CONFIRA

Sobre a coluna

Conselheira de empresas e mentora de startups. Ex-CEO da SAP para América Latina, também ocupou cargos C-level em empresas como Philips, HP e Microsoft. É maratonista desde 2003.


Minhas redes

A vacina para o abuso das telas pode vir do próprio celular

É paradoxal que a gente veja tantas campanhas e assuntos ligados ao Setembro Amarelo justamente pelo celular e redes sociais, que são também gatilhos

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O quanto o excesso de telas pode prejudicar a sua saúde mental e quais medidas podem ser tomadas por meio do próprio smartphone - Foto: Envato Elements
O quanto o excesso de telas pode prejudicar a sua saúde mental e quais medidas podem ser tomadas por meio do próprio smartphone
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Setembro, mês da primavera, é também dedicado à conscientização sobre saúde mental, destacando a importância de discutir o aumento das taxas de suicídio e os impactos da saúde mental desequilibrada na vida cotidiana das pessoas.

A saúde mental afeta muitos, manifestando-se em dificuldades como insônia, ansiedade e desmotivação, especialmente entre adolescentes que enfrentam pressões sociais exacerbadas pelas redes sociais.

Iniciativas como o uso de aplicativos para controlar o tempo de tela e projetos de IA para detectar ideação suicida estão sendo implementadas, além da importância de buscar ajuda profissional em vez de depender apenas de ferramentas digitais.

Resumo gerado por IA

São Paulo - Setembro, mês de chegada da primavera, também é o mês da conscientização sobre a saúde mental. Sob a cor amarela, brotam nas nossas telas campanhas a respeito da importância de se falar sobre os males que afligem nossos corações e mentes. A campanha Setembro Amarelo é de extrema relevância, já que ainda nos deparamos com estatísticas tão tristes sobre o crescimento das taxas de suicídio nos últimos anos.

Para além dos casos graves de distúrbios que podem levar a situações extremas, a saúde mental desequilibrada é algo que afeta muita gente. Devemos aproveitar este mês para olhar com generosidade e cuidado para mentes adoecidas (nossas e de quem está no nosso entorno) e suas consequências perversas no dia a dia.

É a dificuldade para dormir, a ansiedade constante, a sensação de desânimo que surge sempre que você compara a grama do vizinho com a sua, a consequente desmotivação que faz com que levantar cedo para trabalhar seja um fardo enorme. Ou a dor que aflige muitas meninas adolescentes, a dificuldade de aceitar a própria imagem que teima em não ser páreo para os filtros das redes sociais.

É paradoxal que a gente veja tantas campanhas e assuntos ligados ao Setembro Amarelo justamente pelo celular e pelas redes sociais, apontados como potencializadores destas questões."

Eu mesma andei refletindo sobre o quanto, muitas vezes, deixo o automático me guiar e acabo passando mais tempo nas telas do que gostaria. Nesta reflexão, muitas vezes podemos cair na tentação de ideias radicais: “Vou abandonar as redes!”, “Vou comprar um celular daqueles basiquinhos, sem este monte de aplicativos”. Mas, é como na dieta: dá para ter uma alimentação saudável sem cortar totalmente as guloseimas.

Ferramentas para reduzir tempo de tela

A mesma ferramenta que é uma possível fonte de vício pode nos ajudar a ter uma relação mais saudável com a tecnologia. Um primeiro passo é um controle do tempo que passamos na tela. Para isso, o celular já vem com essa ajuda embutida, basta ativar.

  • No Android, o recurso chama-se “Bem-estar Digital”
  • No iPhone, “Tempo de Uso”. Ambos permitem que você defina uma trava de acesso depois de um limite.

Mas há quem precise de soluções mais assertivas e para isso as lojas de aplicativos trazem várias opções. Pesquisando na internet, descobri dois apps interessantes. O One Sec permite que o usuário programe uma “pausa de respiração de alguns segundos” antes de abrir Instagram, TikTok ou qualquer app escolhido.

Pode parecer uma bobagem, mas um estudo conduzido por pesquisadores em psicologia na Universidade de Heidelberg mostrou uma redução média de 57% no uso de redes sociais entre os usuários do app.

Outra solução para os mais competitivos é o Forest, um app para manter o foco. A ideia do game é bem simples: uma árvore virtual cresce enquanto você não mexe no celular. Ao sair do app para abrir as redes, a árvore murcha. Ao concluir o tempo do desafio proposto, você ganha pontos e bônus.

Os smartphones também podem ser uma excelente ferramenta para quem quer meditar, com apps como Headspace e Calm, que trazem conteúdos diversos, que vão desde a meditação guiada com silêncio e toques de sinos a histórias e playlists para pegar no sono.

A hora de pedir ajuda 

Agora, em tempos em que até os chatbots de IA têm sido usados por alguns como terapeutas – e como mãe de uma futura psicóloga –, quero chamar a atenção para a importância de um atendimento profissional. Claro que algumas ferramentas podem auxiliar um primeiro contato ou para destravar resistências, mas não são substitutos da terapia.

Mas há um uso da IA que vai muito além do apoio individual: o de identificar quem precisa de ajuda com urgência. Quando eu era CEO da SAP, apoiei o desenvolvimento de um projeto chamado de Algoritmo da Vida, em parceria com a AWS, Twitter (atualmente X) e a agência de publicidade África, para detecção de postagens com riscos de ideação suicida.

Já a ONG Crisis Text Line, nos EUA, treinou um modelo de machine learning que identifica 86% dos casos de risco iminente já nas primeiras mensagens de quem pede ajuda.

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