RS torna-se primeiro Estado onde número de moradores para de crescer
Alex Rocha/PMPA
São Paulo – O Rio Grande do Sul passará a viver, a partir desta quarta-feira (1º), uma realidade que o Brasil como um todo só deverá enfrentar por volta de 2041. Com base nas projeções populacionais do IBGE, a SeniorLab identificou que o Estado será o primeiro do País a iniciar uma trajetória contínua de redução da população.
Leia também
Segundo o levantamento, a população gaúcha passará a diminuir, em média, 8,4 pessoas por dia, o equivalente a cerca de 3.066 habitantes por ano. Embora a redução ainda seja pequena em números absolutos, ela marca uma mudança histórica: pela primeira vez, o número de moradores do Estado deixará de crescer.
De acordo com o colunista do VIVA e fundador da SeniorLab, Martin Henkel, a combinação entre a queda da taxa de fecundidade e o saldo migratório explica esse novo cenário.
A fertilidade diminuiu bastante. Existe também uma tendência de migração, identificada pelo IBGE. Eles já projetam uma migração natural para outros Estados. Então, esse crescimento, a reposição de pessoas por meio dos nascimentos fica menor do que a de óbitos".
As projeções indicam que o Rio de Janeiro deverá ser o próximo Estado a registrar redução contínua da população, em 2028. Depois, a tendência deverá alcançar outras unidades da Federação até que, por volta de 2041, o Brasil também interrompa seu crescimento populacional.
O índice de envelhecimento no Sul é o segundo maior do País, atrás do Sudeste. O índice geral do Brasil é de 80, conforme Dados do Censo Demográfico 2022 do IBGE, ou seja, há 80 pessoas com 60 anos ou mais no País para cada 100 crianças de até 14 anos. O índice na região Sul é de 95,4, atrás apenas do Sudeste, com 98.

As mudanças que seguem
O que acontece agora no Rio Grande do Sul funciona como um sinal do futuro demográfico brasileiro. A experiência do Estado antecipa mudanças que, nas próximas décadas, deverão influenciar a economia, o consumo, o mercado de trabalho e as políticas públicas em todo o País.
Conforme os dados do IBGE, cerca de 22% dos moradores do Rio Grande do Sul têm 60 anos ou mais, o equivalente a aproximadamente 2,4 milhões de pessoas. Henkel destaca que esse grupo possui um papel importantíssimo na economia.
"No Rio Grande do Sul, R$ 73 bilhões entraram nas contas correntes e nas carteiras da população com 60 anos ou mais no ano passado. Esse valor é superior, inclusive, ao orçamento anual do Estado", afirma o especialista.
Esta transformação exigirá adaptações em áreas como saúde, habitação, mobilidade, turismo, mercado financeiro, tecnologia, educação e mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, amplia a importância da chamada Economia Prateada, voltada às necessidades e ao potencial econômico da população com 60 anos ou mais.
Comentários
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.