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Excesso de telas pode causar sintomas similares aos de autismo em crianças

Psiquiatra diz que crianças que ficam várias horas por dia diante de celulares ou computadores podem registrar sintomas que se assemelham ao autismo

Bianca Bibiano

Por Bianca Bibiano

14/08/2026 | 13h17

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A superexposição pode comprometer habilidades essenciais e gerar impactos a curto e longo prazo, diz psiquiatra - Adobe Stock
A superexposição pode comprometer habilidades essenciais e gerar impactos a curto e longo prazo, diz psiquiatra
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São Paulo - O uso prolongado de telas, seja via televisores, computadores, tablets e, sobretudo, smartphones, pode contribuir para alterações no sono, dificuldades de atenção, quadros de hiperatividade, isolamento social, ansiedade e depressão infantil, especialmente quando associado a conteúdos altamente estimulantes e redes sociais.

De acordo com a psiquiatra infantil Luana Gomez, do Hospital HSANP (SP), em situações mais graves há registros de sintomas que se assemelham a transtornos do espectro autista. E a exposição antes dos dois anos de idade é particularmente preocupante, explica:

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É comum observarmos crianças bem pequenas em contato frequente com telas, o que não é recomendado. Trata-se de um período crítico para o desenvolvimento linguístico, cognitivo e emocional. A superexposição pode comprometer habilidades essenciais e gerar impactos a curto e longo prazo."

De acordo com Guia sobre usos de dispositivos digitais, do governo federal, para crianças e adolescentes, divulgado em 2025, é recomendado que uma criança com menos de 12 anos não tenha um aparelho celular ou tablet próprio, para que seja evitado o uso em excesso nas fases mais importantes do desenvolvimento cognitivo.

"A dopamina que é liberada pelas telas, principalmente em vídeos que proporcionam um grande estímulo em um curto tempo, pode causar um ciclo de dependência pelos aparelhos, a ponto de a condição ter sido considerada até como uma ‘demência digital’, devido a possível deterioração causada no sistema cognitivo destas crianças e adolescentes", complementa a psiquiatra.

Tempo de tela para cada idade

Diante desses riscos, o guia sobre usos de dispositivos digitais recomenda não permitir que as crianças e adolescentes fiquem isolados nos quartos com televisão, computador, tablet, celular, smartphones ou com uso de webcam, além de estimular o uso nos locais comuns da casa.

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No que diz respeito ao tempo de uso, a publicação orienta a seguinte regra por faixa de idade:

  • Até 2 anos: evitar exposição a telas, sem necessidade.
  • Entre 2 e 5 anos: limitar o tempo diário de telas ao máximo de 1h/dia, sempre com supervisão de pais, pessoas cuidadoras e responsáveis.
  • Entre 6 e 10 anos: limitar o tempo diário de telas ao máximo de 1h-2h/dia, sempre com supervisão de pais, pessoas cuidadoras e responsáveis.
  • Entre 11 e 17 anos: limitar o tempo de telas e jogos de videogames a 2-3h/dia, e nunca deixar “virar a noite” jogando.
  • Para todas as idades: nada de telas durante as refeições e desconectar cerca de 1 a 2 horas antes de dormir.

A psiquiatra Luana Gomez defende que "a proibição total do uso de telas não é a solução, e sim, um uso que não seja excessivo, algo que também vale para os adultos", e complementa:

A tecnologia é parte integrante da vida contemporânea e o desafio é estabelecer limites claros e incentivar outras formas de interação e aprendizagem. Quando necessário, a avaliação especializada é fundamental para evitar que prejuízos emocionais e cognitivos se prolonguem ao longo da vida".

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