Robbie Williams revela ter recebido diagnóstico de autismo aos 52 anos
Reprodução/Instagram/@robbiewilliams
São Paulo - O cantor inglês Robbie Williams declarou em entrevista à imprensa britânica que, aos 52 anos, recebeu diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA).
O astro da música, que chegará ao Brasil em outubro para um show em São Paulo, tornou-se um dos artistas britânicos mais conhecidos de sua geração e construiu uma carreira marcada pela capacidade de se comunicar com grandes plateias.
Ele já havia declarado publicamente sofrer de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), ansiedade, pensamentos intrusivos e dificuldades relacionadas à interação social.
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Autismo em adultos
Em 2025, durante participação no podcast "I'm ADHD! No, You're Not", Williams contou que havia feito um teste on-line para autismo e que o resultado não havia apontado a condição. Posteriormente, após buscar avaliação especializada, recebeu o diagnóstico.
Segundo o médico neurologista Matheus Trilico, referência em TEA e TDAH em adultos no Brasil, o que aconteceu com o cantor ajuda a demonstrar uma diferença fundamental entre teste de rastreamento e diagnóstico clínico. "Quando alguém recebe um diagnóstico de autismo aos 40 ou 50 anos, isso não significa que se tornou autista naquela idade", observa, e complementa:
O TEA é uma condição do neurodesenvolvimento. O que pode acontecer é que determinados sinais tenham passado despercebidos, sido compensados ou recebido outras interpretações ao longo da vida."
TDAH e TEA podem acontecer juntos?
O médico diz que o fato de Williams ter diagnóstico para os dois tipos de transtorno não é coincidência. Ele menciona uma pesquisa publicada em 2021 que analisou 63 estudos e encontrou prevalência atual de TDAH em 38,5% dos indivíduos com autismo, chegando a 40,2% ao longo da vida.
Outro estudo de 2025 do Children's Hospital of Philadelphia (EUA) com mais de 3,5 milhões de adultos, mostrou que 27% dos adultos autistas sem deficiência intelectual também tinham TDAH, dez vezes a taxa da população geral.
"Essa comorbidade complica o quadro clínico", observa Trilico, destacando que o TDAH traz desregulação atencional e dificuldade executiva, enquanto o TEA traz desafios na comunicação social e padrões restritos de comportamento.
Quando coexistem, o impacto funcional se multiplica, e não fica confinado ao indivíduo. Cônjuges, filhos e colegas absorvem a sobrecarga."
Sintoma do hiperfoco
Durante a entrevista ao jornal britânico Daily Mail, o cantor Robbie Williams também descreveu o hiperfoco, sintoma do TDAH, com franqueza: "Você consegue se concentrar completamente em algo, 1000%, mas, com absolutamente todo o resto, simplesmente não consegue", afirmou.
A aparente contradição entre dificuldade de atenção e, ao mesmo tempo, concentração intensa é uma das características mais mal compreendidas do TDAH, esclarece o Trilico.
Muitas vezes estamos falando de dificuldade na regulação da atenção. A pessoa pode sofrer para sustentar o foco em uma tarefa pouco estimulante e, ao mesmo tempo, permanecer extremamente concentrada quando existe interesse, novidade ou recompensa."
Ele completa destacando que o diagnóstico em adultos não deve ser encarado como sentença. "O objetivo não é transformar aquela pessoa em alguém que ela não é, mas sim identificar onde existe sofrimento ou prejuízo e oferecer estratégias para melhorar funcionamento, autonomia e qualidade de vida. As peças se encaixam quando você entende como seu cérebro e mente funcionam", finaliza.
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