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Demanda por crédito cresce 14% em 2025 mesmo com Selic a 15%, diz pesquisa

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Segundo a Serasa, o crédito é essencial no fluxo de caixa das famílias - Envato
Segundo a Serasa, o crédito é essencial no fluxo de caixa das famílias
Por Broadcast

13/02/2026 | 16h28

São Paulo, 13/02/2026 - A demanda de brasileiros por crédito fechou 2025 com alta de 14%, segundo maior avanço anual na série histórica iniciada em 2015. Os dados, do Indicador de Demanda dos Consumidores por Crédito da Serasa Experian, chamam a atenção considerando taxa Selic a 15% ao ano a partir de junho, no maior nível desde 2006, e taxa de desemprego na mínima histórica.

A maior alta anual na busca por crédito ocorreu entre 2020 e 2021, de 19,4%, quando a taxa básica de juros caiu de 4,50% em janeiro de 2020 para alcançar mínima histórica de 2% em agosto. Em seguida, a demanda por crédito cedeu 8,6% entre 2021 e 2022, considerando que o Banco Central (BC) iniciou um ciclo de restrição monetário a partir de março de 2021, levando a Selic a 13,75% ao ano em agosto de 2022.

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"Diferentemente do ciclo de elevação de juros anterior, quando houve de fato alguma contribuição para desaquecer a demanda por crédito, em 2025 entendemos que o crédito - principalmente nas faixas de menor renda - acaba sendo essencial no fluxo de caixa das famílias", avalia a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, em entrevista à Broadcast.

Para Abdelmalack, a dicotomia - tanto considerando Selic elevada, quanto desemprego na mínima histórica - em relação à busca por crédito ocorre porque, em média, a população brasileira tem cerca de 70,5% da renda comprometida com pagamentos de serviços de dívida e gastos do dia a dia. O dado em questão também é da Serasa.

Isso mostra o quão alavancado está o consumidor, como é pequeno o espaço para acomodar situações imprevisíveis."

A economista menciona, ainda, que a digitalização e o desenvolvimento do sistema financeiro contribuíram para aumentar a penetração do público na procura por crédito - algo que não era tão visto há dez anos. Outro ponto fundamental foi a propagação da linha do consignado privado, o que acabou pulverizando a linha de crédito e puxando a demanda.

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Baixa renda puxa demanda

O Indicador de Demanda dos Consumidores por Crédito mostra que, em 2025, os consumidores de menor renda mensal foram os que puxaram o maior crescimento na busca por recursos financeiros. Aqueles com renda de até 1 salário-mínimo registraram alta de 19,5%, seguidos pelos consumidores com rendimentos entre 1 e 2 salários-mínimos, com avanço de 19,4% no acumulado do ano. Já o menor crescimento foi observado entre os consumidores com renda entre 2 e 5 salários-mínimos, que apresentaram variação de 2,2%.

A tendência de alta do indicador foi identificada em todas as Unidades Federativas ao longo de 2025, ainda que com intensidades distintas. Os maiores avanços no acumulado do ano foram registrados em Roraima (23,1%), Amazonas (21,6%), Acre (19,7%), Tocantins (19,4%) e Alagoas (17,3%), colocando as regiões Norte e Nordeste como principais na busca dos consumidores por crédito.

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Metodologia

O Indicador Serasa Experian da Demanda do Consumidor por Crédito é construído a partir de uma amostra significativa de CPFs, consultados mensalmente na base de dados da Serasa Experian. A quantidade de CPFs consultados, especificamente nas transações que configuram alguma relação creditícia entre os consumidores e instituições do sistema financeiro ou empresas não financeiras, é transformada em número índice (média de 2024 = 100). O indicador é segmentado por UF e por classe de rendimento mensal.

(Por Caroline Aragaki)

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