Comprar remédio no supermercado? Entenda o que foi aprovado no Senado
Projeto de lei aprovado no Senado quer que supermercados vendam medicamentos, desde que seja em uma farmácia separada fisicamente dos outros setores
Por Bianca Bibiano
18/09/2025 | 09h55 ● Atualizado | 19h38Envato
São Paulo, 18/09/2025 - A Comissão de Assuntos Sociais do Senado Federal aprovou o projeto de lei que permite que supermercados vendam medicamentos, desde que isso aconteça em uma farmácia instalada nas suas dependências. O relator, senador Humberto Costa (PT-PE) apresentou um substitutivo ao PL 2.158/2023, do senador Efraim Filho (União-PB).
O novo texto não autoriza a venda de medicamentos diretamente nas gôndolas dos supermercados, mas permite a instalação, dentro deles, uma farmácia ou drogaria completa, desde que atendidas todas as normas legais e sanitárias e separada fisicamente dos outros setores.
O projeto inicial era ofertar apenas medicamentos isentos de prescrição médica, com a possibilidade de contar com um farmacêutico presencial ou virtual. Pelo texto aprovado ontem, além de serem colocados em um ambiente a parte, esses estabelecimentos precisarão ter farmacêutico em tempo integral.
Para Humberto Costa, a versão aprovada, mais restritiva e técnica, "equilibra o aumento do acesso com a segurança sanitária e a proteção à saúde pública", evitando os riscos da automedicação. O parecer segue agora para a análise da Câmara dos Deputados, caso não haja requerimento para votação em Plenário. Ou seja, a regra ainda não está valendo.
Setores elogiam
Em nota, a Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) diz que o texto aprovado "significa um grande avanço em relação ao projeto original, que autorizava a venda de medicamentos isentos de prescrição nas gôndolas de supermercados, como qualquer produto e sem qualquer cuidado de armazenamento, controle e manipulação".
Coloca também que o substitutivo "atendeu a pontos fundamentais levantados pela Abrafarma nos últimos meses, durante a discussão do projeto: respeito a normas sanitárias, assistência do farmacêutico de forma contínua, garantia de segurança e rastreamento dos medicamentos."
Um dos pontos levantados pela organização é o ganho financeiro para o setor. "A proposta final aprovada pelo Senado abre oportunidade de parcerias entre as redes de farmácia e setor supermercadista, em especial para aqueles que não optarem por explorar a venda de medicamentos com bandeira própria."
O setor supermercadista, representado pela Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), Associação Brasileira dos Atacarejos (ABAAS) e Associação Brasileira de Atacadista e Distribuidores (ABAD), destacou em nota que reconhece a importância da aprovação do tema na Comissão de Assuntos Sociais do Senado. "A proposta beneficia diretamente o consumidor, garantindo maior acesso a medicamentos com a segurança e o rigor exigidos pelas normas da Anvisa. O texto é um avanço para o país, e o setor seguirá acompanhando sua tramitação."
Em maio, o grupo solicitou uma pesquisa ao Instituto Datafolha sobre o acesso a medicamentos isentos de prescrição médica, revelando que 73% acreditam que a venda em supermercados traria mais praticidade à rotina.
Em maio, o grupo solicitou uma pesquisa ao Instituto Datafolha sobre o acesso a medicamentos isentos de prescrição médica, revelando que 73% acreditam que a venda em supermercados traria mais praticidade à rotina.
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