Excesso de telas pode causar sintomas similares aos de autismo em crianças
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São Paulo - O uso prolongado de telas, seja via televisores, computadores, tablets e, sobretudo, smartphones, pode contribuir para alterações no sono, dificuldades de atenção, quadros de hiperatividade, isolamento social, ansiedade e depressão infantil, especialmente quando associado a conteúdos altamente estimulantes e redes sociais.
De acordo com a psiquiatra infantil Luana Gomez, do Hospital HSANP (SP), em situações mais graves há registros de sintomas que se assemelham a transtornos do espectro autista. E a exposição antes dos dois anos de idade é particularmente preocupante, explica:
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É comum observarmos crianças bem pequenas em contato frequente com telas, o que não é recomendado. Trata-se de um período crítico para o desenvolvimento linguístico, cognitivo e emocional. A superexposição pode comprometer habilidades essenciais e gerar impactos a curto e longo prazo."
De acordo com Guia sobre usos de dispositivos digitais, do governo federal, para crianças e adolescentes, divulgado em 2025, é recomendado que uma criança com menos de 12 anos não tenha um aparelho celular ou tablet próprio, para que seja evitado o uso em excesso nas fases mais importantes do desenvolvimento cognitivo.
"A dopamina que é liberada pelas telas, principalmente em vídeos que proporcionam um grande estímulo em um curto tempo, pode causar um ciclo de dependência pelos aparelhos, a ponto de a condição ter sido considerada até como uma ‘demência digital’, devido a possível deterioração causada no sistema cognitivo destas crianças e adolescentes", complementa a psiquiatra.
Tempo de tela para cada idade
Diante desses riscos, o guia sobre usos de dispositivos digitais recomenda não permitir que as crianças e adolescentes fiquem isolados nos quartos com televisão, computador, tablet, celular, smartphones ou com uso de webcam, além de estimular o uso nos locais comuns da casa.
No que diz respeito ao tempo de uso, a publicação orienta a seguinte regra por faixa de idade:
- Até 2 anos: evitar exposição a telas, sem necessidade.
- Entre 2 e 5 anos: limitar o tempo diário de telas ao máximo de 1h/dia, sempre com supervisão de pais, pessoas cuidadoras e responsáveis.
- Entre 6 e 10 anos: limitar o tempo diário de telas ao máximo de 1h-2h/dia, sempre com supervisão de pais, pessoas cuidadoras e responsáveis.
- Entre 11 e 17 anos: limitar o tempo de telas e jogos de videogames a 2-3h/dia, e nunca deixar “virar a noite” jogando.
- Para todas as idades: nada de telas durante as refeições e desconectar cerca de 1 a 2 horas antes de dormir.
A psiquiatra Luana Gomez defende que "a proibição total do uso de telas não é a solução, e sim, um uso que não seja excessivo, algo que também vale para os adultos", e complementa:
A tecnologia é parte integrante da vida contemporânea e o desafio é estabelecer limites claros e incentivar outras formas de interação e aprendizagem. Quando necessário, a avaliação especializada é fundamental para evitar que prejuízos emocionais e cognitivos se prolonguem ao longo da vida".
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