3I/ATLAS: Cometa descoberto pode ser tão antigo quando o Universo
NASA/Daniel Muthukrishna, MIT
São Paulo - O Telescópio Espacial Hubble e a sonda europeia Jupiter Icy Moons Explorer registraram, entre outubro e novembro, imagens inéditas do cometa interestelar 3I/ATLAS, que atravessa o Sistema Solar e se aproxima da Terra sem oferecer risco. Novas análises da Nasa indicam que o cometa pode ter entre 10 e 12 bilhões de anos, o que o tornaria um dos objetos mais antigos já observados.
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O satélite TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da Nasa, voltou a observar o cometa interestelar 3I/ATLAS durante uma campanha especial de observação entre 15 e 22 de janeiro.
A Terra tem cerca de 4,5 bilhões de anos e o Sistema Solar tem aproximadamente 4,6 bilhões de anos. Para comparação, caso a estimativa de idade esteja correta, o cometa pode ter surgido pouco tempo depois do próprio Universo, que surgiu há cerca de 13,8 bilhões de anos.
Inicialmente, o objeto foi percebido quando avançava em direção ao interior da órbita solar, o que despertou o interesse de astrônomos ao redor do mundo. Este é o terceiro visitante de fora do Sistema Solar já identificado. Em 30 de novembro, o cometa estava a cerca de 286 milhões de quilômetros da Terra.
O brilho do cometa é de aproximadamente 11,5 em magnitude aparente, ou cerca de 100 vezes mais fraco do que o que os humanos conseguem ver a olho nu, segundo a Nasa.
As imagens foram capturadas pela câmera Wide Field Camera 3 e revelam detalhes mais nítidos de sua estrutura, incluindo o formato alongado semelhante a uma gota d’água, já observado pela primeira vez em julho, logo após a descoberta do objeto.
Os astrônomos analisam sinais da sublimação de gases liberados durante a passagem do cometa pelo ponto mais próximo do Sol em outubro. Esse processo fornece pistas sobre a composição do 3I/ATLAS, cuja origem está fora do Sistema Solar.
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Registros da sonda Juice
A sonda da Agência Espacial Europeia, que segue em direção a Júpiter para estudar suas luas geladas, também aproveitou a trajetória para registrar o objeto.
Em 2 de novembro, quando estava a aproximadamente 66 milhões de quilômetros do cometa, a câmera de navegação da missão, a NavCam, capturou uma imagem parcial enviada em baixa resolução devido a limitações de comunicação.
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Mesmo assim, os registros mostram atividade térmica e a formação de uma coma brilhante ao redor do núcleo, além de duas caudas distintas. Uma delas é composta por plasma, formada por gases ionizados que se estendem sob a influência do vento solar. A outra é uma cauda de poeira, mais tênue, criada pela liberação de partículas sólidas.
A maioria dos dados coletados pela Juice deve chegar à Terra entre fevereiro e março, já que a antena principal da sonda está temporariamente voltada para proteger o equipamento do calor solar.
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A espaçonave TESS, usada na nova análise, examina uma ampla faixa do céu por cerca de um mês, buscando variações na luz de estrelas distantes para detectar exoplanetas em órbita. Essa técnica também permite que o TESS identifique e monitore cometas e asteroides a grandes distâncias. O amplo campo de visão da missão já havia observado o cometa 3I/ATLAS em maio de 2025, quase dois meses antes de sua descoberta.
Por que o cometa chama atenção?
O 3I/ATLAS é apenas o terceiro objeto interestelar já identificado cruzando o Sistema Solar. Diferente de cometas originários da nuvem local de detritos, ele carrega características que podem esclarecer processos de formação de corpos celestes em outros sistemas estelares.
A proximidade do cometa com o Sol, somada à observação simultânea por diferentes missões, oferece uma oportunidade rara de análise. O aumento da atividade em sua coma e em suas caudas indica que o objeto está passando por aquecimento significativo, o que intensifica a liberação de material congelado.
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