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Nem toda dor ciática vem da coluna; saiba o que é a síndrome do piriforme

Dor ciática ou piriforme? Entenda a condição dolorosa que travou a perna de Adriane Galisteu e saiba se o seu treino ou trabalho oferece riscos

Emanuele Almeida

Por Emanuele Almeida

21/05/2026 | 08h22

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O piriforme é um músculo pequeno e profundo da região glútea, localizado "por baixo" do glúteo máximo, na região do quadril - Adobe Stock
O piriforme é um músculo pequeno e profundo da região glútea, localizado "por baixo" do glúteo máximo, na região do quadril
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São Paulo - O piriforme é um músculo pequeno e profundo da região glútea, localizado "por baixo" do glúteo máximo, na região do quadril. Sua função é estabilizar o quadril e realizar movimentos como a rotação da coxa.

De acordo com o ortopedista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Marcelo Risso a importância desse músculo reside na sua proximidade com o nervo ciático, que em algumas pessoas pode ter uma relação anatômica ainda mais íntima e, em algumas ocasiões, pode causar problemas. 

Leia também: Dor no nervo ciático: saiba o que causa, como tratar e prevenir o problema

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Como acontece a síndrome do piriforme?

A síndrome ocorre quando este músculo fica irritado, inflamado, encurtado ou em espasmo, acabando por comprimir ou irritar o nervo ciático. Como explica Risso, esse quadro gera dor na nádega e no quadril, podendo irradiar para a parte de trás da perna com sensações de queimação, formigamento ou dormência.

A síndrome foi mais conhecida após relato da apresentadora Adriane Galisteu, de 52 anos, que compartilhou em suas redes sociais um relato angustiante sobre dores intensas que a faziam "arrastar a perna" ao caminhar.

A artista descreveu a sensação como "enfiar uma faca na perna e, de vez em quando, alguém vai lá e dá uma giradinha”. 

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Síndrome do piriforme X dor ciática 

A confusão entre a síndrome do piriforme e a dor no ciático tradicional é comum porque os sintomas são muito semelhantes. No entanto, Marcelo Risso esclarece a distinção fundamental:

Na dor no ciático mais clássica, a origem costuma estar na coluna, como em uma hérnia de disco ou estenose do canal lombar. Já na síndrome do piriforme, o problema geralmente está na região glútea".

Embora a síndrome seja considerada uma patologia muito mais rara do que a lombociatalgia (que vem da coluna), ela pode representar entre 5% a 6% dos casos de ciática na população.

O especialista enfatiza, porém, que o mais importante é identificar a causa exata para tratar de forma direcionada, pois, "nem toda dor que parece ciática vem da coluna".

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Sintomas

O sinal mais clássico da síndrome é uma dor profunda na região da nádega, geralmente em apenas um dos lados. Esta dor tende a piorar em situações específicas, como:

  • Ficar muito tempo sentado;
  • Subir escadas, correr ou caminhar por longos períodos;
  • Realizar movimentos de rotação do quadril.

Além da dor, o paciente pode sentir um "peso" na perna ou parestesia (formigamento). Risso alerta que sinais como perda de força ou dificuldade para andar são alertas graves que exigem avaliação médica imediata.

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O diagnóstico é predominantemente clínico e de exclusão, muitas vezes exigindo descartar outras causas de dor irradiada.

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Gatilhos e grupos de risco

O caso de Galisteu ilustra um gatilho comum: ela desconfia que "errou o peso" durante um exercício de agachamento. Marcelo Risso confirma que aumentar a carga de exercício de forma brusca, treinar sem aquecimento e fazer movimentos repetitivos são comportamentos que podem desencadear a dor.

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Segundo ele, o "grupo de risco" para a síndrome do piriforme inclui:

  • Profissionais que ficam horas sentados, como motoristas e quem trabalha ao computador;
  • Atletas, especialmente corredores e ciclistas, devido ao excesso de treino ou falta de alongamento adequado;
  • Pessoas sedentárias com musculatura encurtada ou fraqueza nos glúteos.

Cuidados e tratamento

A boa notícia é que a maioria dos casos responde bem ao tratamento conservador e não invasivo. Risso destaca que o primeiro passo é reduzir temporariamente as atividades que pioram a dor, mas ressalta que "o movimento é importante, mas precisa ser ajustado".

As medidas recomendadas incluem:

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  • Fisioterapia: envolvendo alongamentos específicos para o piriforme e fortalecimento dos glúteos e quadril;
  • Mudanças de hábito: levantar-se em intervalos regulares, evitar a má postura ao sentar e nunca ignorar os primeiros sinais de dor;
  • Medicação: o uso de analgésicos e anti-inflamatórios ajuda a controlar a fase aguda.

O especialista do Oswaldo Cruz reforça que o acompanhamento regular é essencial, especialmente se a dor for persistente. Casos que não respondem à terapia convencional podem, em última instância, exigir intervenção cirúrgica para aliviar a compressão nervosa. 

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