Como escolher chocolates mais saudáveis na Páscoa e em qual quantidade?
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São Paulo - É só a Páscoa se aproximar que os supermercados passam a exibir uma infinidade de barras, caixas de bombom e ovos de chocolate nas prateleiras. Entre embalagens chamativas e diferentes sabores, muitos consumidores acabam escolhendo apenas pelo visual ou pelo preço, sem perceber que pequenas informações no rótulo podem ajudar a identificar opções com menos açúcar ou mais adequadas para quem busca manter a dieta saudável.
Em janeiro, uma pesquisa do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (Cena-USP), em Piracicaba, analisou 211 amostras de 116 marcas de chocolate em barra vendidas no Brasil e os resultados não foram tão positivos.
Embora a maioria dos produtos tenha apresentado a quantidade mínima de cacau exigida pela legislação nacional, a análise química do estudo mostrou que muitos dos que prometem chocolate amargo, na verdade não tem a porcentagem de cacau esperada para esse item.
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De olho na quantidade de cacau
Para fazer uma boa escolha, a nutricionista funcional e integrativa Luanna Caramalac explica ao VIVA que "o ideal é dar preferência a chocolates com 70% ou mais de cacau, que costumam ter menos açúcar e maior concentração de compostos antioxidantes".
Porém, para garantir a devida qualidade, ela diz que "é importante observar a lista de ingredientes, evitando produtos com excesso de açúcar ou com adoçantes artificiais de baixa qualidade".
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Vale a pena consumir chocolates diet?
Nem sempre. Para a nutricionista, os melhores são os chocolates com maior teor de cacau, mas é essencial ir além da embalagem e ler o rótulo com atenção. "Hoje existem muitos produtos que parecem mais saudáveis, mas que acabam tendo alto teor de açúcar ou adoçantes artificiais que podem ser inflamatório", pontua.
Por isso, o ideal é verificar a porcentagem real de cacau e observar a lista de ingredientes. "Um bom chocolate geralmente tem poucos ingredientes e maior concentração de cacau."
É saudável comer chocolate?
A especialista destaca que sim, é possível consumir chocolate de vez em quando. "A chave está sempre no equilíbrio. Tudo o que ingerimos em excesso pode trazer algum impacto. Até mesmo a água, quando consumida em grandes quantidades, pode causar alterações no organismo", pondera.
De forma geral, uma pequena porção diária pode ser perfeitamente aceitável. Algo em torno de 25 gramas de chocolate por dia, que equivale aproximadamente a dois quadradinhos de uma barra, já permite aproveitar o sabor sem exageros."
Ela observa ainda que em idosos saudáveis essse consumo tamém é aceitável, desde que a busca pela qualidade do alimento seja ainda mais atenta. "Não necessariamente pela idade em si, mas principalmente pela qualidade do chocolate escolhido, que é o fator determinante".
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Qual chocolate escolher?
Apesar da variedade disponível no mercado, observar a composição nutricional pode ajudar a fazer escolhas mais equilibradas. Segundo o médico Edson Ramuth, fundador da Emagrecentro, olhar atentamente a tabela nutricional e a lista de ingredientes permite entender melhor a qualidade do produto antes da compra.
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"Muitas vezes a decisão acontece pela embalagem ou pela marca, mas o rótulo traz informações importantes que ajudam o consumidor a identificar a quantidade de açúcar, o tipo de gordura utilizado e a presença de ingredientes de melhor qualidade", explica.
Para ajudar na escolha, o médico aponta algumas orientações práticas:
- Prefira chocolates com mais de 50% de cacau
O percentual de cacau costuma indicar a quantidade de açúcar presente no produto. "Chocolates com 50%, 60% ou 70% de cacau normalmente têm menor adição de açúcar em comparação às versões tradicionais ao leite. Quanto maior o percentual de cacau, menor tende a ser a quantidade de açúcar adicionada. Por isso, observar essa informação na embalagem é uma forma simples de fazer uma escolha mais equilibrada", orienta Ramuth.
- Observe qual ingrediente aparece primeiro na lista
A lista de ingredientes sempre aparece em ordem de quantidade, do maior para o menor.
"Quando açúcar, xarope de glicose ou açúcar invertido aparecem logo no início, isso indica maior concentração desses ingredientes. Se o açúcar aparece entre os primeiros itens da lista, significa que ele está presente em grande proporção. O ideal é que a massa de cacau apareça primeiro", explica o médico.
- Compare a quantidade de açúcar na tabela nutricional
Outra estratégia importante é observar quantos gramas de açúcar existem em cada porção.
"Comparar diferentes marcas pode ajudar o consumidor a identificar opções com menor teor. A tabela nutricional permite comparar produtos semelhantes e entender qual deles apresenta menor concentração de açúcar".
- No chocolate branco, prefira os que têm manteiga de cacau
Algumas versões de chocolate branco utilizam gorduras vegetais hidrogenadas ou fracionadas no lugar da manteiga de cacau, o que pode reduzir a qualidade do produto. Segundo o médico, quando a manteiga de cacau é substituída por outras gorduras, o produto perde qualidade nutricional.
"Por isso, vale sempre verificar na lista de ingredientes se a manteiga de cacau aparece entre os principais componentes".
- Atenção aos complementos
Recheios como brigadeiro, creme de avelã, caramelo ou biscoitos costumam concentrar ainda mais açúcar e gordura. "Essas versões costumam ter composição mais calórica. Optar por chocolates com menos recheios ou com maior teor de cacau pode ajudar a reduzir o consumo de açúcar", relata.
O chocolate pode fazer parte da alimentação, mas o ideal é evitar exageros e manter porções moderadas ao longo do dia".
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