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Lapsos de memória nem sempre são demência, diz pesquisadora americana

A pesquisadora da Universidade Rutgers destaca que o cérebro ganha novas capacidades ao longo da vida, apesar das mudanças cognitivas

Emanuele Almeida

Por Emanuele Almeida

21/09/2026 | 13h41

Reprodução/YouTube/Supera

A psicóloga ressaltou que o cérebro também ganha habilidades com o envelhecimento, como a ampliação do vocabulário, conhecimento cultural e maior habilidade de leitura emocional e social - Reprodução/YouTube/Supera
A psicóloga ressaltou que o cérebro também ganha habilidades com o envelhecimento, como a ampliação do vocabulário, conhecimento cultural e maior habilidade de leitura emocional e social
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Mudanças na velocidade de raciocínio e foco atencional são parte do envelhecimento saudável, conforme destacou a neuropsicóloga Sharon Simon durante evento em São Paulo, que visa conscientizar sobre a Doença de Alzheimer e outras condições neurodegenerativas.

Simon sugeriu métodos práticos para lidar com a hiperestimulação, como o uso de ferramentas de apoio e a importância de desconectar-se das redes sociais, enfatizando que o excesso de conectividade pode prejudicar relacionamentos e a saúde mental.

Resumo gerado por IA

São Paulo - As mudanças na velocidade de raciocínio e no foco atencional fazem parte do envelhecimento saudável e não significam obrigatoriamente uma doença cerebral. A afirmação foi destacada pela psicóloga clínica e neuropsicóloga Sharon Simon, pesquisadora da Universidade Rutgers (EUA), durante a 8ª edição do evento "Despertando a Sociedade para a Saúde do Cérebro".

O encontro aconteceu no último sábado, 19,  em São Paulo, é uma iniciativa do Supera em parceria com a Associação Brasileira de Gerontologia (ABG). A programação integra o movimento Setembro Lilás, voltado para a conscientização e prevenção da Doença de Alzheimer e de outras condições neurodegenerativas.

Sharon Simon esclareceu que a redução na velocidade de processamento das informações é a primeira mudança observada no cérebro e costuma iniciar relativamente cedo, por volta dos 30 anos.

No entanto, ela ressaltou que envelhecer não se resume a perdas: o cérebro ganha novas capacidades ao longo da trajetória de vida, como a ampliação do vocabulário, o acúmulo de conhecimento cultural e uma maior habilidade de leitura emocional e social.

No curso do envelhecimento normal saudável a gente pode precisar de mais tempo e mudar as estratégias com que a gente faz as coisas no dia a dia".
Sharon Simon

No campo da memória, a especialista fez distinções cruciais:

  • Memória semântica e autobiográfica: recordações da infância, fatos marcantes como o nascimento de filhos ou netos, além de conhecimentos gerais, tendem a permanecer bem preservados;
  • Memória episódica: fatos recentes, nomes de pessoas recém-conhecidas ou números novos são dados que declinam com mais facilidade após os 60 anos.

A especialista reforçou que ter lapsos pontuais na memória episódica não significa perda total nem representa, por si só, o diagnóstico de uma demência. Ela complemeta explicando que muitas falhas de atenção e memória podem ser provocadas por fatores reversíveis, como estresse, ansiedade, episódios depressivos ou noites mal dormidas.

O mito da multitarefa 

Durante a palestra, a pesquisadora desfez a ideia de que o cérebro é capaz de executar duas tarefas cognitivas complexas de forma simultânea. Ela pontua que, o que se convencionou chamar de "multitarefa" é, na realidade, uma alternância rápida de foco (task switching). Sendo assim, essa sucessão constante de trocas exige um esforço cerebral elevado, provocando cansaço mental e aumentando a incidência de erros. 

"O cérebro não processa duas atividades cognitivas complexas simultaneamente. Então, se você quiser participar de duas reuniões ao mesmo tempo em duas telas de computadores diferentes provavelmente você não vai participar de nenhuma", explicou a especialista. 

Como alternativa, a especialista propôs o exercício da metacognição, a capacidade de observar a própria atenção e avaliar criticamente a rotina em "piloto automático".

Para exemplificar, Sharon Simon apresentou resultados de pesquisas conduzidas em seu laboratório em Rutgers, com o Breakfast Game, um jogo que simula tarefas cotidianas na cozinha. Os estudos demonstraram que o treino da flexibilidade cognitiva por meio da estratégia de "mudança de ênfase" — em que o indivíduo altera conscientemente a prioridade atencional entre diferentes ações — melhora o desempenho do cérebro em outros testes cognitivos.

Exercícios para o dia a dia

Para lidar com a hiperestimulação do dia a dia, a neuropsicóloga sugere métodos simples de organização "de fora para dentro":

  • Ferramentas de apoio: uso de agendas, calendários, listas de afazeres e alarmes para aliviar a carga mental;
  • Reforço auditivo: falar em voz alta o local onde guardou um objeto ou repetir o nome de alguém recém-conhecido envia uma mensagem sensorial extra ao cérebro, facilitando a retenção da informação;
  • Previsibilidade: manter lugares fixos para armazenar itens de uso diário poupa energia cognitiva;
  • Pausa reflexiva: dar "um passo atrás" e analisar prós e contras antes de agir por impulso diante de múltiplas exigências;

Por fim, a especialista alertou para a necessidade de aprender a se desconectar das telas e redes sociais: "A gente está desaprendendo a desconectar. Quem nunca viu uma mesa com pessoas todas no celular quando elas podiam estar olhando olho no olho, batendo um papo?", alertou. 

Segundo Sharon, o excesso de conectividade virtual pode isolar as pessoas no ambiente físico e enfraquecer vínculos afetivos reais. Ela reforça que, cultivar o silêncio, priorizar o que é essencial e saber dizer não são decisões diárias indispensáveis para preservar tanto a saúde emocional quanto a saúde do cérebro. 

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