Beijo transmite IST? Especialista explica riscos e como se prevenir no Carnaval
Tânia Rêgo/Agência Brasil
São Paulo, 13/02/2026 - O Carnaval é um período de festa, encontros, beijos, entre outras relações, o que pode elevar o risco de exposição a Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). O Ministério da Saúde reforça o uso de métodos de prevenção nessa época, como a camisinha.
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O que são ISTs?
As ISTs são infecções causadas por vírus, bactérias ou outros agentes e são transmitidas principalmente pelo contato sexual desprotegido – dados do Ministério da Saúde apontam que 6 a cada 10 brasileiros não faz uso de preservativos durante as relações sexuais. Contudo, também é necessária a atenção redobrada do folião para outras formas de contágio.
Quais são as formas de se pegar IST?
Embora a transmissão sexual seja a mais conhecida, é fundamental estar atento a outros riscos durante os blocos e festas.
A médica infectologista Simone Sena Fernandes da Conexa explica outras formas de infecção:
- Beijo e contatos íntimos: o contato direto com lesões de pele ou mucosas, como as de sífilis ou herpes, deve ser evitado, inclusive em beijos, sexo oral e contatos íntimos mesmo sem penetração;
- Compartilhamento de objetos: nunca compartilhe objetos cortantes, como lâminas ou materiais de manicure, que podem transmitir vírus como o da hepatite B, C, HIV e HTLV;
- Drogas injetáveis: o uso de seringas compartilhadas continua sendo uma fonte importante de contaminação por HIV e hepatites.
"O folião deve estar atento a nunca compartilhar objetos cortantes como lâminas ou materiais de manicure, que podem transmitir vírus como o da hepatite C, hepatite B, HIV, HTLV, por exemplo", adiciona a especialista.
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Quais são as principais ameaças?
Durante o Carnaval, há uma alta circulação de infecções como HIV, sífilis, gonorreia, herpes genital e HPV. Muitas vezes, essas infecções apresentam sintomas muito discretos inicialmente ou passam despercebidas.
Existem ainda infecções menos comentadas, mas igualmente perigosas, Fernandes cita infecções como as hepatites virais A, B e C, a Monkeypox (varíola dos macacos), além de vaginoses e uretrites causadas por diversos agentes (como clamídia).
“A hepatite A, por exemplo, pode ser transmitida por via sexual devido à sua transmissão fecal-oral”, explica.
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Estratégias de prevenção
A prevenção combinada é a melhor escolha para o folião:
- Preservativo: continua sendo essencial para proteger contra a maioria das ISTs;
- PrEP (Profilaxia Pré-Exposição): é um método altamente eficaz para prevenir a infecção pelo HIV, sendo indicado para pessoas com maior risco de exposição (múltiplas parcerias, uso inconsistente de preservativos, etc.). A infectologista, porém, alerta que a PrEP não protege contra outras ISTs; por isso, seu uso deve ser acompanhado de preservativos e testagens periódicas.
- Testagem: Realizar exames regularmente ajuda no diagnóstico precoce e evita complicações.
Após o feriado, é preciso monitorar o surgimento de sintomas como febre, dores no corpo, manchas na pele ou feridas genitais.
Em casos de exposição de risco ao HIV, a recomendação é buscar a Profilaxia Pós-Exposição (PEP) em até 72 horas.
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