Emilio Umeoka
Colunista VIVA
11/05/2026 | 10h35
Sobre a
coluna
Sobre a coluna
Embaixador do Stanford Center on Longevity, atua na interseção entre longevidade, trabalho e inclusão. Ex-executivo global na Microsoft e Apple, é também conselheiro de startups.
O eterno aprendiz: repensando o que significa viver mais
Envato
Palo Alto, Califórnia - Meu interesse pelo tema da longevidade não começou como um tema de estudo estruturado, mas como uma inquietação: por que estamos vivendo mais, mas ainda organizando a vida como se ela fosse mais curta? E por que essa discussão ainda não envolve todas as gerações?
Mas vamos começar pelo início: eu sou Emilio Umeoka, ao longo da minha carreira ocupei cargos de liderança sênior em empresas globais de tecnologia, incluindo Microsoft e Apple, onde liderei equipes grandes, diversas e multiculturais em todo o mundo.
Jornada de renovação
Há cinco anos, decidi encerrar esse ciclo corporativo. Foi quando ingressei no Stanford Distinguished Careers Institute (DCI), como Fellow da turma de 2021, em busca de renovação, não de um novo campo de estudo.
O DCI se baseia em três objetivos centrais: renovar o propósito, construir comunidade e recalibrar o bem-estar (mental, físico e espiritual). O programa atende pessoas em um momento de transição que percebem um vasto horizonte à frente e escolhem abordar esse próximo capítulo com intenção.
Entrei no DCI com uma ênfase em Educação, Ensino e Aprendizagem, motivado pelo desejo de compartilhar conhecimento e abrir portas para outras pessoas. No entanto, à medida que avancei, meu pensamento evoluiu.
Como defensor e promotor de Diversidade, Equidade e Inclusão há muitos anos, percebi que o trabalho de inclusão permanecia incompleto porque deixava de lado uma dimensão crítica: a idade. O etarismo continua sendo uma das últimas formas socialmente aceitáveis de preconceito.
Leia também: Saiba como identificar o etarismo no trabalho e quando procurar a Justiça
Percebi que a força de trabalho multigeracional, com toda a sua riqueza e complexidade, precisava de mais defensores. Assim, meu envolvimento com o Stanford Center on Longevity (SCL) tornou-se uma extensão natural do meu compromisso com DEI, trazendo uma perspectiva de equidade e pertencimento para uma dimensão da diversidade que raramente recebe a atenção que merece.
Um curso chamado Designing Your Life provocou uma jornada interna mais profunda. Ali, confrontei a “finitude”, o reconhecimento honesto de que os anos que me restam são menos numerosos do que os que já vivi.
Em vez de gerar resignação, essa constatação se tornou uma força, ela me incentivou a fazer perguntas mais difíceis:
- Como eu realmente quero que seja esse próximo capítulo?
- Onde posso gerar uma contribuição significativa?
- Como posso alinhar o tempo que me resta com propósito?
Percebi que queria criar um “projeto de vida” com impacto que se estenda por vinte a trinta anos no futuro — muito além da minha própria existência. Essas perguntas me levaram, de forma clara, a pensar sobre longevidade.
Leia também: Livros para ampliar o olhar sobre envelhecimento e longevidade em 2026
Mergulhei em cursos sobre plasticidade cerebral e a economia da longevidade e, explorando como ciência, mercado e propósito se cruzam. Estudei o escalonamento de inovação social para entender como ideias com impacto real na sociedade alcançam as pessoas que mais precisam delas. Um envolvimento levou a outro; logo comecei a atuar como mentor no Startup Challenge do Stanford Center on Longevity, trabalhando com empreendedores que estão na vanguarda do potencial humano.
Há três anos, o SCL lançou seu primeiro programa de Embaixadores, treinou e certificou nossa turma para promover o The New Map of Life — um estudo de referência que argumenta que, enquanto as pessoas vivem cada vez mais até os 100 anos, nossas instituições, políticas e ambientes de trabalho permanecem presos ao passado. Essa lacuna entre longevidade e preparo é onde encontrei meu verdadeiro trabalho.
Leia também: "Já vivemos até os 100 anos, mas a sociedade não está preparada", diz Umeoka
Novo Mapa da Longevidade
Hoje, atuo na disseminação desse “Novo Mapa”, aprofundando três temas onde minha experiência pode gerar maior impacto:
· A força de trabalho multigeracional: desbloqueando o valor ainda pouco explorado de equipes que abrangem cinco gerações.
· A economia prateada: abordando a população 50+ que controla dois terços do poder de consumo, mas recebe menos de cinco por cento dos investimentos em marketing.
· O futuro do trabalho: navegando o impacto acelerado da inteligência artificial sobre como pessoas de todas as idades encontram significado e relevância.
Quando defendo essas mudanças, não estou pensando apenas em políticas públicas; estou pensando no mundo que minha neta irá herdar. Quero garantir que, quando ela chegar à minha idade, a sociedade enxergue um século de vida como um ativo a ser aproveitado, e não como um problema a ser resolvido."
O que começou como uma busca por renovação se transformou em uma dedicação para a vida toda. A revolução da longevidade já começou, e ajudar a sociedade a acompanhá-la é a minha missão de vida.
Pretendo seguir nesse caminho por décadas, deixando um impacto que ultrapasse minha própria trajetória e tornando esse caminho mais claro para as próximas gerações.
Leia também: 94% das empresas não têm metas de inclusão de profissionais 50+, diz estudo
Agora, como colunista do Portal VIVA, sinto que essa missão ganhou uma nova dimensão. Tenho a oportunidade de ampliar esse debate para além dos círculos acadêmicos, alcançar pessoas de diferentes contextos e gerações, contribuindo para que a longevidade seja tratada com mais naturalidade, como parte das conversas do cotidiano, de forma acessível, relevante e conectada à vida real.
Comentários
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.
