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Falta de estrutura na formação médica afeta 22% das cidades, diz CFM

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Entidade atribuiu situação à abertura indiscriminada de escolas médicas no Brasil - Envato
Entidade atribuiu situação à abertura indiscriminada de escolas médicas no Brasil
Por Emanuele Almeida

24/02/2026 | 17h09

São Paulo, 24/02/2026 - Dados do Conselho Federal de Medicina (CFM) apontam o Brasil já tem 453 escolas médicas, distribuídas em 277 municípios - desse total,  quase 270 foram criadas entre 2010 e 2025. O número traz preocupação para a autarquia, tendo em vista que nem todos as cidades possuem infraestrutura mínima para uma formação adequada. 

Leia também: Quase um terço dos cursos de medicina tiveram avaliação ruim, segundo o MEC

Outro levantamento do CFM, de 2024, indica de 78% dos municípios possuem infraestrutura mínima necessária para uma formação apropriada aos estudantes, o restante (22%) carece de estrutura para garantir ensino de qualidade. 

O presidente do CFM, José Hiran Galo, explica que, sem hospitais de alta complexidade, programas de residência suficientes ou equipes preparadas para a preceptoria, muitos municípios não conseguem oferecer condições básicas para o ensino prático.

A consequência é direta: alunos formados sem vivência clínica adequada e populações expostas a riscos potenciais quando esses profissionais chegam ao mercado de trabalho sem supervisão.”

Na avaliação do CFM, com mais de 270 municípios recebendo cursos, muitos sem suporte assistencial ou hospitalar, o País enfrenta um cenário em que a qualidade da formação varia drasticamente de uma região para outra.

A expansão da criação de escolas médicas atinge tanto capitais e grandes centros, como São Paulo (14), Salvador (6), Belo Horizonte (6), Belém (6) e Rio de Janeiro (10), quanto cidades de médio e pequeno porte, como Cruzeiro do Sul (AC), Itacoatiara (AM), Barbalha (CE), Camaçari (BA), Ijuí (RS), Canoinhas (SC) e Arapongas (PR).

Principais problemas 

Um dos principais fatores que levam a situação complicada da formação de médicos no Brasil, segundo o CFM, é a abertura indiscriminada de escolas. Pela legislação brasileira, a abertura, autorização e supervisão de cursos de Medicina são atribuições exclusivas do Ministério da Educação (MEC).

De acordo com dados obtidos pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) via Lei de Acesso à Informação, o Brasil atingiu a marca de 494 faculdades de Medicina em 2025, com uma oferta anual de 51 mil vagas. O crescimento foi impulsionado pela abertura de 77 novos cursos, aprovados pelo MEC, e a ampliação de 20 já existentes entre 2024 e o final de 2025. O levantamento aponta ainda uma forte predominância do setor particular, que detém 80% do total de vagas no País.

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A autarquia reforça que foi devido a essa política de multiplicação de vagas promovidas, sem contrapartida estrutural para o Sistema Único de Saúde (SUS), que permitiu a instalação de faculdades em localidades incapazes de sustentar a formação médica.

OAB da medicina

Por conta desse cenário, entidades médicas defendem a aprovação, no Congresso Nacional, do projeto de lei que cria o Exame Nacional de Proficiência em Medicina (ProfiMed), também conhecido como "OAB da Medicina”, que estabelece a aprovação ao exame para exercer a profissão. 

Para o presidente da Associação Paulista de Medicina (APM), Antonio José Gonçalves, a iniciativa representa um avanço na qualificação profissional. “A chamada ‘OAB dos Médicos’ é um passo importante para melhorar a formação médica, que está totalmente desqualificada com as inúmeras faculdades que só visam lucros”, afirmou.

A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado Federal marcou para esta quarta-feira, 25, a votação suplementar do Projeto de Lei nº 2.294/2024 que institui o ProfiMed. O avanço da matéria ocorreu após a divulgação dos resultados da primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), conduzido pelo Ministério da Educação (MEC) - cerca de 30% dos mais de 300 cursos avaliados apresentaram desempenho considerado insatisfatório.

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Se passar pela comissão e depois for aprovado na Câmara sem alterações, o texto seguirá para sanção presidencial. Caso haja modificações, retornará ao Senado para nova análise. A proposta prevê um período de vacância de aproximadamente um ano após eventual sanção, para que o exame seja implementado.

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