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AGU dá 72 horas para YouTube remover vídeos com falsos médicos feitos com IA

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A ação decorre de um levantamento do programa Saúde com Ciência, do Ministério da Saúde em parceria com outras instâncias - Adobe Stock
A ação decorre de um levantamento do programa Saúde com Ciência, do Ministério da Saúde em parceria com outras instâncias
Por Emanuele Almeida

09/09/2026 | 12h50

São Paulo - O YouTube foi notificado a agir contra perfis que utilizam avatares digitais feitos por inteligência artificial simulando profissionais de saúde para disseminar conteúdos enganosos. Ação partiu da Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia (PNDD), vinculada à Advocacia-Geral da União (AGU). 

A ação decorre de um levantamento do programa Saúde com Ciência, do Ministério da Saúde, que monitorou 97 perfis entre 1º de janeiro e 10 de julho de 2026. As constatações da investigação também foram repassadas à Polícia Federal e ao Conselho Federal de Medicina (CFM).

Fraude dos médicos sintéticos

O esquema investigado pela força-tarefa — composta pelo Ministério da Saúde, AGU e Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) — fundamenta-se no uso de personagens artificiais de aparência humana que usam:

  • Falsa autoridade: avatares utilizam qualificações profissionais fictícias e tom alarmista para simular credibilidade;
  • Público-alvo vulnerável: os conteúdos miram com frequência a população idosa, promovendo a venda de e-books, tratamentos e serviços pagos sem respaldo científico;
  • Riscos severos à saúde: a prática induz à automedicação, atrai pacientes para terapias ineficazes e pode levar ao atraso no diagnóstico correto ou até à interrupção e substituição de tratamentos essenciais.

Exigências para o YouTube

Diante da análise, a AGU formalizou a notificação extrajudicial com determinações claras e prazo de 72 horas para resposta por parte do YouTube:

  • Remoção Imediata: indisponibilização dos vídeos e conteúdos especificamente catalogados pelo Ministério da Saúde;
  • Rotulagem e contextualização: aplicação de alertas nos vídeos que deixem clara a natureza artificial dos personagens sintéticos;
  • Auditoria interna: avaliação dos demais canais citados no relatório à luz das próprias diretrizes do YouTube sobre conteúdo sintético e desinformação médica;
  • Prevenção: adoção de medidas e mecanismos permanentes para impedir a disseminação desse tipo de material fraudulento.

A medida governamental apoia-se no entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a responsabilidade de plataformas digitais frente a conteúdos ilícitos de terceiros, norma regulamentada pelo Decreto 12.975/2026. A AGU ressaltou ainda que as publicações violavam os próprios termos de uso da plataforma.

Essa iniciativa segue o mesmo modelo adotado em relação ao Telegram, que foi notificado após o Ministério da Saúde identificar 18 grupos comercializando comprovantes e passaportes vacinais falsificados — resultando no banimento dos grupos e de contas envolvidas. Para o Ministério da Saúde, garantir que a população acesse informações confiáveis em fontes oficiais é parte fundamental da proteção pública e do combate à fraude em saúde. 

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