Dor no nervo ciático: saiba o que causa, como tratar e prevenir o problema
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Por Joyce Canele
redacao@viva.com.brSão Paulo, 26/01/2026 - A dor no nervo ciático, conhecida pelo incômodo que começa na região lombar e pode descer pelo glúteo, coxa e perna, tem sido cada vez mais associada a hábitos do dia a dia.
Em um contexto marcado por longos períodos sentados, pouca atividade física e aumento da obesidade, especialistas alertam que as causas do problema vão muito além de esforço excessivo ou de condições graves da coluna.
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Entender o que provoca a dor ciática é essencial para prevenir crises, evitar limitações funcionais e reduzir a necessidade de tratamentos invasivos.
O que é o nervo ciático e por que ele dói?
O nervo ciático é o maior do corpo humano, ele se forma a partir de raízes nervosas da coluna lombar e segue até os pés, sendo responsável por parte da sensibilidade e dos movimentos dos membros inferiores. A dor surge quando esse nervo ou uma de suas raízes é inflamada, ou comprimida.
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Essa compressão costuma acontecer de forma unilateral, o que explica por que a dor geralmente atinge apenas uma perna. O desconforto pode variar de um formigamento leve a uma dor intensa, descrita como choque ou agulhada, que piora ao caminhar, sentar por muito tempo ou esticar a perna.
Ainda assim, boa parte das pessoas associa o problema a causas isoladas ou adota condutas que nem sempre ajudam na recuperação.
Segundo a neurocirurgiã Meghan Murphy, da Mayo Clinic, compreender os fatores reais por trás da dor é um passo importante para tratá-la de forma adequada.
A seguir, os principais mitos e o que a ciência aponta como fato.
Levantar peso é a principal causa de dor nas costas?
Mito, o ato de levantar objetos pesados costuma ser apontado como vilão, mas ele raramente age sozinho. O problema, segundo especialistas, está mais ligado ao contexto.
O que se enquadra em verdade é a postura inadequada ao carregar peso, isso pode contribuir para lesões, mas fatores como:
- Sedentarismo;
- Excesso de peso;
- Má postura no dia a dia; e
- Predisposição genética têm papel mais relevante.
O corpo despreparado e pouco ativo tende a sofrer mais. Importante pontuar que ficar parado até a dor desaparecer ainda é uma recomendação comum, mas nem sempre funciona.
Em casos leves, como uma distensão muscular, reduzir o ritmo por poucos dias pode ajudar. Fora isso, a inatividade costuma prolongar a dor.
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Permanecer em movimento, com atividades de baixo impacto, favorece a recuperação. “A falta de movimento pode gerar rigidez, perda de condicionamento e mais desconforto”, explica a especialista.
Dor nas costas sempre indica um problema grave?
Muitas pessoas associam automaticamente o sintoma a hérnias ou doenças sérias da coluna, mas nem sempre isso é verdade.
Na maioria das vezes, a dor é causada por tensões ou entorses musculares e melhora espontaneamente. Condições mais graves existem, mas são menos frequentes e costumam vir acompanhadas de outros sinais.
Exercício é parte do tratamento e da prevenção, fortalecer o core, melhorar a flexibilidade e manter o peso sob controle ajudam a reduzir a sobrecarga na coluna.
O importante é adaptar os movimentos e respeitar os limites do corpo”, orienta a médica.
Cirurgia é a única saída para dor crônica?
A cirurgia nem sempre é solução definitiva para dores persistentes. A maioria dos casos responde bem a tratamentos conservadores, como fisioterapia, medicamentos, infiltrações e mudanças no estilo de vida.
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A intervenção cirúrgica é indicada apenas em situações específicas, como dor intensa que piora à noite, irradiação para as pernas, perda de força ou alterações no controle da bexiga e do intestino.
Três atitudes para proteger a coluna
Nem todos os problemas nas costas podem ser evitados, especialmente aqueles relacionados a lesões, artrite ou genética. Ainda assim, especialistas destacam três medidas essenciais para preservar a saúde da coluna:
- Manter o peso corporal adequado, reduzindo a carga sobre as articulações.
- Fortalecer o core, conjunto de músculos que sustenta o tronco e estabiliza a coluna.
- Manter-se ativo, incorporando o movimento à rotina diária.
Como resume a especialista, cuidar da coluna passa menos por soluções milagrosas e mais por hábitos consistentes ao longo do tempo.
Diagnóstico
O diagnóstico da dor ciática começa pela escuta atenta do relato do paciente e por um exame físico detalhado, segundo o Hospital Israelita Albert Einstein.
O trajeto da dor, a força muscular e a sensibilidade ajuda a identificar qual raiz nervosa está comprometida.
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Exames de imagem, como a ressonância magnética, são solicitados quando há suspeita de compressões mais importantes ou quando os sintomas persistem. O objetivo é identificar a causa exata para definir o tratamento mais adequado para dores no nervo ciático.
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