaram carregando um passivo reputacional que ainda prejudica sua popularidade entre os mais jovens. "Eles ainda carregam essa fama de péssimo investimento."

Publicidade

Hoje já temos os produtos de previdência privada adequados para isso, afirma o superintendente, e é preciso mostrar esses caminhos. As pessoas estão deixando de usá-lo por simples falta de conhecimento. No entanto, ele admite que são produtos complexos, com mecanismos difíceis de explicar. 

Bets x Investimentos

O representante da Anbima falou também sobre o impacto das bets no endividamento das famílias brasileiras. Recente pesquisa da associação revelou que o número de brasileiros que disse ter apostado pelo menos uma vez em 2025 cresceu de 15% para 17%. A percepção equivocada de buscar as apostas como forma de investimento se manteve em 20%, índice considerado muito alto.

São 4,5 milhões de pessoas que ainda acreditam estar investindo ao apostar."
Marcelo Billi

Segundo ele, há uma clara diferença de perfis no recorte por gênero e classe social quando se fala em plataformas de apostas.

Publicidade

Os homens de classe A/B apresentam um viés muito mais racional ao jogar, e dizem acreditar que entendem como funciona. Já as mulheres de classe C/D/E buscam nas bets uma estratégia de resolver um problema emergencial da vida.

Elas também sentem mais vergonha e acreditam estar fazendo algo condenável, enquanto eles afirmam não ver problemas em apostar.

A questão da proibição ou não das bets no País esta na ordem do dia. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve anunciar ainda nesta sexta-feira, 25, em São Paulo, a proibição do funcionamento das bets no Brasil.

Publicidade

Segundo nota divulgada mais cedo pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), o presidente irá apresentar "novas medidas de proteção às famílias e à economia popular". Fontes do governo confirmam que se trata da restrição às apostas online.

Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.