Borderline pode surgir em adultos 50+ e exige diagnóstico especializado
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19/01/2026 | 08h16
São Paulo, 19/01/2026 - Para algumas pessoas, tudo é muito. É comum que pacientes tenham passado décadas com sofrimento emocional, relacionamentos caóticos e crises de impulsividade sem um diagnóstico adequado de borderline, como observa a psicóloga Josiele Sena, especialista em terapia cognitiva comportamental.
Segundo explicou ao VIVA, o diagnóstico tardio ocorre porque na maturidade alguns comportamentos tendem a diminuir - mas os padrões emocionais permanecem.
Com o passar dos anos, especialmente após os 40, 50 anos, reduzem esses comportamentos impulsivos. A pessoa tende a ficar mais funcional socialmente, porém, os padrões emocionais e relacionais costumam permanecer, como o medo do abandono e sentimentos crônicos de vazio e instabilidade afetiva”, afirma Sena.
O que é borderline?
Borderline é um transtorno de personalidade caracterizado por mudanças emocionais intensas e instabilidade no comportamento.
A psicóloga clínica Larissa Giomo, especialista em transtornos de humor e personalidade, explica que o borderline é marcado por emoções extremas. “A pessoa está sempre no limite, vivendo o famoso 8 ou 80”, diz.
Os primeiros sinais costumam surgir no fim da adolescência. A especialista aponta que comportamentos como automutilação, medo de abandono e reações exageradas diante de rejeição são indícios de que algo precisa de atenção. “Quando essas reações são muito intensas e constantes, é hora de buscar ajuda profissional”, alerta.
Segundo ela, o transtorno pode afetar tanto homens quanto mulheres e costuma estar relacionado a experiências traumáticas na infância e adolescência.
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Apontado como um transtorno complexo, o borderline pode estar ligado a fatores ambientais e familiares. “Normalmente, pessoas diagnosticadas vêm de contextos de abuso, negligência emocional ou ambientes hostis”.
A busca constante por aprovação e o medo de rejeição fazem com que situações simples se tornem motivo de crise nas relações amorosas. “Pequenas situações podem gerar reações muito intensas, como choro, discussões e comportamentos impulsivos”, explica Giomo.
Como diferenciar borderline de bipolaridade?
Muita gente confunde o comportamento do borderline com o de uma pessoa bipolar. Os dois transtornos costumam ser confundidos, mas possuem diferenças. “O bipolar tem oscilações de humor mais prolongadas, enquanto o borderline apresenta instabilidade emocional mais curta e pontual, desencadeada por gatilhos como brigas ou o medo de abandono”, esclarece Larissa Giomo.
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Apesar de não ter cura, o transtorno tem bom prognóstico quando tratado. O tratamento do borderline é eficaz quando feito de forma contínua. “Cerca de 80% do tratamento é realizado com psicoterapia", diz a psicóloga, que defende a linha da terapia comportamental dialética para o transtorno.
Josiele Sena concorda. "A psicoterapia é o eixo central do tratamento. Estudos científicos confirmaram que a DBT [Terapia Comportamental Dialética] de Marsha Linehan é o padrão ouro para o transtorno de personalidade borderline. A medicação não trata o transtorno, apenas ajuda com sintomas específicos".
Quem convive com uma pessoa diagnosticada deve manter uma comunicação clara e procurar apoio de profissionais para entender o transtorno e aprender a lidar com as crises.
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